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28.2.09

The Rostov-Lysenko syndrome

O homem iluminado (his arms like golden cartwheels*) dormiu enfim, duas noites lentas de sono e não mais. O sono (e talvez o tempo) é a medicina exclusiva dos sentimentos. O homem iluminado (his head like a spectral crown*) preferia sentir pena, ou ódio, alguma coisa que se visse (sentisse), mas não sentia nada, apenas a escuridão vazia do olvido – hão-de perdoar-lhe por isso. Hão-de entender isso: não queria saber de vocês, não vos conhecia sequer. Aniquilou cada um de vós em cada um dos seus neurónios. Suprimiu essa estranheza em si: a ferida que vos descrevia, que era a vossa carne inteira. O homem iluminado (we now know that it is time which is responsible for the transformation*), homem sem remorsos e grato pela farsa da vida.

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27.2.09

The Black Curate

The Black Curate: a Catholic Priest from Nigeria who also happens to be a reggae artist.

(See me so)

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26.2.09

De Cinzas

Eu sei o que me vão dizer: «resignação cristã, muito sol e fluoxetina. Talvez até uma canja.» Aqui em casa arranja-se tudo isso. E só faltam 39 dias para o fim da Quaresma. Um dia isto há-de passar.

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Passeio Público

(Reconversões forçadas)

O passado, aquilo que nos resta, luta invariavelmente com o esquecimento. Há muitos anos, talvez demais, que se escreve teimosamente sobre o destino do antigo Teatro Sousa Bastos, na alta de Coimbra. Talvez as palavras não distingam o desejo íntimo daqueles que não querem perder o seu próprio passado, Sousa Bastos incluído, daqueles que lutam pela história que persevera ainda em cada memorável edifício que tolera o “progresso”, as “remodelações”, e as “reconversões”, o que, para o caso, pouco importa – no fim, todos correm para o mesmo lado.

A ruína tranquila do Sousa Bastos conheceu recentemente o seu destino: vai ser “transformado” numa residência aberta a estudantes e turistas. Não será convertido num “hotel de charme”, ou num prédio de habitação, mas numa “unidade de alojamento local”, com centro de convívio, espaço para associações culturais e 35 quartos para estudantes integrados no programa Erasmus.

De resto, recordamos o final garantido pelo IGESPAR ao antigo convento de São Domingos (datado do séc. XIII), situado sob a Avenida Fernão de Magalhães, e louvamos a sorte do edifício do Teatro Sousa Bastos. Apesar de tudo, a “reconversão” é preferível à obliteração - e uma “unidade de alojamento local” sempre garante a dignidade que um parque de estacionamento não possui.

Os cães de Deus não guardam os seus. Uma simbiose perfeita entre o reordenamento urbano e o património histórico edificado parece ser uma utopia. É algo que, nas palavras do subdirector do IGESPAR, João Cunha Ribeiro, se situa no “domínio do absurdo”. É possível. As utopias são “tigres no papel” e perigosos desvios da normalidade do “progresso” que, como bem sabemos, passa pela construção de mais parques de estacionamento.

À primeira vista, as coisas parecem claras: na balança da realidade, pesa mais o futuro que o passado, e mais o “progresso” que a memória. Não esqueçamos, porém, a rigorosa irreversibilidade das decisões tomadas no presente. O que decidirmos apagar agora, não mais voltará.
(Ontem, 25/o2, no Jornal de Notícias)

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24.2.09

Arte da suspeita

É preciso suspeitar - disse Ambon -, suspeitar a toda a hora, mas sem perder demasiado tempo com isso.

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23.2.09

Alfragide Alegro

No meio do cubo, seguro por uma fita negra, um lápis azul, nem sequer muito grande. Arte, proclama o texto de David Santos. E explica. Grandes linhas de argumentação: os mecanismos de vigilância das sociedades democráticas (a urgência da alusão: Foucault e o Panóptico de Bentham; mas isto sou eu a interpretar a interpretação), a demência do porvir, a suspensão da liberdade, o inverno fascista, o gesto fundador da transgressão: o lápis, gigante mas nem por isso (a desilusão: Freud esquecido) O esclarecimento, como convém, é obscuro, críptico e (arrisco) sumamente ignaro. A arte que precisa de exegese desta é tudo menos arte. Valeu a velhota e a neta: «Porque é que o lápis é tão grande?», «Porque serve para escrever histórias muito grandes!». Às vezes, um lápis é apenas um lápis.

