4.7.10
29.6.10
24.6.10
Uma tradição com 3-5 anos, ou assim

{Hieronymus Bosch, c. 1503-4, O jardim das delícias terrenas: o inferno}
Se é verdade que existem sons demoníacos - eu não creio - um deles é, obviamente, o zurro da da vuvuzela. A corneta de plástico é a pior merda que se inventou nos últimos vinte anos (a TVI não conta) mas havia sido já imaginada por Bosch no início do séc. XVI, milimetricamente colocada num sítio que eu cá sei, e de onde nunca deveria ter saído. Pois que volte depressa para os infernos, com a Galp, a BP e o Sabrosa, mais os chatos que a não tiram das beiças.
Se é verdade que existem sons demoníacos - eu não creio - um deles é, obviamente, o zurro da da vuvuzela. A corneta de plástico é a pior merda que se inventou nos últimos vinte anos (a TVI não conta) mas havia sido já imaginada por Bosch no início do séc. XVI, milimetricamente colocada num sítio que eu cá sei, e de onde nunca deveria ter saído. Pois que volte depressa para os infernos, com a Galp, a BP e o Sabrosa, mais os chatos que a não tiram das beiças.
Etiquetas: futebol, Hieronymus Bosch, pintura
15.6.10
O «jogo» de Portugal: pelo meio e a dormir
- Descentralizemos! - disse o notário.
- Amplamente! - continuou o conde.
{Gustave Flaubert, Bouvard & Pécuchet, p. 165}
Etiquetas: futebol
21.10.09
27.9.09
Total isenção e imparcialidade
Deixem-me chorar descansado, impenetrável ao conforto hipócrita das vossas mãos. Este Benfica ainda me há-de matar. Ou pior: ganha o campeonato. E ainda temos o Cavaco e os fantasmas dos cadernos.
Etiquetas: democracia, futebol, prefiro o Sporting a qualquer ideologia política
12.6.09
Passeio Público
(Futebol e outros problemas sentimentais)
Confesso que não percebo o mundo do futebol (mas, por vezes, as coisas devem permanecer além de qualquer intelecção). O futebol é jogo de paixões veementes, e pouco temperadas pelo super-ego. Nesse caso, sei do que falo: sou um adepto irresponsável, chamo nomes aos árbitros e às suas mães, sobretudo a elas, e sou engenhoso criador de penalties, faltas e foras-de-jogo contra os adversários da minha equipa. Quando vejo futebol dispenso sermões e moralidades jesuíticas. Sou um adepto comum, aliás. Todo o verdadeiro adepto é faccioso, selectivo, inconsciente e amoral. A paixão incondicional é o requisito de uma possibilidade: a do prazer terrível da vitória.
O futebol, diz-nos Ballard, é a derradeira esperança de força da sociedade. Definindo-se numa nova ordem social, baseada na energia e na emoção, os adeptos mais subversivos re-dramatizam as suas vidas através da violência e da agressão, re-primitivizam-se e entretecem um código radical que nega o bem e o mal em favor de uma patologia sublimada.
Talvez por isso (ou: certamente por isso), aceitamos naturalmente o infortúnio do nosso clube, com um sorriso beatífico e apaixonado, à maneira dos primeiros cristãos no Coliseu, encantados perante os leões e a morte terrena. Odiamos os traidores, mas só quando não envergam um equipamento com as cores certas.
Na realidade, as coisas são assim porque é preciso manter a cabeça à tona de água, mesmo quando tudo se afoga à nossa volta. Um clube aguenta mais que nós, porque as suas dores são também maiores. O Clube de Futebol União de Coimbra, por exemplo, comemorou recentemente 90 anos de existência. Uma existência notável, possivelmente cumprida naquele longínquo ano de 1972, quando o clube da Cruz de Santiago alcançou o cume do futebol português e conviveu com os maiores.
Apesar dos recentes êxitos desportivos (regressa enfim aos campeonatos nacionais), o clube vive uma situação financeira difícil. A sua vitalidade, contudo, persevera. O União atravessou o deserto mas ninguém lhe sentenciou a desistência. O clube da Arregaça possui a força da planta que se adapta ao solo mais pobre: a Coimbra dos doutores prefere a Académica. É um problema sentimental, e o nosso coração só tem uma cor. Que seja negro, e azul, e grená.
