<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d5676375\x26blogName\x3dD%C3%A6dalus\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLUE\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://daedalus-pt.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://daedalus-pt.blogspot.com/\x26vt\x3d-8110302918440701225', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>

14.11.08

Estéticas da Morte #quarenta

Foi quando o outono se descamisava numa fúria derradeira de velho inconsolável - disso, eu lembro-me bem. Um graduado do exército, de pança farfalhuda e bigode anafado, solicitara-me um ou dois orgãos essenciais (não para si, mas para uma filha enfermiça e pouco bonita), talvez o coração e as vísceras menos nobres, que, sem grande vontade ou especial prazer, lhe concedi em troca de duas notas reluzentes. Não me julguem estúpido, porém. Os meus ventrículos continuaram a ser meus: exigi um hiato de quinze anos entre a data de celebração do contrato e a data de entrega de tão importante mobiliário.
Os anos passaram, um após o outro - geralmente é o que acontece e desta vez, para não variar, aconteceu outra vez assim - e, um dia, o graduado reclamou o que era seu. Eu, desmemoriado e um pouco bêbedo, fui apanhado de surpresa e sem uma única garrafa que me fizesse esquecer (um pouco mais) o gesto com que cavara a minha própria sepultura. O esquecimento, julgo, é uma forma de salvação. Porém, o militar não tinha esquecido o que eu lhe prometera e, por via de alguma persuasão e de um número excessivo de agentes da polícia, obrigou-me a cumprir a lei e a trespassar-lhe, finalmente, as doces vitualhas do meu peito e ventre.
Fui chamado, obedeço. Eis o meu corpo, tomai-o e dele fazei nada.

Etiquetas: