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28.8.08

Passeio Público

(Maus ares)

Num dos seus livros, o antropólogo Alfred Gell aludia ao encantamento que a tecnologia produz no público, encantamento que procede da dificuldade que temos em conceber um objecto tecnológico ou artístico como fazendo parte do mundo palpável e que só nos é acessível por um processo técnico que, transcendendo a nossa compreensão, nos força a concebê-lo como mágico.

Na realidade, nem todo o encantamento é mágico e nem toda a magia é encantatória. Pelo menos se não nos ativermos ao significado habitual de “encantamento”, moldando em nós o lugar do deleitoso e do admirável. Uma parte do “feitiço” da tecnologia revela-se negra e perigosa e isso tornou-se manifesto após as bombas de Hiroxima e Nagasáqui.

Neste contexto entroncam as desconfianças e incertezas que justamente empatam o processo de queima de resíduos na fábrica de cimento da Cimpor, em Souselas, e, mais recentemente, a instalação de uma central termoeléctrica (Central Térmica de Ciclo Combinado) em Taveiro.

Em Souselas, o presidente da Junta de Freguesia, João Pardal, lamenta as lacunas na informação ambiental, responsabilizando a apatia da Cimpor e das entidades reguladoras do ambiente. As nuvens de pó que por vezes envolvem a cimenteira, a morte de peixes no rio Botão ou o malogro discreto da cobertura vegetal são alguns dos incidentes que desencadeiam a reacção preocupada de Pardal. A suspeição dos habitantes de Souselas relativamente aos supostos malefícios ambientais da Cimpor aumenta num cenário de sonegação de dados, que poderiam contribuir para a identificação dos problemas referidos.

Julgo não ser necessário sublinhar a importância do estabelecimento de protocolos de confiança mútua entre o tecido empresarial, as entidades reguladoras e as populações. A troca de informação não encorpa um gesto demasiado complexo. Até porque a nova directiva europeia relativa à responsabilidade ambiental acaba de ser transposta para o direito nacional. Os silêncios e os segredos desaparecem num cansaço enlutado de derrota.
(Ontem, 27/08, no Jornal de Notícias)

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27.8.08

The sweetest little song


You go your way
I'll go your way too
(Leonard Cohen, Book of Longing, pág. 198)

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Está muito aguado

Miguel Esteves Cardoso (no Almocreve das Petas).

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25.8.08

Le coeur de la princesse

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Lento é o nosso olhar sobre as estrelas: a noite é demasiado antiga e densa para que se deixe morrer sem luta nos abraços dos amantes sinceros. Pacientes, esperamos a manhã e os seus banhos, as suas águas primevas, transparentes e enregeladas (um banho de água fria fortalece o carácter - e também as constipações). Nunca nos afastamos mais do que o necessário - e mesmo assim por pouco tempo. Existe, evidentemente, uma nostalgia pelo mundo. Aquele que conhecemos juntos, oloroso e saturado de luz, existindo apenas em nós.

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Avulsos TM

D. Sebastião, O Precipitado
Devíamos ponderar seriamente a substituição do cognome "O Desejado" por "O Louco", ou "O Insensato", ou ainda "O Alienado", no que diz respeito a certos homens que lêem demasiados livros - e ousam abertamente falar deles em cada conversa.

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22.8.08

Passeio Público

(Uma fina linha)

O mundo é cruel e não se inquieta com a sorte daqueles que o povoam. Depois de um ano as notícias, geralmente, capitulam na semi-obscuridade. Perdem-se no turbilhão de dados que, de forma ininterrupta, somam um pouco mais de informação à nossa versada ignorância. Não obstante, algumas histórias, ásperas e irregulares, são difíceis de esquecer e adejam, como uma chaga pungente, no remorso da memória.

Pouco tempo depois de surgirem os primeiros apontamentos noticiosos relativamente ao homicídio de uma jovem universitária na Quinta da Portela em Coimbra, esfaqueada pelo namorado (também ele jovem e universitário), já a violência e crueza do crime se insinuavam indelevelmente nas reminiscências que reúno e arquivo como um simples autómato alijado de vontade própria.

O presumível homicida, agora com 24 anos, vai começar a ser julgado em Setembro no Tribunal de Coimbra e, como não é estrangeiro, pobre, cigano, analfabeto ou toxicodependente, parece não assentar nos perfis repetidos “ad nauseam” pelas réplicas de café de Cesare Lombroso (há uma espécie de reprodução identitária que corrompe uma parcela expressiva das consciências portuguesas).

