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29.6.08

The L word

That's it. Just the L word.

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Mostly cloudy

He remembered the books of poetry upon his shelves at home. He had bought them in his bachelor days and many an evening, as he sat in the little room off the hall, he had been tempted to take down from the bookshelf and read out something to his wife. But shyness had always held him back; and so the books had remained on their shelves. At times he repeated lines to himself and this consoled him.
(James Joyce, Dubliners, pág. 49)

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27.6.08

Fisterra


There is nothing there except the end of the world, escreveu a Anne Carson. Não é coisa pouca, o fim do mundo (as suas estranhezas de bruma e pedra, os gritos viúvos das gaivotas). A perdição mítica da costa. A desolação incerta do cinzento bastardo. Sabíamos, portanto, que o lugar é uma mentira mas o que importa é a viagem e não o destino - por isso fomos.

Porque é que os peregrinos preferem o exílio? Porque as coisas só se encontram se estiverem em movimento.

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O prémio

«O leitor de poesia pode, e até é desejável que tal suceda, confundir-se com o contrutor de uma casa, na medida em que aquele que habita é também alguém que constrói, preserva ou, na mais humilde das versões, evita a derrocada.»

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26.6.08

Passeio Público

(De volta)

Finalmente, a cidade respira. Olha em frente. Arregimenta-se (é o que espero e desejo) em torno de um desígnio maior e avassalador. O projecto de candidatura da Universidade de Coimbra (UC) a Património Mundial da Unesco conheceu recentemente um impulso, categórico e resoluto, do Governo português. O primeiro-ministro José Sócrates, para além de avultar o contributo de um desígnio deste género para o sucesso económico da cidade, da região e do país, caucionou uma verba de 20 milhões de euros (a incluir no PIDDAC) que será empregue em três intervenções estruturantes na Alta de Coimbra e que constituem um indispensável sustentáculo da candidatura.

Desse modo, a edificação da nova biblioteca da Faculdade de Direito (na Casa dos Melos), o restauro do Colégio da Trindade (para nele assentar o Tribunal Universitário Judicial Europeu) e a construção do Centro de Interpretação e Divulgação da UC (no Largo dos Colégios) constituem uma porção fulcral da pretensão da Universidade, credibilizando-a e revelando toda a determinação e empenho das entidades que pleiteiam para que esta instância seja aceite pela UNESCO.

As palavras de Seabra Santos, o reitor da UC, confortaram-me, alijaram o desânimo que quase sempre me toma quando ouço falar nos “projectos” para Coimbra. É justo. O discurso exterioriza um anelo de renovação. Não só dos espaços físicos e do património intangível da cidade (as tradições académicas, a canção de Coimbra, etc.), mas também (sobretudo) da postura e da mentalidade dos habitantes da cidade. Para isso, Coimbra tem que se afastar definitivamente da sombra castradora da “velha” Universidade. Tem que reconhecer o valor do passado (obviamente) e, a partir dele, construir um novo caminho de inovação científica.

Ao contrário do que se possa pensar, a candidatura da Universidade de Coimbra a Património Mundial da UNESCO não pretende transformar a Alta da cidade num museu. Eu gosto de museus, esses depósitos de reminiscências e consagrações póstumas. Porém, os museus guardam e exibem, na sua maioria, objectos inanimados ou coisas mortas. Não se pode cristalizar uma cidade, aprisioná-la num casulo onde o destino é uma imortalidade paralisada, suspensa.

A classificação da UC como Património Mundial é uma esperança, uma presunção de futuro, apenas se trouxer de volta a cidade, uma história nova. Algo que complete uma fantasia de futuro.

(Ontem, 25/06, no Jornal de Notícias)

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E um protector solar também dá jeito #dois

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(Praia das Maçãs)

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25.6.08

Avatares de um desejo (cinco)

Depois do rama, veio o krishna. Depois deste o sidharta. E eu sei lá se vieram por esta ordem. O derradeiro (e o melhor) avatar veio há cinco anos.

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Weekly Review



Hoje, quarta-feira, 25 de Junho, pelas 18h30, na Livraria Pó dos Livros, lançamento de Os Males da Existência, com Maria Filomena Mónica e Francisco José Viegas. Estará presente o autor, Dr. António Sousa Homem.