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700 anos anões (+19)


(Bergstraat, Amesterdão)

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20.2.09

Passeio Público

(Co-incineração suspensa)

A defesa intransigente do Choupal, o ressurgimento das hortas urbanas, a resistência à instalação de uma central termoeléctrica em Taveiro, e até a projectada construção de um fluviário dedicado, em exclusivo, à fauna piscícola do Mondego, modelam-se numa certa forma de pensar o mundo, a ecologia, que reprime o lucro em favor da consciência ambiental e da vulgarização do bem-estar – incluindo o das pedras, plantas e demais bichezas. O ambiente é, definitivamente, o tema do momento em Coimbra. Faço votos para que seja longo o seu caminho.

E agora, de novo, Souselas. Depois de anos de luta e tiros perdidos, de avanços e retrocessos, uma vitória significativa dos opositores da queima de resíduos industriais perigosos (RIP) nas instalações da Cimpor reabre definitivamente o dossier da co-incineração. O Tribunal Central Administrativo do Norte suspendeu o processo na cimenteira de Souselas, de acordo com Castanheira Barros, o representante de um grupo de cidadãos que moveu uma acção cautelar contra a licença de exploração da incineração de RIP (poderia arriscar a interpretação destas iniciais mas abstenho-me de tal experiência).

A referência ao discurso que Churchill realizou em Londres, em 10 de Novembro de 1942, é quase inevitável: não será o fim, nem sequer o princípio do fim, até porque longas vão as hostilidades e o Ministério do Ambiente e a Cimpor vão, com certeza, recorrer da sentença, mas talvez o fim do princípio de um longo conflito que confronta a saúde e a tranquilidade da população de Souselas e Coimbra com os propósitos lucrativos da cimenteira.

É claro que a co-incineração, enquanto processo técnico, pode ser perfeitamente inócua para o meio ambiente. Mas o contrário parece ser mais provável: a cimenteira é frequentemente encoberta por nuvens de pó, a massa vegetal de Souselas desaparece, lenta e inexplicavelmente, os peixes morrem no rio Botão. O próprio acórdão do Tribunal Central Administrativo do Norte refere a “existência de um risco de concentração de poluentes susceptíveis de aumentar o risco de contrair certas doenças por parte de quem vive nas proximidades”. Daquelas chaminés não escapam dádivas benignas.

A decisão do Tribunal Central Administrativo do Norte distancia Souselas dos desastres possíveis que a inconsciência ambiental sempre acarretam, pelo menos por algum tempo. A contenda desloca agora o seu eixo para o Choupal.
(Ontem, 19/02, no Jornal de Notícias)

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18.2.09

Rampjaar


Jan de Baen, c. 1672–1675, Corpses of the De Witt Brothers, Rijksmuseum, Amsterdam)

É impossível incriminar estes corpos ou ter como verdadeira a sua traição - mas olhai o seu irreversível destino, a sua humilhação eviscerada e póstuma. Dos irmãos De Witt dizia-se muito, mas nem tudo seria verdade. Sabeis como eles eram, revoltos e distantes, ocasionalmente secos, levados em ombros largos, penachos de guarda nos enxaiméis de Westminster e Breda - sempre pela República, pela Holanda, por algo mais que a aragem despreocupada da noite.

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17.2.09

700 anos anões (+18)


(Spuisstraat, Amesterdão)

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Italian Music #nine

The Walkmen - Dónde está la playa

(She’s pretty as sherry)

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12.2.09

Carlitos Darwin: o darwinista relutante #4

Charles Darwin nasceu a 12 de Fevereiro de 1809 em Shrewsbury, Shropshire, Inglaterra. Darwin é, para além de Albert Einstein, o cientista mais reconhecido pelo público interessado, mas não especializado, nos meandros da ciência. Ilustrado numa nota de £10, Darwin é convocado de forma banal à intimidade dos Britânicos. No âmago rural dos Estados Unidos da América – no famigerado Bible Belt – reservam-lhe, não poucas vezes, o estatuto de apóstata e herege, de “capelão do demónio”, como o próprio referiu uma vez de forma trocista. Em Portugal, ou é ignorado ou é considerado de forma fragmentária, parcial e preconceituosa. Não obstante, a vida e o trabalho de Charles Darwin, quando são conhecidos, são usualmente limitados ao seu opus magnum, a Origem das Espécies.

