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26.2.10

Zoofilia, poliândria e outros problemas sentimentais

Dois jovens de Matsinho, Gondola, centro de Moçambique, foram apanhados pela polícia a manter relações sexuais com uma cabra. O caso está em tribunal. O proprietário da cabra, segundo fonte familiar, exige o casamento e que os jovens sejam condenados a ressarcir os danos causados à cabra, além de terem de pagar "lobolo", um ritual tradicional que reconhece a união marital e segundo o qual o homem compensa a família da mulher. O tribunal distrital de Gondola deverá julgar os jovens num processo sumário ainda este mês.

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24.11.09

O livro



(When on board HMS ‘Beagle’ as naturalist, I was much struck with certain facts in the distribution of the organic beings inhabiting South America, and in the geological relations of the present to the past inhabitants of that continent. These facts, (…) seemed to throw some light on the origin of the species – that mystery of mysteries.)

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11.10.09

Eleições Autárquicas

À luz de qualquer critério possível, razoável e justo, as bactérias são, e sempre foram, a forma de vida dominante na Terra.
(Stephen Jay Gould, Full House, pág. 211)

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12.2.09

Carlitos Darwin: o darwinista relutante #4

Charles Darwin nasceu a 12 de Fevereiro de 1809 em Shrewsbury, Shropshire, Inglaterra. Darwin é, para além de Albert Einstein, o cientista mais reconhecido pelo público interessado, mas não especializado, nos meandros da ciência. Ilustrado numa nota de £10, Darwin é convocado de forma banal à intimidade dos Britânicos. No âmago rural dos Estados Unidos da América – no famigerado Bible Belt – reservam-lhe, não poucas vezes, o estatuto de apóstata e herege, de “capelão do demónio”, como o próprio referiu uma vez de forma trocista. Em Portugal, ou é ignorado ou é considerado de forma fragmentária, parcial e preconceituosa. Não obstante, a vida e o trabalho de Charles Darwin, quando são conhecidos, são usualmente limitados ao seu opus magnum, a Origem das Espécies.

A verdade é que existe um Darwin para além da Origem: no início um menino rico, esbanjador. Às vezes cientista. Uma odisseia fulcral e transformadora no pequeno Beagle. Uma carreira científica ímpar e subversiva como geólogo, primeiro, e como biólogo, depois. Uma família amada em crescendo geométrico (a invectivar o inspirador Malthus?). Amizades sinceras, outras nem tanto. Doenças, muitas doenças, e amargura.

Quem foi então este Charles Darwin, desconhecido? Acomodo, naturalmente, os seus feitos científicos no contexto da Inglaterra do período vitoriano: em plena revolução industrial, dickensiana. Se é verdade que o estatuto social e económico da família Darwin permitiu que o jovem Charles tivesse uma educação privilegiada (Universidade de Edinburgo, Universidade de Cambridge), com dedicação total aos estudos e todas as benesses inerentes a uma situação económica desafogada, tal não supõe de forma directa que num único homem, apenas, se combinaram todos os factores necessários para desenvolver a ideia de evolução. Como afirmam os autores, em Darwin sucedeu uma combinação de experiência a bordo Beagle, imaginação, liberdade para trabalhar e, talvez o mais importante, a influência de uma forte tradição familiar de interesse e capacidade científicas. Diga-se, no entanto, que um Alfred Russel Wallace sem educação formal e provindo de um estrato socioeconómico carenciado, amarrou ideias a partir dos seus próprios dados e forjou uma teoria similar à de Charles Darwin. Por outro lado, John MacGillivray, o ébrio e dotado naturalista do HMS Rattlesnake, com um background social e percurso científico semelhantes aos de Darwin, não destinou quaisquer implicações evolutivas aos dados que foi recolhendo nas suas viagens. Portanto, o social não influencia definitivamente e em exclusivo a produção científica de excepção. Penetrando em terrenos movediços, arrisco falar em criatividade singular, em uma centelha de genialidade de Darwin.

