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8.4.07

Estéticas da morte #vinte

Sandro Micael concebeu o Gólgota num monte abandonado, propriedade dos Oliveiras [esquecida família que nos idos de 1960 havia emigrado para Paris de França]. Agora, o monte era apenas um deserto de silvas, tijoleira e sardaniscas, arredado das últimas casas frequentadas por gente de duas pernas. Sandro crucificou o Chichas, um dos gatos da família, eram exactamente 12 horas. O dia: sexta-feira santa [sabia-o porque de manhã o pai tinha ido buscar as redes ao remansoso Guadiana. E isso queria dizer apenas e só uma coisa: o almoço ia ser caldeirada de peixe do rio, o prato costumado da peculiar sexta-feira em que os homens mataram pela primeira vez um deus]. Às 15 horas, o pequeno centurião trespassou o Chichas com uma faca de cozinha. O gato, que estava vivo ainda há um minuto, deixou de o estar. Vivo, entenda-se. Sandro rapidamente se transfigurou: uma mulher no meio das mulheres que amortalharam o corpo do crucificado. Depositou o cadáver num buraco esquecido pelas silvas e esperou. Três dias, Domingo de manhã. O gato, o Chichas, continuava morto. Cheirava a gato morto, até. Cheio de formigas e outras bichezas. Estava tudo enganado: a mãe, a Joana [catequista, a estudar para professora em Évora], o senhor Padre Joel e o livro sobre os Egípcios que dizia, a páginas tantas, que os gatos eram deuses. Aquele não, aquele cheirava mal e agora só se mexia quando Sandro Micael lhe apontava um pontapé fortuito, assim a modos que para esconjurar a experiência falhada ou, quem sabe, para afastar as malditas formigas.

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8.3.07

A resiliência fugaz dos ratinhos do campo perante os gatos rafeiros europeus: uma hermenêutica darwinista

Um sismo na Baixa mobilizou-me as pernas, dispersou-me a mente e desligou a corrente a eléctrica. Este post acabou por não ser escrito. As minhas sentidas desculpas ao improvável leitor.

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5.2.07

Relambório

Por nada, diga-se. É uma palavra maior, de acento no o. Só por isso e por nada mais. Minto. Porque sou eu e porque me faz lembrar os gatos do Aquilino.

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13.12.06

O gato pequenino que gostava de uma andorinha negra que gostava de um gato pequenino [prólogo]

Havia um gato pequenino que gostava de andorinhas negras. Havia uma andorinha negra que gostava de gatos pequeninos. Havia um gato pequenino que gostava de uma andorinha negra que gostava de um gato pequenino. Havia um gato pequenino que gostava de casar com uma andorinha negra que gostava de casar com um gato pequenino. Havia um corvo grande que achava que um gato pequenino não podia ser feliz com uma andorinha negra e que uma andorinha negra não podia ser feliz com um gato pequenino. Havia um corvo grande que achava que um gato pequenino não é da mesma natureza que uma andorinha negra e que uma andorinha negra não é da mesma natureza que um gato pequenino. Havia um gato pequenino que não achava assim. Havia uma andorinha negra que não achava assim. Havia um gato pequenino que gostava de uma andorinha negra que gostava de um gato pequenino.

Há alguém que acha que eles vão ser felizes se.

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30.9.06

Waiting for the sunset


[Borges e Beppo]

Beppo
O gato branco e solitário vê-se
nessa lúcida lua de algum espelho
e não pode saber que tal brancura
e esses nunca vistos olhos de ouro
são, afinal, a sua própria imagem.
Quem lhe dirá que o outro que o observa
é apenas um sonho desse espelho?
Eu penso que esses gatos harmoniosos,
o do mais quente sangue e o de vidro,
são simulacros que concede ao tempo
um arquétipo eterno. Assim afirma,
sombra também, Plotino nas Enéadas.
De que Adão anterior ao paraíso
e de que divindade indecifrável
somos nós, homens, um quebrado espelho?

[Jorge Luis Borges, A cifra]

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13.5.04

Mortal combat 1

O sol ainda mal começara a decair e a tarde, de infinita complacência, teimava em demorar-se quieta. Eu sabia, de reparo anterior, que os ninhos eram três: dois no silvado, empoleirados nas forquilhas dos loureiros, e um na vinha, rescendendo o odor açucarado da parreira. Todos tinham criação, denunciada pela azáfama procriadora das aves adultas, melros pretos. A minha óbvia inquietação escorria de fonte felina, os gatos da casa sabiam, há mais tempo que eu, o manjar que se acoitara por ali. Mesmo quando de barriga farta, o gato doméstico [que, para mim, é quimera. O gato continua selvagem e livre, não é como os cães que venderam a alma em troco de uma côdea de pão] não perde uma oportunidade de se divertir com rataria, hordas de insectos e passarada que com ele têm o azar de se cruzar. Apesar de Darwinista ferrenho não ia deixar que a turma traiçoeira se deleitasse com aquelas aves imberbes, ainda mal amanhadas de penugem e a tiritar de frio quando os pais se ausentavam para procurar papinha. [Continua]

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