A verdade é que existe um Darwin para além da Origem: no início um menino rico, esbanjador. Às vezes cientista. Uma odisseia fulcral e transformadora no pequeno Beagle. Uma carreira científica ímpar e subversiva como geólogo, primeiro, e como biólogo, depois. Uma família amada em crescendo geométrico (a invectivar o inspirador Malthus?). Amizades sinceras, outras nem tanto. Doenças, muitas doenças, e amargura.

Quem foi então este Charles Darwin, desconhecido? Acomodo, naturalmente, os seus feitos científicos no contexto da Inglaterra do período vitoriano: em plena revolução industrial, dickensiana. Se é verdade que o estatuto social e económico da família Darwin permitiu que o jovem Charles tivesse uma educação privilegiada (Universidade de Edinburgo, Universidade de Cambridge), com dedicação total aos estudos e todas as benesses inerentes a uma situação económica desafogada, tal não supõe de forma directa que num único homem, apenas, se combinaram todos os factores necessários para desenvolver a ideia de evolução. Como afirmam os autores, em Darwin sucedeu uma combinação de experiência a bordo Beagle, imaginação, liberdade para trabalhar e, talvez o mais importante, a influência de uma forte tradição familiar de interesse e capacidade científicas. Diga-se, no entanto, que um Alfred Russel Wallace sem educação formal e provindo de um estrato socioeconómico carenciado, amarrou ideias a partir dos seus próprios dados e forjou uma teoria similar à de Charles Darwin. Por outro lado, John MacGillivray, o ébrio e dotado naturalista do HMS Rattlesnake, com um background social e percurso científico semelhantes aos de Darwin, não destinou quaisquer implicações evolutivas aos dados que foi recolhendo nas suas viagens. Portanto, o social não influencia definitivamente e em exclusivo a produção científica de excepção. Penetrando em terrenos movediços, arrisco falar em criatividade singular, em uma centelha de genialidade de Darwin.

Na relação com a família, com o pai e com o seu irmão e depois com a esposa e os filhos, a preocupação maior de Charles parece ter sido a de assegurar a estabilidade – emocional mas também financeira – aos seus e a si mesmo. Estabilidade e segurança perdidas em momentos como a morte da sua mãe ou da sua filha Annie. O amor que devotou a Emma Wedgwood, a cristianíssima esposa, terá mesmo influenciado de forma decisiva o protelamento da divulgação das suas ideias evolucionistas. Darwin foi resguardando as suas concepções heterodoxas, pelo menos 20 anos se passaram entre as primeiras letras demoníacas e a carta de Alfred Russel Wallace, que acelerou a célebre conferência da Geological Society em que os dois cientistas, em jargão críptico, disseram que não havia mão de Deus sobre as criaturas, que era tudo obra do acaso, do tempo e da selecção natural. Esmagado pelo seu trabalho herético, Charles demorou a confiar as suas ideias a outros colegas. Escolheu Charles Lyell que, para enorme tristeza de Darwin, nunca aceitou completamente a teoria da evolução. No entanto, as suas relações com John Hooker e T.H. Huxley, por exemplo, valeram-lhe, não só duas amizades perenes, como o solícito auxílio de dois convictos sequazes, no dealbar das perenes lutas entre criacionistas e evolucionistas.

Evoco a imortal jornada de Charles Darwin a bordo do Beagle. O próprio Darwin reconheceu o carácter revolucionário e transformador que a viagem operou no seu pensamento acerca da natureza e origem das espécies:

When on board HMS ‘Beagle’ as naturalist, I was much struck with certain facts in the distribution of the organic beings inhabiting South America, and in the geological relations of the present to the past inhabitants of that continent. These facts, (…) seemed to throw some light on the origin of the species – that mystery of mysteries.

Para além da colecta de dados essenciais à formulação de uma teoria válida da evolução, a viagem do Beagle ajudou Darwin a cimentar uma reputação científica junto da intelligentsia inglesa. Dos milhares de páginas de apontamentos e da colecção sistemática de especímenes geológicos, botânicos e animais resultou um trabalho de consolidação académica – em áreas científicas “ortodoxas” – que seria fundamental para a construção da imagem de Darwin enquanto sábio e, portanto, para a legitimação das suas ideias revolucionárias. Isso mesmo, revolucionárias – e das “melhores”.