Os tiroteios na Quinta da Fonte e no Planalto do Ingote, o assalto ao BES ou as rixas entre gangues na Quinta do Mocho são as notícias que atraem para o foco da actualidade criminal todos os estrangeiros, todos os negros, todos os ciganos. Procuram-se as causas e as motivações para o crime na cor da pelem na etnia e na nacionalidade. Reforçam-se os preconceitos, procura-se a lã no sino. Para além do estereótipo, qual é a realidade?

É bem diferente do que imaginam os justiceiros graduados nas mesas de café. As conclusões apresentadas num estudo conduzido por Hugo Seabra e Tiago Santos são inequívocas: a maior criminalidade dos estrangeiros (o cigano e o negro são estrangeiros mesmo quando são portugueses) face aos portugueses é ilusória.

As notícias que enchem os jornais só nos mostram como pode ser ténue a linha que separa a canalhice da santidade. Em qualquer etnia, classe social ou nacionalidade.
(Anteontem, 20/08, no Jornal de Notícias)

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21.8.08

E um protector solar também dá jeito #quatro

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(Praia da Morena)
(1) (2) (3)

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20.8.08

Italian Music #four

Os Pontos Negros - Conto de Fadas de Sintra a Lisboa

(Com mulheres que calçam o quarenta é melhor revelar prudência)

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19.8.08

Lenz

Uma catástrofe era, no fundo, uma exigência excessiva de actos por parte dos acontecimentos: os humanos não conseguem fazer tantas coisas em tão pouco tempo.
(Gonçalo M. Tavares, Aprender a rezar na era da técnica, pág. 41)

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Levemente irritado


São coisas que me irritam, que me corroem os dias até ao tutano. A hipocrisia, o paternalismo, o pedantismo. É possível que a Antropologia não seja uma área com tantas possibilidades de emprego como a Farmácia, a Medicina, a Economia ou a Engenharia Civil mas pressupõe um caminho de trabalho digno e, para quem se dedica a ela com intensidade, compensador. Eu sei que é difícil acreditar mas a Antropologia oferece (mesmo) momentos de realização maior a quem decide enveredar por trilhos tão esburacados. Por isso, quando falarem comigo, não apelem aos vossos sentimentos mais paternalistas (e involuntariamente pedantes) e abstenham-se de dizer: coitadinho, que estuda antropologia e investiga umas merdas assim muita giras mas que não interessam nada a ninguém... Sou investigador num centro científico de excelência, dou aulas numa instituição universitária pública, escrevo num jornal. Não sou, de todo, um coitadinho. E é só isto.

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17.8.08

Se isto é um peixe

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15.8.08

Roubaste o meu caviar


Dá que pensar: uma meia verdade é, obviamente, também uma meia mentira. Nesse caso, o que valorizar mais, o não dito da verdade ou o dito da mentira? Esta questão, suponho, não é daquelas de resposta imediata e fácil; por essa razão não esboçarei, por agora, qualquer espécie de comentário a ela. Na verdade, não me sinto habilitado a discorrer sobre assuntos tão escorregadios e comuns como a verdade e a mentira. Sou um mentiroso (a inconsistência lógica...), é certo, mas um mentiroso prático («não fui eu que deixei a luz do quarto acesa») e não um mentiroso teórico («é feio mentir mas mentirias para salvar a vida de alguém?»).
Guardarei as respostas possíveis para um dia mais tarde. Até lá, aviso, posso morrer (ou ficar paralizado ou endoidecer). Os mais atentos (para não dizer inteligentes) de entre vós pressentem que evento tão funesto (Deus me livre!) certamente inviabilizará esta minha compungida promessa. É possível. Um morto, geralmente, não é um ser dado a opiniões fundamentadas, argúcias demonstrativas e respostas exegéticas. Mas isso é o que nós, vivos, julgamos ser a verdade. Talvez seja apenas uma meia verdade - e nesse caso, uma meia mentira também.

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14.8.08

Passeio Público

(O todo pela parte)


Algum tempo depois das escaramuças na Quinta da Fonte, em Loures, o Planalto do Ingote, em Coimbra, foi passado a tiro por uma dúzia de homens. Sem vítimas a lamentar, remanesce o terror entre os moradores dos bairros da Rosa, do Ingote e António Sérgio. Não é possível colocar uma pedra sobre o assunto. Uma espécie de efeito dominó impele a comunidade cigana para os informes dos jornais – e não pelas melhores razões.