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24.6.08

Ponte Salazar

É preciso que alguém tenha a última palavra. Senão, a toda a razão pode opor-se outra: nunca mais se acabava. A força, pelo contrário, resolve tudo.
(Albert Camus, A queda, pág. 37)

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23.6.08

Cruel vingança

A derrota com a Alemanha terminou - e falo apenas do que vejo e ouço nas televisões - com os dias imaginários que negligentemente protelaram o país. A suspensão temporária do real já era. Agora, este não-tempo só regressa, esperamos, em 2010. Mas a manhã segue, infinita e esplendorosa, sob «aquele sol com que Deus brinda o povo português com a ingénua intenção de o distrair de tanta miséria» (op. cit. José Vilhena).

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20.6.08

É de uma pessoa ficar transtornada

Amândio, com um olhar meio tresloucado (por vezes, mas eu não sei se é o caso, a miopia é a culpada), atentou no jogo da bola que se espraiava ao comprido e a preto e branco no ecrã da Telefunken, coçou o abono de família e pensou (sentimentos piedosos e edificantes): Nazis de merda, filhos da mãe! Havia de lhes dar uma grande caganeira, àqueles racistas fdp.
Terminou o jogo. Amândio, mansamente recostado nas flores azuis do sofá, havia partido já para o reverso da vida, para a margem anoitecida - para o outro lado, como costuma dizer a malta que gosta de encontrar o sentido das coisas em chavões com pouco sentido. A culpa foi dos alemães, cuspiam os filhos. Malditos alemães, reflectiu a mulher. Béu, béu, opinou o Piruças.
Posso garantir que a morte do senhor Amândio F. não teve nada a ver com os alemães. A culpa deste trágico decesso foi, e disso não tenho quaisquer dúvidas, dos portugueses – alentejanos e durienses, sobretudo tintos, disse, faceiro, o Dr. Mendes-Dutra do Gabinete Médico-Legal de Tomar e Abrantes.

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Para desenfastiar

19.6.08

Passeio Público

(Um eléctrico chamado “trólei”)

Se existe uma metáfora que desanuvie a penumbra da era em que vivemos é a do “turbilhão”: uma modernidade tomada em inúmeros caminhos (vagos e desordenados). Uma era moderna em que se perdeu o contacto com a própria modernidade. “Tudo o que é sólido se dissolve no ar”, advertia Marx. Quando é assim, o mundo esquece facilmente. Eu gosto de repetir, por tudo e por nada, a frase de Hartley: «o passado é um país distante». Logo, não vale a pena perder tempo com ele (o passado é um país distante “e não tem petróleo”, acrescento eu).

Não perdemos tempo com o passado. Azar. Desgraça. Tolice. Não tem que ser sempre assim. Não é sempre assim. O tempo e as dores que o acompanham são bons conselheiros, obrigam-nos a voltar a algum sítio. Porventura diferente, melhor. Ou pior, não vale a pena especular. O que é certo é que o passado é um país longínquo, inalcançável e sem petróleo.

Mesmo assim, no mundo e, particularmente, em Coimbra voltar ao passado é um dever e uma salvação possível. A conjuntura energética contemporânea (mas o período de crise energética é já estrutural), maculada pela subida alucinante dos preços dos produtos petrolíferos, solicita novas fontes de energia mas também o regresso a formas antigas e comprovadas de energia limpa e (relativamente) barata. Assim se justifica a recuperação de uma série de linhas de troleicarros na cidade de Coimbra.

Desde 1947 que estes autocarros, movidos a energia eléctrica, compõem parte da fauna da transportadora municipal (SMTUC). Felizmente, depois de alguns anos de desinvestimento neste tipo de transporte (quem não se recorda do lendário “7T”, para o Tovim?), os responsáveis actuais da empresa reforçam o número de linhas servidas pelos “tróleis”. Uma nova linha de troleicarros será possivelmente criada quando as instalações da SMTUC mudarem para Eiras.