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Carlitos Darwin: o darwinista relutante #3

O Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida, e o homem transformou-se num ser vivo.
(Génesis 2:7)

Light will be thrown on the origin of man and his history.
(Charles Darwin, 1859, On the origin of the species by means of natural selection)

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Pausa


(Rembrandt van Rijn, 1662, The Syndics of the Amsterdam Drapers’ Guild, Rijksmuseum, Amsterdam)

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11.2.09

Passeio Público

(Hortas urbanas)

Somos humanos mas isso é apenas um pormenor evolutivo: somos animais, macacos depilados que, num incerto momento, descobriram o fogo e a sua densidade apaziguadora, que é como quem diz a cultura e a fuga tolerável à opacidade da natureza. Porém, não é possível iludir a vontade de permanecermos fiéis a nós mesmos, à nossa própria essência.

Vivemos nas cidades, entre aço e betão, mas pouco sabemos desse ambiente hostil, dos seus riscos e sombras. Tão pouco recordamos as narrativas rurais, o fascínio da sementeira (realizada com moderação e um pouco contra a vontade, como quem arrisca as coisas que teme perder), a nostalgia do paraíso perdido. Caminhamos no limbo, sobre ruínas e tesouros esquecidos.

Durante centenas de anos, e até bastante tarde no séc. XX, campos agrícolas envolviam Coimbra – a própria cidade encontrava-se trespassada por uma “ruralidade física”: no seu âmago persistiam hortas, tapumes e quintais. A pressão urbanística foi suprimindo estas ínsulas rurais que, no final do século passado, praticamente deixaram de existir.
Felizmente, as hortas urbanas regressam lentamente à paisagem da cidade. Para além das hortas pertencentes a particulares, promovem-se alguns projectos de hortas comunitárias, no Bairro do Ingote e agora também em terrenos municipais no Alto de S. Miguel/Ingote, S. Martinho do Bispo, Portela e Vale das Flores, que recuperam experiências antigas – de valor ecológico, económico e social inquestionável. Não esquecemos Robert Frost: “Nature’s first green is gold”.

O projecto “Hortas do Ingote”, iniciado em 2006, é um caso perceptível de sucesso. A parceria do Departamento de Habitação da Câmara Municipal de Coimbra com a Escola Superior Agrária de Coimbra, através de uma espécie de “arqueologia dos saberes”, resgata gestos fecundos e paisagens produtivas: uma leira cultivada é um universo de potencialidades inumeráveis.

Amanhã comemora-se o nascimento de Charles Darwin. O célebre naturalista inglês ficaria, seguramente, encantado com o destino profícuo que é dado agora aos terrenos baldios na cidade de Coimbra.
(Hoje, 11/02, no Jornal de Notícias)

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9.2.09

2-3


Apesar do choque inicial, recupero. O abismo é quase uma certeza a despedaçar-nos o corpo, digerimos o estrondo na esperança possível da vitória, de uma coisa qualquer que afaste de nós o cálice do fracasso. Eu acredito, eu ainda acredito. Eu quero ser campeão. Eu ainda quero.

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8.2.09

O diabo e a carne

A perda é um fim de mundo, descrita como a história possível que deixou de o ser. Aquiles deste lado da muralha há-de surgir e desbaratar o que resta de um sonho - não esquecereis, de resto, que sou loiro como o Pelida.

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Double art

Taught as we are to read and write in early childhood, we hardly realize the place this wondrous double art fills in civilized life, till we see how it strikes the barbarian who has not even a notion that such a thing can be. John Williams, the South Sea Island Missionary, tells how once being busy carpentering, and having forgotten his square, he wrote a message for it with a bit of charcoal on a chip, and sent this to his wife by a native chief, who, amazed to find that the chip could talk without a mouth, for long afterwards carried it hung by a string around his neck.
(Edward B. Tylor, 1881, Anthropology, pág.167)

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7.2.09

Yours very sincerely

Every action has a consequence.

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6.2.09

O café

«O café», por costume preto e queimado, há-de servir para tudo, até para inquietar os homens e abandoná-los à desgraça - que o diga Fassbinder, o expedito R.W., que de um dia para o outro arrancou das meninges a peça homónima depois de tresler o Goldoni, Carlo. Hei-de morrer fiel à bica (e a Cristo na cruz), ao espresso, como dizem agora os intelectuais e as sopeiras (com curso superior de Psicologia) de Loures, ao cimbalino das tripas; em suma, à chávena cambuta de porcelanosa. Contudo, e afirmo-o prodigamente, sem dores de peito ou neurastenia, gosto «assaz» (mesmo muito, bué) de um mocca tall para llevar da multinacional americana de cafezes que, recentemente, abriu portas em Alfragide e Almada*.
*No «Chiado» ainda não têm esse «estabelecimento» - parolos de merda.
O Café de Rainer Werner Fasbinder - Direcção de Nuno M. Cardoso
Teatro Nacional de São João, Porto - de 6 a 22 de Fevereiro