(Anteontem, dia 10/06, no Jornal de Notícias)
Etiquetas: Clube de Futebol União de Coimbra, futebol, jornais
21.5.09
Passeio Público
(Aos Domingos)
Há muitas razões para se gostar da Académica de Coimbra (Organismo Autónomo de Futebol), um clube de estudantes e doutores, respeitável e precioso; estimado, senão com bonomia, pelo menos com alguma displicência, pelo povo deste nosso Portugal (exceptua-se do embrulho o vimaranense mais intransigente). Há quem ache, possivelmente a maioria, que é um clube “simpático”; outros louvam a integridade de uma verdadeira “escola de homens”; e alguns, ainda, reconhecem-lhe a herança (documentada) de luta pela liberdade, muito antes da segurança democrática de Abril.
Eu gosto da Académica porque é o clube da minha cidade, porque o luto perpétuo do equipamento soleniza um certo apego aos sonhos de uma tribo imaginada. Não me move porque irradia a “inocência do amadorismo”. Do que eu gosto mesmo é de futebol, e da indiscrição do triunfo – com golos, correria e grandes penalidades. O resto (a pacholice do “mito da simpatia”) serve, quando muito, para jogos de solteiros contra casados.
Durante anos, o futebol da Briosa balançou entre a mediocridade e a ingenuidade – quase sempre com maus resultados. Felizmente, há quase dois anos chegou a Coimbra um homem nascido e cumprido na mais admirável indústria de campeões do país, o Futebol Clube do Porto. Domingos Paciência, pois se é dele que falo, não se limitou a desenvolver um exercício estético de futebol. Domingos corrigiu um atraso de duas décadas, pelo menos, e transformou os “pardalitos do Choupal” em extraordinárias aves de rapina; convenceu-os, enfim, que a vitória é a menor das vergonhas.
Uma certeza (ou duas) determina este interesse contingente sobre o futebol da Briosa, quando ainda falta um jogo para o final do campeonato. A Académica pode até perder no “D. Afonso Henriques”, e o Marítimo pode até vencer no “Mar”, mas a melhor classificação da equipa de Coimbra nos últimos 25 anos está já garantida. Infelizmente, o treinador está de saída. Vai-se embora o Domingos. Paciência. A Académica é maior que todos nós.
(Ontem, 20/05, no Jornal de Notícias)
18.5.09
E a Académica?
Vai-se embora o Domingos. Paciência.
Etiquetas: futebol, prefiro o Sporting a qualquer ideologia política, Sporting
Meio retardado: treta campeões
Como disse o meu amigo Ricardo à mesa do Atenas: «Parabéns aos vigaristas». O crime sempre compensa, ora essa. Em tom mais sério: parabéns aos campeões. Este ano não havia nada a fazer. Como acontece quase todos os anos, aliás.
Etiquetas: futebol, prefiro o Sporting a qualquer ideologia política, Sporting
5.10.08
8.8.08
Acho que é hoje

Não vou «acompanhar as peripécias» dos Jogos Olímpicos de «Beijing» com a ânsia de outros tempos (Barcelona é que foi, com o «Dream Team» e a Henrietta Ónodi). Não gosto do governo chinês e estes «Jogos» assemelham-se muito aos de 1936 em Berlim. Mais importante: gosto cada vez mais de futebol e cada vez menos de todos os outros desportos olímpicos. Vou ver pouca coisa - talvez o Ronaldinho, o Phelps e a Naide. Chega bem. No dia 16 começa o desporto a sério.
20.6.08
É de uma pessoa ficar transtornada
Amândio, com um olhar meio tresloucado (por vezes, mas eu não sei se é o caso, a miopia é a culpada), atentou no jogo da bola que se espraiava ao comprido e a preto e branco no ecrã da Telefunken, coçou o abono de família e pensou (sentimentos piedosos e edificantes): Nazis de merda, filhos da mãe! Havia de lhes dar uma grande caganeira, àqueles racistas fdp.