Na relação com a família, com o pai e com o seu irmão e depois com a esposa e os filhos, a preocupação maior de Charles parece ter sido a de assegurar a estabilidade – emocional mas também financeira – aos seus e a si mesmo. Estabilidade e segurança perdidas em momentos como a morte da sua mãe ou da sua filha Annie. O amor que devotou a Emma Wedgwood, a cristianíssima esposa, terá mesmo influenciado de forma decisiva o protelamento da divulgação das suas ideias evolucionistas. Darwin foi resguardando as suas concepções heterodoxas, pelo menos 20 anos se passaram entre as primeiras letras demoníacas e a carta de Alfred Russel Wallace, que acelerou a célebre conferência da Geological Society em que os dois cientistas, em jargão críptico, disseram que não havia mão de Deus sobre as criaturas, que era tudo obra do acaso, do tempo e da selecção natural. Esmagado pelo seu trabalho herético, Charles demorou a confiar as suas ideias a outros colegas. Escolheu Charles Lyell que, para enorme tristeza de Darwin, nunca aceitou completamente a teoria da evolução. No entanto, as suas relações com John Hooker e T.H. Huxley, por exemplo, valeram-lhe, não só duas amizades perenes, como o solícito auxílio de dois convictos sequazes, no dealbar das perenes lutas entre criacionistas e evolucionistas.

Evoco a imortal jornada de Charles Darwin a bordo do Beagle. O próprio Darwin reconheceu o carácter revolucionário e transformador que a viagem operou no seu pensamento acerca da natureza e origem das espécies:

When on board HMS ‘Beagle’ as naturalist, I was much struck with certain facts in the distribution of the organic beings inhabiting South America, and in the geological relations of the present to the past inhabitants of that continent. These facts, (…) seemed to throw some light on the origin of the species – that mystery of mysteries.

Para além da colecta de dados essenciais à formulação de uma teoria válida da evolução, a viagem do Beagle ajudou Darwin a cimentar uma reputação científica junto da intelligentsia inglesa. Dos milhares de páginas de apontamentos e da colecção sistemática de especímenes geológicos, botânicos e animais resultou um trabalho de consolidação académica – em áreas científicas “ortodoxas” – que seria fundamental para a construção da imagem de Darwin enquanto sábio e, portanto, para a legitimação das suas ideias revolucionárias. Isso mesmo, revolucionárias – e das “melhores”.

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Carlitos Darwin: o darwinista relutante #3

O Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida, e o homem transformou-se num ser vivo.
(Génesis 2:7)

Light will be thrown on the origin of man and his history.
(Charles Darwin, 1859, On the origin of the species by means of natural selection)

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21.1.09

Carlitos Darwin: o darwinista relutante #2


Como nos tornámos humanos?
Ciclo de Conferências DARWIN: No Caminho da Evolução
21/01/2009, 18h00, Auditório 2
Eugénia Cunha - Universidade de Coimbra

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13.1.09

Carlitos Darwin: o darwinista relutante #1


2009. 200 anos depois, 12 de Fevereiro. 150 anos depois, 24 de Novembro. Charles Darwin. Menino rico, esbanjador. Às vezes cientista. Isto foi o início. Depois veio a viagem, o terramoto e as Galápagos; dois livros fulcrais e nenhum deles era a Bíblia. Uma família em crescendo geométrico (a invectivar Malthus?). As doenças, o estatuto como geólogo. Depois como biólogo, graças às insignificantes cracas. Sabiam que o seu livro mais lido, isto é, enquanto ainda vivia, foi Earthworms e não a Origem? Que lhe morreu a filha mais querida? Que ele via na própria pele - nas suas próprias alergias e dores de estômago - e na dos filhos a acção da selecção natural? Teve amigos, bons amigos. Que concordaram com ele, que eram mais darwinistas que Darwin. Excepto o velho Lyell. Esse morreu e foi para o céu. Um dia recebeu uma carta de Wallace, o outro, que ninguém ou quase ninguém conhece, mas que, vindo de baixo (não era rico nem esbanjador: a mostrar que não é o social que influencia definitivamente a produção científica), concatenou ideias e chegou ao mesmo resultado que o Carlitos. Só que este tinha receio, mais por Emma que por si, e foi resguardando as palavras heréticas, pelo menos 20 anos se passaram entre essas primeiras letras demoníacas e a carta de Alfred Russel Wallace, que espoletou a célebre conferência da Geological Society. Em que os dois, em jargão críptico, disseram que não, que não havia mão de Deus sobre as criaturas, que era tudo obra do acaso e do tempo. Wallace afastou-se, tornou-se místico. Darwin continuou, sempre.