Os autocarros movidos a energia eléctrica são, julgo, uma solução antiga que tem, ainda, um futuro amplo e ridente. A energia eléctrica, económica e renovável, é uma boa opção para minorar os efeitos da crise energética global. Não é ainda um indulto mas uma pena suspensa. Para além das benesses energéticas assumidas pelas novas linhas, os “tróleis” fazem-nos esquecer, também, o “dramma giocoso” de uma fantasmagoria abortada: o Metro Ligeiro de Superfície.
(Ontem, 18/06, no Jornal de Notícias)

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French Music #twenty eight

Elvis Presley - Baby let's play house

(I wanna play house with you)

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Ez 38:7

Os meus olhos esqueceram-se de ver e, como Nicanor, foram derrotados porque não respeitaram o dia do senhor. As minhas mãos deixaram de matar e, como a gente de David em Gabaon, perderam nove dedos. As minhas pernas comeram a terra e, como o justo entre os homens, cansaram-se à espera de auxílio. A minha boca começou a falar e, como Jeremias, revelou cinco lamentos.
Filho do homem levanta-te contra Gog, vai e pilha o seu consolo de rei. Prepara-te, dorme com o olhar inteiro.

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18.6.08

DSM-IV, p. 350

Chove. Gotas moles, gordas, emudecem no telhado que completa esta única parede que me confronta. Chove – e quanto a isso nada posso fazer. Chove, hoje e talvez amanhã. Ontem não. Parece que é mesmo assim, uns dias chove e noutros faz sol. Os dias revezam os dias. É isso que se espera: o empirismo popular notou-o desde há muito, a poesia contou-o em milhares de páginas que mereciam uma incineração obstinada, a ciência ratificou-o em alguns tratados obscuros que toda a gente cita. Meteorologia bipolar, clima dado a caprichos - prima donna troposférica. O que esperar de ti? Uma foliage diaspórica e extemporânea, a barafunda homérica das aves migratórias, o sinistro esmaecimento dos decotes em flor. Não sei onde é que isto vai parar e não me parece correcto.
Adenda das 16:05h: entretanto, lá fora, o sol brilha novamente.

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Beat L.A.

17.6.08

Defesas de costa

Há quem sinta a solidão pelas costas e não receie a noite. O corpo balança entre o esquecimento e o espelho - o indefinido rumor das ausências. Parece-me (tenho a certeza) que escrever uma palavra medíocre é um acto sublime de rebeldia.

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16.6.08

700 anões (+7)


(Numa rua perto da Sé Velha, Coimbra)

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2m

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Este país tão pequeno é, ainda assim, grande demais. Devia ser do tamanho de uma mão (como a tua).

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15.6.08

E um protector solar também dá jeito

13.6.08

700 anões (+6)

(Avenida da Boavista, Porto)

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12.6.08

Passeio Público

(Um robô sem coração)

O abandono do descampado. O ensejo em que se dá o irrevogável passo em frente. O instante derradeiro em que se tenta ainda dar um passo atrás, quando a deflagração é já uma evidência a mutilar o corpo. Depois, o corpo é lembrado: quando dói na ausência de um membro, quando verte a soma das partes perdidas. A história podia ser assim, mas é sempre pior. Mesmo as palavras mais terríveis ocultam a marca verdadeira do sofrimento e da violência.

São tantas as minas anti-pessoais dispersas pelo mundo, e tantas as tragédias com que juncam o solo, que quando li acerca de uma máquina de desminagem desenvolvida e construída em Coimbra, na sua universidade (UC), imaginei um pouco de luz por detrás da penumbra.

A máquina (um robô auto-propulsionado) não tem coração mas os seus desígnios são os melhores. A informação que intimamente reúne (um entrançado de «algoritmos de software») e os multíplices detectores de minas (e de outros mecanismos explosivos) que transporta provaram a sua eficácia num campo militar belga, revelando aos longínquos investigadores todas as minas que se resguardavam na negrura da terra.

Um engenho assim desfaz o sorriso indeciso e vago, obriga-nos a esquecer as ruínas por onde nos movemos. Cria sentido – ou melhor, cria uma oportunidade. Um amanhã possível.

Não se entende, por isso, o alheamento do Exército relativamente ao robô anti-minas criado na Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC. Não se compreende, por isso, a distância do Exército relativamente a um maquinismo de desfazer memórias numa casa cheia de más recordações.