Terminou o jogo. Amândio, mansamente recostado nas flores azuis do sofá, havia partido já para o reverso da vida, para a margem anoitecida - para o outro lado, como costuma dizer a malta que gosta de encontrar o sentido das coisas em chavões com pouco sentido. A culpa foi dos alemães, cuspiam os filhos. Malditos alemães, reflectiu a mulher. Béu, béu, opinou o Piruças.
Posso garantir que a morte do senhor Amândio F. não teve nada a ver com os alemães. A culpa deste trágico decesso foi, e disso não tenho quaisquer dúvidas, dos portugueses – alentejanos e durienses, sobretudo tintos, disse, faceiro, o Dr. Mendes-Dutra do Gabinete Médico-Legal de Tomar e Abrantes.
12.6.08
Scolari não mete o minino a jogá (s.a.n.d.a.o.)*
As pessoas esquecem facilmente. Eu gosto de repetir a frase de Hartley: «o passado é um país distante». Logo, não vale a pena perder tempo com ele (o passado é um país distante e não tem petróleo, acrescento eu). Por exemplo: atentem e vigiem aquele rapaz de cabelo foleiro (ele imita o Fábio Coentrão, talvez percebam o que quero insinuar) e imperfeita gramática que joga no círculo de meio campo do Sporting. Não é o pequeno homem. O pequeno homem é grande. É o homem pequeno. Eu gostava que ele escrevesse na areia, com a ponta da havaiana (mas não escreve): Sporting amo-te! Era um gesto bonito, talvez o reflexo do sol de praia sobre o seu cabelo se tornasse na cor mais bonita do mundo. Mas não escreve, repito. Essas palavras vende-as o minino por cifrões maiores que a gratidão. E quando ele voltar, um dia, e nos meter um golo com as cores do adversário, nós vamos aplaudi-lo de pé. Sem recordarmos as pequenas iniquidades e desconsiderações que se escondem atrás da cortina do passado.
(Força Petit!)
*Segundo as normas do acordo ortográfico.
Etiquetas: desporto, devaneios, futebol, prefiro o Sporting a qualquer ideologia política, Sporting
12.4.08
6.4.08
Sussurro
Como disse o meu amigo Ricardo à mesa do Atenas: «Parabéns aos vigaristas». O crime sempre compensa, ora essa. Em tom mais sério: parabéns aos campeões. Este ano não havia nada a fazer. Como acontece quase todos os anos, aliás.
Etiquetas: futebol, prefiro o Sporting a qualquer ideologia política
21.2.08
Ronaldo, Quaresma e outros problemas sentimentais #2
O subúrbio, a auto-estrada, o centro comercial, a bomba de gasolina: limites topográficos de privação sensorial. Espaços de cultura transiente, de omissão relacional, identitária e histórica. Os não-lugares (se tencionarmos frequentar Augé) onde até a realidade irrompe do simulacro; onde tudo é inventado, o aborrecimento, o tédio, a passividade. As paisagens desoladas onde as luzes permanecem acesas mas as pessoas se retiram de novo para a escuridão.
Perante isto, resta a alienação distópica dos indivíduos. O futebol, diz-nos Ballard, é a derradeira esperança de violência da sociedade. Definindo-se numa nova ordem social, baseada na energia e na emoção, os adeptos mais subversivos re-dramatizam as suas vidas através da violência e da agressão, re-primitivizam-se e entretecem um código radical que nega o bem e o mal em favor de uma patologia sublimada. Uma ideologia redentora: a moral cede perante a vontade, a vontade cede perante a loucura.
Perante isto, resta a alienação distópica dos indivíduos. O futebol, diz-nos Ballard, é a derradeira esperança de violência da sociedade. Definindo-se numa nova ordem social, baseada na energia e na emoção, os adeptos mais subversivos re-dramatizam as suas vidas através da violência e da agressão, re-primitivizam-se e entretecem um código radical que nega o bem e o mal em favor de uma patologia sublimada. Uma ideologia redentora: a moral cede perante a vontade, a vontade cede perante a loucura.
Etiquetas: Ballard, futebol, JG Ballard, literatura
6.2.08
20.11.07
100 anos de paixão: só eu sei porque não fico em casa #51
[Lugar ao contraditório (via Cobois)]
Etiquetas: futebol, prefiro o Sporting a qualquer ideologia política, Sporting