Humanos?
Qual a diferença,
a ínfima dobra,
que faz a diferença?
(Luís Quintais, Mais espesso que a água, pág. 101)

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21.9.07

The last Neanderthal [cont.]


Uma nota positiva: não jogaremos com a França. Os franceses têm um jogador chamado Sébastien Chabal que é interessante na medida em que, não sendo um intelectual, desmentiu categoricamente Charles Darwin. Chabal anda a evoluir ao contrário desde que nasceu, em 1977. Começou como Homo sapiens sapiens [há fotografias que o comprovam] e, num espaço de 30 anos, está feito um Homem de Neanderthal. Trata-se de um indivíduo que, no Torneio das 6 Nações de 2010, se apresentará, com toda a certeza, já na qualidade de gorila.

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18.9.07

The last Neanderthal



[Sébastien Chabal aka The Caveman]

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19.3.07

Darwinismo vs. criacionismo


O problema maior, julgo, nem será leccionar o criacionismo nas escolas como alternativa ao ensino da ciência - ou melhor, ao ensino da teoria da evolução. Em Portugal, o ensino do darwinismo ou não existe ou é residual: confina-se às universidades [e aos cursos de ciências biológicas] e no secundário é relegado para o final do programa do 12.º ano*. Isto é, a maior parte dos alunos portugueses não tomam sequer um contacto fugaz com a teoria de Charles Darwin. Não podem, pois, confrontar os argumentos criacionistas com os de Darwin porque simplesmente não sabem o que é a evolução biológica das espécies.
*Há dias fui falar a uma escola secundária de Coimbra sobre a história filogenética da humanidade. O público-alvo limitava-se aos alunos do 10.º, 11.º e 12.º ano. Alguns dias antes da "prelecção" as professoras pediram-me para, e cito de memória, não falar de evolução, de Darwin ou da selecção natural porque os alunos ainda não sabem o que isso é.

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8.3.07

A resiliência fugaz dos ratinhos do campo perante os gatos rafeiros europeus: uma hermenêutica darwinista

Um sismo na Baixa mobilizou-me as pernas, dispersou-me a mente e desligou a corrente a eléctrica. Este post acabou por não ser escrito. As minhas sentidas desculpas ao improvável leitor.

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11.4.06

Darwinismo antes de Darwin

Muito antes de Darwin embarcar no Beagle já S. Francisco de Assis tratava os animais como seus irmãos, reconhecendo-lhes uma origem igual à sua.

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31.3.06

Os papéis de Darwin


No interior de um livro de Charles Darwin, pertencente à biblioteca do Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra, encontrei uma interessante nota, escrita por uma, auto-definida, anónima:

"Amo-te! Mesmo anónima. Escondida. Fingida. Amiga. Conhecida. Simulada. Inventiva. Ocultada. Disfarçada. Amo-te pelo que és! Amo-te pelo que me dás! Amo-te pelo que me tornaste!"

Sou darwinista convicto mas era incapaz de escrever um bilhete assim ao naturalista inglês.

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2.2.06

Neanderthals 'r' us




Em Agosto de 1856, três anos antes da publicação de On the origin of the species by means of natural selection de Charles Darwin, alguns trabalhadores de uma pedreira localizada na Gruta de Feldhofer, no vale de Neander (Neander Thal, em alemão antigo), perto de Dusseldorf (Alemanha), encontraram um conjunto de ossos humanos, que constituíram posteriormente o holótipo da primeira espécie humana fóssil a ser identificada, o Homo neanderthalensis ou Homo sapiens neanderthalensis.