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5.2.09

Passeio Público

(Do Choupal até à luta)

Não matem a mata (do Choupal). Eis um bom slogan (apesar daqueles “matem” e “ mata” quase consecutivos: parecem berlindes a rolar na boca), uma “punchline” que condensa maravilhosamente bem a disposição da luta que se excita contra mais um insulto a Coimbra. Refiro-me, evidentemente, ao licenciamento do novo percurso do IC2, de consequências sombrias para um dos “pulmões” da cidade.

O novo traçado do IC2, recentemente aprovado pelo secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, exige a construção de um viaduto localizado entre a Ponte Açude e a ponte ferroviária. Foram sete os organismos oficiais (ICNB, INAG, IGESPAR, INETI, CCDRC, CCDRN e APA - Agência Portuguesa do Ambiente) que integraram a Comissão de Avaliação do impacte ambiental da ponte, e a conclusão retirada dos estudos efectuados confronta radicalmente a decisão de Humberto Rosa: uma nova ponte sobre o rio Mondego e Choupal terá efeitos prejudiciais e definitivos sobre os recursos hídricos, o meio sonoro, a matriz vegetal e as rotinas dos que usam diariamente o precioso espaço verde como zona de lazer e descanso.

Uma nova travessia sobre o Mondego não está, pois, isenta de sequelas dolorosas, perpetuadas na amputação de uma parte significativa do corpo do Choupal, cerca de 4 hectares de massa vegetal.

O licenciamento dessa “ponte não desejada” prefigura, de resto, uma nova experiência de “silenciamento administrativo” da cidadania em Coimbra, depois da “reorganização” da Alta nos anos de 1950 (quem disse que o reductio ad Salazorum não pode constituir um bom argumento?), depois de Souselas, depois da Cultura (com maiúscula) e de Mário Nunes.

O choupal é também um monumento, uma memória erguida da cidade, como a Sé Velha ou a Torre de Anto – e ninguém deseja a obliteração dos claustros da Sé, por exemplo. Coimbra é do Choupal, e o Choupal é (parece ser, pelo menos) de um qualquer projectista insensato. A mata de Vale de Canas desapareceu pelo fogo, a mata do Choupal desaparecerá pelo betão. Coimbra do Choupal, Pardalitos do Choupal, do Choupal até à Lapa: deixem-nos ao menos isso.
(Ontem, 04/02, no Jornal de Notícias)
(Subscrever a petição “Em defesa do Choupal”)

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Da crise

Nunca a pátria parece tão atraiçoada como quando somos infelizes sem lhe poder deitar a culpa.
(Agustina Bessa-Luís, Fanny Owen, pág. 186)

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(Não) ler Ballard


Anda aí gente muito admirada com isto.

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4.2.09

Estéticas da Morte #cinquenta

O choque foi veemente – enérgico! Tchim-pam-pum! O gajo ia a abrir, o Punto todo artilhado, ai que rústico, e eu rodava na rotunda há vários meses; alas!, pode dizer-se, e eu digo, que a culpa foi inteiramente dele. Mas o jovem tinha que vir ao meu direito, uma espécie de Rambo de baixa graduação, a chamar nomes à minha mãe e até a mim, vejam lá se o cabrão merecia continuar a viver, e depois deu-lhe para dizer que fazia e acontecia e que me matava com pancada. Eu calado, a boca inacessível numa gaifona de volúpia. Furtivo, levei o dedo ao gatilho: atirei aos pneus, como costuma fazer a polícia em perseguições na têvê e na Cova da Moura. Azar, ricochetes e acasos, a mão do Inimigo*, sei lá: acertei, puf!, não no pneu, mas na cabeça do parolo. Como costuma fazer a polícia em perseguições na têvê e na Cova da Moura.

* Valha-me o Bom Jesus do Monte, o São Torcato e o São Bentinho da Porta Aberta.
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3.2.09

Freeport

Não é o silêncio que se faz ouvir. Excita-se o nó da ferida. A pele cheira o movimento das águas: cessam de uma vez as conversas de circunstância. A solidez impermeável do alcatrão rebela-se a favor dos automóveis. A injustiça é uma das mitologias da submissão.

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1.2.09

Farinelli & Carestini

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