A investigação está concluída, diz um dos coordenadores do projecto. O robô sem coração – mas paradoxalmente tão humano – está destinado, parece-me, à obscuridade das prateleiras. Escolhemos entre o mal e o esquecimento. A escolha é instintiva e limpa, a omissão é o pecado de eleição no gordo Ocidente. E, contudo, o mal não existe fora de nós.
(Ontem, 11/06, no Jornal de Notícias)

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French Music #twenty seven

The Ting Tings - Great DJ

(Swallow words one by one)

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Scolari não mete o minino a jogá (s.a.n.d.a.o.)*

As pessoas esquecem facilmente. Eu gosto de repetir a frase de Hartley: «o passado é um país distante». Logo, não vale a pena perder tempo com ele (o passado é um país distante e não tem petróleo, acrescento eu). Por exemplo: atentem e vigiem aquele rapaz de cabelo foleiro (ele imita o Fábio Coentrão, talvez percebam o que quero insinuar) e imperfeita gramática que joga no círculo de meio campo do Sporting. Não é o pequeno homem. O pequeno homem é grande. É o homem pequeno. Eu gostava que ele escrevesse na areia, com a ponta da havaiana (mas não escreve): Sporting amo-te! Era um gesto bonito, talvez o reflexo do sol de praia sobre o seu cabelo se tornasse na cor mais bonita do mundo. Mas não escreve, repito. Essas palavras vende-as o minino por cifrões maiores que a gratidão. E quando ele voltar, um dia, e nos meter um golo com as cores do adversário, nós vamos aplaudi-lo de pé. Sem recordarmos as pequenas iniquidades e desconsiderações que se escondem atrás da cortina do passado.
(Força Petit!)
*Segundo as normas do acordo ortográfico.

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11.6.08

Estéticas da morte #trinta e seis

Não sei o teu nome, penso. Empurro-te para esta fossa, cavada à pressa com uma pá embotada por mãos prévias e inocentes. Deslasso os teus cabelos com um harmonioso remate «à esquerda» (lembrei-me do Futre), amoldo as tuas carnes flácidas e supérfluas (vejo bem que criavas barriga) às paredes térreas da derradeira cama. É estranho, não sei o teu nome. Foda-se, não sei sequer porque te matei. Não foi, de certeza, pelos cinco euros que transfiro da tua carteira para a minha boca. É triste (acho eu): a tua morte não valeu mais do que 3 litros de gasolina. Vou começar a andar a pé, penso. Não sei o teu nome mas mereces, talvez, que eu faça esse sacrifício a partir de agora.

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Sem consultório na Portagem

«O Aquilino? O Aquilino evidentemente que teria sido um grande Nobel. Mas não o podia ser. A sua obra não era conhecida. (...) O Torga? O Torga foi lido na Academia Sueca. (...) Não foi isso suficiente para que ele tivesse o Nobel? Pois não.»
(José Saramago na Ler)

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9.6.08

Ein kleine nachtmusik

Com o auxílio de um cotonete azul retirei quase toda a cera do canal do ouvido. Algum tempo depois (o tempo de preparar e comer uma sandes de pepino) obscureci o olhar, concentrei-me como pude e encostei a orelha (esquerda) à tela. Esperei. Aguardei. Esperei e aguardei (em simultâneo). Aguardei e esperei (em concomitância). Por estranho que possa parecer (fiquei siderado de espanto) não escutei o som de «O Grito» de Munch. Na próxima tentativa uso um cotonete branco.

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8.6.08

Le fils naturel

Alexandre Dumas (filho) foi um pai extremoso (Marie-Alexandrine-Henriette Dumas e Jeanine Dumas que o digam).

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700 anões (+5)


(Rua das Matemáticas, Coimbra)

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5.6.08

Passeio Público

(Arroz amargo)

A História parece já não dar lições a ninguém. O passado é, cada vez mais, um país distante, uma sombra indefinida e mutilada pela indolência do esquecimento. Talvez o olvido dos ciclos pretéritos explique a surpresa e histeria dos media relativamente à anunciada crise alimentar global.

Ao longo da história, a fome foi um dos demónios íntimos de vastas faixas populacionais do mundo; na Europa, na Ásia ou em África a carestia, mais do que um episódio insólito, era um fenómeno regular e comum. Quase congénito.

Na Europa do séc. XIV, na China dos anos 1958-61 (provavelmente a crise de fome mais lancinante e dramática de sempre) ou na Etiópia na década de 80 do século passado, por exemplo, a penúria alimentar catalisou guerras, assassínios e toda a espécie de iniquidades. Infelizmente, a maior parte das vezes é assim: a fome faz-se valer mais que a dignidade.

