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8.4.11

Our big crisis

7.3.11

Isto tudo é o quê?

Não devemos perder tempo com o que se passa à nossa volta, com o que nos toca nesta geografia da revolução. O que se passa à escala de uma vida não tem muita importância, afirmou Levi-Strauss - como sempre, lúcido e sagaz. Este tempo cheio não nos pertence, aos académicos que sobrevivem em areias pacíficas de praia. Ainda vão nascer os que nele se hão-de construir com lama, sangue e perspiração.

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12.2.11

Passeio Público

{Antes da morte}

O pior da vida é que se morre. Mais tarde ou mais cedo morre-se – podemos dizê-lo com a segurança rigorosa de que carecem, por exemplo, os dogmas religiosos ou os orçamentos da nação. Claro que morrer é um passo definitivo lógico, se pensarmos na vida como um ciclo fixo e predeterminado: vivemos, logo morremos. Mas chega de falar da morte, desse local inabitado. Falemos do que vem antes: das alegrias e das misérias, dos poros descerrados pelo sol, das cesuras deste vale de lágrimas.

O que vem antes. Satisfação, sofrimento. Apesar da possibilidade do apocalipse económico, parece-me óbvio que merecemos mais a primeira (a satisfação) que o segundo (o sofrimento). A felicidade não é obrigatória mas devia ser pelo menos uma opção. Para muitos, infelizmente, é apenas uma palavra.

Toda esta elucubração (confesso: um pouco negra) teve origem numa única – e terrível – notícia: “a fome (é mesmo esta a palavra) aumenta nas escolas de Coimbra”. O relato jornalístico não esclarece se esta “fome” é como a “fome em África” ou, de qualquer modo, se está relacionada com a ideia que nós, ocidentais sobrealimentados, temos do que é a “fome em África”. Julgo que não é desse flagelo que se fala, quando se fala de “fome” em Coimbra – mas de outra coisa, quase tão grave como as multidões de subnutridos: fala-se de condições de vida miseráveis, com tendência para piorar.

Onde os políticos vêem uma estatística, nós devemos ver um desastre. Uma criança que necessita de uma refeição escolar para não ter “fome” é um bramido de tristeza; não é um número numa tabela estatística. Representa um país apodrecido – incapacitado pela ganância e pela burrice. Mais interessante que as faces condoídas e mais urgente que a esmola piedosa é a mudança de paradigma económico e social.

{Sexta-feira, 11/02 no Jornal de Notícias}

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29.10.10

Apocalipse de João

Os seus pés pareciam de bronze incandescente no crisol, e a sua voz era como o fragor de águas torrenciais.

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20.10.10

Juramento de Hipócrates

Pior do que a automedicação é a automedicação que resulta.

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9.10.10

Caseiro

É engraçado, ou apenas estúpido (eu acho que é isto), mas «todas» as novelas da TVI dão espaço a pelo menos uma peixeira com inflexão de «Lesbôa» e a um par de «caseiros», ribatejanos das lezírias (o mais das vezes), gente esforçada e honesta mas cuja vida nunca corre demasiado bem. Nada de mais: o enredo ganha mais mostrando essa nossa valente gente, com correcção etnográfica, que fala a santinhos e vive em casas modestas, e nem descura a camisa de flanela aos quadrados - paramento de lei nas vilas provinciais deste nosso rico país. Há já algum tempo que vou ficando, também, mais «caseiro» - pese embora o sobejo da circunvizinhança cultural -, não sei se por inveja dos mais velhos ou por despeito para com os mais jovens. É preciso guardar as conveniências, bem como a saúde, talvez «sonhar com a cauda de um lagarto». Não é necessário reconhecer a alusão.

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8.10.10

Cobertura vegetal

Um dia tinha que acontecer: a chuva regressou, tal como a crina sensata do vento, mas não há quem a receba condignamente.

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7.10.10

Scienza nuova

As pessoas parecem felizes - o FB é só dentes - mas, da maneira que isto está, não há tesão que dure. O certo é que, em todo o caso, e apesar da escuridão que suprime o horizonte, não há quem produza uma solução radical, uma purga ecuménica, que deixe apenas escombros e memórias do que isto é - do que isto foi. Eu não seria mais «feliz» numa «sociedade nova» nem, certamente, mais «adaptado», mas (depois da «grande nivelação») talvez as pessoas - os possessos dos subúrbios - não tivessem que fingir, a todo o custo, que são «felizes» e «adaptados», como sombra de toiro em tarde de lezíria.

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13.8.10

Et in arcadia

Iam a eles as criancinhas – agora não, que não o permitem as convenções e a lei – e as moças em idade de morrer, e uma ou outra carmelita com a vocação desfocada. Eram grandes entre os mais pequenos, admirados pela sua sabedoria parca mas eficaz. O seu mundo caía bem cedo na noite, terroso, a picar como o cacto – ninguém percebia o que faziam mas os males apareciam mortos.