Em diversos locais arqueológicos Europeus, a transição entre as ocupações Mousterienses/Neandertais e Aurinhacences/Cro-Magnons foi relativamente abrupta, sugerindo que a substituição ocorreu rapidamente, em algumas décadas ou séculos. Estes dados fortalecem a ideia, postulada pelos prosélitos da Teoria Out of Africa 2, que preconiza a substituição dos Neandertais devido à sua incapacidade de competir culturalmente com os seus sucessores modernos.

Não obstante, a concepção da improficiência dos Neandertais no sentido de se comportarem “modernamente” enferma de um factor debilitante que dá pelo nome de Chatelperronense. Esta tradição artefactual, com cerca de 40 mil anos, provém inteiramente de sítios arqueológicos Franceses e Espanhóis, como Quinçay, Arcy-sur-Cure, Saint-Césaire, Le Piage, Roc-de-Combe (França), Ekain, Labeko Koba, Cueva Morín e El Pendo (Nordeste de Espanha). Nos poucos locais onde foram recuperados restos humanos associados ao Chatelperronense - Saint-Césaire ou Arcy-sur-Cure – apurou-se que esta indústria foi desenvolvida por Neandertais. As concentrações artefactuais Chatelperronenses caracterizam-se pela combinação de denticulados e raspadores Mousterienses com numerosos artefactos característicos do Modo IV (Paleolítico Superior). Em Grotte du Renne (Arcy-sur-Cure, França) resgataram-se diversos artefactos pétreos acompanhados por objectos finamente manufacturados em osso, utilizados como ornamento pessoal. Alguns autores consideram que o Chatelperronense reflecte uma difusão cultural em que os Neandertais/Mousterienses imitaram as indústrias Cro-Magnons/Aurinhacences, antes de sucumbirem completamente. Outros, porém, observam demasiadas inovações no Chatelperronense para considerarem este como uma mera emulação do Aurinhacence. Não existe uma resposta definitiva a este dilema. O Chatelperronense permanece como um puzzle difícil de destrinçar e cuja solução seria importante para o aclaramento das origens do homem moderno.

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6.9.05

A propósito de festejados regressos

“Light will be thrown on the origin of man and his history”

[Charles Darwin, 1859, On the Origin of the Species by Means of Natural Selection or
The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life
]
p.s. Inconcebível país em que o livro mais importante depois dos textos sagrados não tem, simplesmente, uma única tradução vertida para português de Portugal. Faltam quatro anos para o bicentenário do nascimento do naturalista inglês.


pps. Afinal existe pelo menos esta tradução.

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8.7.04

Castrati?

Uma amiga, moída e cumulada de olheiras, dizia-me ontem que ia mandar castrar o siamês que, involuntariamente arredado das lides de conquista ateadas pelo cio, busca a vindicta nos móveis do apartamento ao mesmo tempo que proclama a plenos pulmões a sua desditosa condição de celibatário. Disse-lhe eu que tal procedimento é, no meu entender, de uma violência inaudita para o pobre animal, que o extirpa das únicas ferramentas que dão algum sentido à sua miserável vida. Afinal a malta anda cá para sobreviver e se reproduzir [entre outras coisas, mas pensem bem: é um gato!, não sabe ler, não pode ir ao cinema…]. Pelo menos a julgar pela exegese de Darwin e dos seus seguidores, entre os quais eu orgulhosamente me incluo. Ainda por cima o gatito ainda é virgem, id est, nunca gozou as delícias proporcionadas por um corpo de semelhante numa frescal noite de Janeiro. Indecência dupla. E os direitos dos animais?, atirei ainda, a matar. Mas quais direitos?!, esse tinhoso não me deixa dormir, sempre a miar a noite toda, revoltou-se a minha amiga. Com uma pontinha de ironia, exauri a homilia: Então corta-lhe a língua, faz-lhe menos falta que os tintins!

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