A crise alimentar assume matizes intensas (os preços dos cereais, sobretudo, aumentaram drasticamente) mas é, ainda, muito cedo para antecipar as proporções que o fenómeno vai tomar. No entanto, qualquer que seja a amplitude do colapso das estruturas de produção e distribuição de alimentos, é inequívoco que os países mais afectados não serão os países ricos do Ocidente, mas sim os países em vias de desenvolvimento.

Em Portugal, o preço dos alimentos no consumidor tem aumentado de forma proibitiva. A produção alimentar portuguesa, insuficiente para suprir as próprias necessidades, vulnerabiliza o país face à oscilação mundial dos preços dos alimentos.

A produção do arroz no Baixo Mondego configura um exemplo paradigmático de como a auto-sustentação foi negligenciada pelos sucessivos governos do país. O arroz persiste como a cultura agrícola dominante na fértil região que se espraia entre Coimbra e Figueira da Foz. No entanto, a área de cultivo diminuiu drasticamente desde a década de 1970. O aumento iterado do preço dos combustíveis e dos fertilizantes e o “relaxamento” (para não dizer outra coisa) dos investimentos nos aproveitamentos hidroagrícolas são factores de pressão veemente sobre os produtores, que se sentem coagidos a abandonar a produção.

O incremento continuado do preço do arroz, em concomitância com a dependência do país face à produção externa, enfatiza as lacunas e falhas das políticas agrícolas seguidas até agora. Numa mesa despojada, os erros cometidos hão-de devorar-nos com aprumo de gourmet.

(Ontem, 04/06, no Jornal de Notícias)

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Finalmente


(Larry «The Great White Hope» Bird vs. «Magic» Johnson)
Mesmo neste, uh, «desporto», a equipa de verde é, obviamente, a minha preferida.

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4.6.08

Destemidas são as palavras


(Alonso Sanchez Coello, circa 1560, Isabel de Valois, Kunsthistorisches Museum, Vienna)

Está escrito: «O que todos amam não pode só Carlos odiar». Ingénuas são as palavras desse santo padre Domingo. O mundo odeia Isabel*, não duvidem. Carlos ama-a. Essa é a única razão para que tenha conhecido a iniquidade da torre e a morte antes da digna hora.

*Ou Coello era um péssimo retratista (não creio) ou Schiller descreveu a Valois obnubilado por alguma impertinência poética (talvez não).

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3.6.08

Vago, obscuro ou inexistente

Se quero ver para dentro fecho os olhos. Se quero ver para fora fecho os olhos. Se não quero ver, não sei como faço. Até hoje eu quis sempre ver, para um lado ou para o outro (e também para cima ou para baixo). Não pensem que se aprende muito a ver. O dia termina sempre no mesmo sítio escuro.
Comecem por ouvir o que vos digo.

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Os poetas ardem mal

Obituário de Pedro Mexia (em 2048).

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2.6.08

Cátedra «Marc Armand Ruffer»


O Grupo de Estudos em Evolução Humana (GEEvH), em parceria com o Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) e o Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra, convidam todos os interessados a participar nas I Jornadas Portuguesas de Paleopatologia.

Este evento, que se pretende interdisciplinar, visa contribuir para o conhecimento dos últimos avanços na pesquisa paleopatológica em Portugal, lançando luz sobre a história da Paleopatologia, enquanto "ciência tributária" da Antropologia Biológica, e reforçando o seu papel inquestionável na reconstrução das populações do passado.

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1.6.08

Liberty Valance

Acidentado:
-Dói-me esta perna (aponta para a perna direita).
Médico 1:
-Essa perna dói-lhe porque você pode exprimir a sua dor através de palavras; aliás, asseguro-lhe com a convicção de predestinado para a medicina ortopédica: essa perna dói-lhe apenas porque existe a palavra «perna» (filosofia de enfermaria).
Médico 2 (barbudo, façanhudo e outras coisas pouco edificantes):
-Essa perna dói-lhe apenas porque existe uma perna (ouve-se o som de uma motosserra*).

*Mas também podia ser o trinado de acasalamento do pássaro-lira (Menura sp.).

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