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30.7.10

Freeport, Casa Pia & outros monstros do tempo


É natural que os casos mais depressivos do Direito aconteçam sempre duas vezes, uma na literatura e outra em Portugal. «Bleak House» foi escrito pelo demigod Dickens há quase 160 anos e o torpor negro que perpassa o livro (que deveria ser de leittura obrigatória em qualquer curso de Direito) vem-se repetindo nos tribunais portugueses ao longos dos últimos anos, sem sobressaltos ou enfados - como se normais fossem a dilação e a incompetência.

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7.7.10

O «cabelo à sardão» é potencialmente emancipatório

18.6.10

A treta é uma categoria sociológica

Se calhar a sociologia é uma treta, como a antropologia e a medicina ocidental. O mundo é demasiado pequeno para que lhe dêem tanta atenção - alguém deveria dizer isto com todas as l-e-t-r-a-s, uma gaja com tomates, um burro falante, qualquer coisa com meio palmo de cérebro. Desdenhar o essencial, abraçar o supérfluo, foder e depois morrer. Ou o contrário.
As fórmulas são (hão-de ser sempre) uma náusea.

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6.5.10

A idiotice

Et incarnatus est.

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3.5.10

Na estrada de Damasco

Sou filho do filho - de novo - apesar dos lobos que ainda esperam o extermínio.

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22.4.10

Não respondas ao insensato segundo a sua loucura

Talvez seja de bom tom começar pela leitura de «The anatomy of melancholy», de Burton. Depois, não lhe fará mal ler uma summa das obras de Freud, as «Confissões» de Santo Agostinho e Provérbios 26:27. Terminará com a leitura integral do proveitoso DSM-IV - aqui recomendo a ajuda de um profissional.
Não é vã ou insensata a força que assim nos aconselha.

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10.3.10

Fementido

As mães devolvem os filhos ao mundo,
aviltam a imediação de todas as
mortes – o propósito cruel do seu carrego

(de quarenta e duas semanas, às vezes menos).
Ando aqui a pensar nisto, neste rompimento
em falta, e entretanto alguma ciência há-de surgir.

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26.2.10

Zoofilia, poliândria e outros problemas sentimentais

Dois jovens de Matsinho, Gondola, centro de Moçambique, foram apanhados pela polícia a manter relações sexuais com uma cabra. O caso está em tribunal. O proprietário da cabra, segundo fonte familiar, exige o casamento e que os jovens sejam condenados a ressarcir os danos causados à cabra, além de terem de pagar "lobolo", um ritual tradicional que reconhece a união marital e segundo o qual o homem compensa a família da mulher. O tribunal distrital de Gondola deverá julgar os jovens num processo sumário ainda este mês.

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23.2.10

Sentido de estado

Agora com curiosidade, movo-me paralelamente às suas palavras, ouvindo mais do que interpelando, esperando dessa forma que o meu destino se ligue finalmente a um monólogo trágico.

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17.2.10

Ashes Wednesday

Acabou a tristeza.

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15.2.10

Passeio Público

(Cadeia de fatalidade)
Morre-se e sofre-se anonimamente, nos interstícios recônditos dos hospitais ou dos lares, no vago rumor do mundo. As imagens da morte massificada, como as que vimos recentemente no Haiti, são, devido à sua profusão mediática, menos chocantes que a morte do indivíduo próximo, que é relegada para uma zona inatingível de escuridão. As sociedades modernas e assépticas aboliram a morte e o sofrimento públicos – apesar das câmaras de televisão e dos relatos objectivos dos jornais. Resta-lhes o teatro amargo da toxicodependência como eficaz mitografia da ruína: o homem aceita a penumbra, as mães devolvem os filhos ao restolho, o corpo declina no silabário do horror.

A presença da morte na erma constelação da toxicodependência parece insolúvel, e difícil de ocultar. Não precisamos de rever velhos episódios de “Miami Vice” (ou os novos episódios da extraordinária série da HBO “The Wire”, actualmente em exibição no canal MOV) para evocar as tragédias relacionadas com a droga. O inimigo há muito que penetrou as muralhas da cidadela e, apesar de clandestino, não é propriamente invisível.

O fenómeno mediático da toxicodependência recrudesceu em Coimbra. No último mês morreram pelo menos nove pessoas na cidade, possivelmente devido ao consumo de droga adulterada. O número pode até ser maior, se se confirmar a interdependência destas mortes com outras ocorridas em Leiria e Mealhada. Ainda é muito cedo para afirmar definitivamente a causa de tantos óbitos quase simultâneos mas, independentemente dos resultados das autópsias, parece óbvio que a toxicodependência é o mínimo denominador comum desta cadeia de fatalidade.

Apesar da calmaria aparente, o fenómeno da toxicodependência reveste-se de uma gravidade desproporcionada – testemunhada enfaticamente por esta dezena de mortes. Existe, aliás, uma sensação vaga de que a realidade talvez não seja tão indulgente como a temos imaginado: no Bairro do Ingote, por exemplo, tem sido identificada uma “nova vaga” de consumidores, com um perfil distante da imagem paradigmática do toxicodependente desempregado, sem-abrigo e com vários anos de consumo.
(Sexta-feira, 12/02, no Jornal de Notícias)

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