O Planalto do Ingote é uma paisagem de atrito. De conflitos e pendências reiterados. A culpa é da droga, dos ciganos (o todo étnico que expia as faltas da parte) e da complacência policial, dizem alguns. O medo é, desde há 20 anos, um dos sentimentos favoritos dos habitantes. Um residente queixava-se ao JN (06/08/2008) que o clima de terror lhe coarcta a liberdade: não pensa sequer em sair de casa à noite. Um amigo, habitante do Bairro António Sérgio, conta-me que, quando andava na escola primária, era assaltado quase todos os dias.


São os factos que criam a realidade. O Planalto do Ingote enferma de um grave problema de segurança e frágil integração de uma comunidade minoritária – não há como negar a evidência. A possibilidade salvífica encontra-se, não em “sociologias de desculpabilização” ou em medidas repressivas extremas (dignas de um estado policial), mas na contemplação de possibilidades alternativas de coabitação (veja-se o bem sucedido caso do Parque Nómada nos campos do Bolão), na não discriminação da população cigana no acesso ao emprego a nível local, na continuidade de iniciativas como o projecto “Planalto Seguro” e, sobretudo, na promoção do mútuo conhecimento entre comunidades.


De facto, quantas pessoas sabem que os ciganos têm a sua origem, enquanto grupo étnico, no norte da Índia? Que a diáspora do povo “romani” persevera há mil anos? Que chegaram a Portugal durante o séc. XV?


É conhecido o temor que inspira o nomadismo, a impermanência: os ciganos, os tártaros mongóis, os mucubais angolanos, todos são (ou foram) olhados com desconfiança pelos povos sedentários. As normas que determinam o semblante da nossa sociedade não se conformam com visões alternativas das coisas. Toda a diferença é punida, quase sempre anima o medo e a rejeição, o primitivo e animal em nós.


É esta ancestral desconfiança que ainda hoje orquestra as relações entre comunidades. A impermanência ainda rima com impertinência.

(Ontem, 13/08, no Jornal de Notícias)

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Trusted account


Sejamos justos: o Adam é parecido com ele. Nem mais bonito, nem mais feio, talvez um pouco mais largo de peito, a fazer lembrar aqueles pugilistas (ou seriam halterofilistas?) dos desenhos animados da década de 1950. Penso sempre nessa extraordinária semelhança quando, por acaso, em sonolentas tardes de domingo, tenho o azar de parar os olhos sobre mais um filme do Adam - que são muitos e quase todos muito maus. Enfim, um dia ia mesmo dizer isto. Ora essa.

Por quem sois.

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Italian Music #three

Alice In Chains - Bleed The Freak
(I like to see how you all would bleed for me)

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12.8.08

Coisas que metem nojo

A verdade é mais estranha que a ficção.
(G.K. Chesterton, O clube dos negócios estranhos, pág. 94)

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11.8.08

Praise to the author


São cinco anos. É pouco tempo - uma tartaruga das Galápagos tende a concordar comigo. Cinco anos, para que saibam, perfazem meia década. É tempo de meio bilhete. É tempo de querer mais algum tempo. Na juventude o cansaço é apenas uma palavra morta nos dicionários. Pouco tempo, meio tempo, o tempo todo por vir.

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8.8.08

Acho que é hoje


Não vou «acompanhar as peripécias» dos Jogos Olímpicos de «Beijing» com a ânsia de outros tempos (Barcelona é que foi, com o «Dream Team» e a Henrietta Ónodi). Não gosto do governo chinês e estes «Jogos» assemelham-se muito aos de 1936 em Berlim. Mais importante: gosto cada vez mais de futebol e cada vez menos de todos os outros desportos olímpicos. Vou ver pouca coisa - talvez o Ronaldinho, o Phelps e a Naide. Chega bem. No dia 16 começa o desporto a sério.

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7.8.08

Passeio Público

(Estação tonta)

É Verão. É um facto. O calor ataráxico, a letargia insuportável das tardes, a ânsia de água fresca acertam os tempos em que nos movemos (pouco e à sombra, preferencialmente). É Agosto. Um salto desafinado. Um criador de desertos.

A crise económica revela-se insuficiente para conter o êxodo. O mar é um termo desejado. Um rio, uma piscina, uma poça de água – Agosto é uma indisposição temporária e os remédios que o distanciam são muitos. Ainda bem. O mês de Agosto não faz bem à saúde e ficar na cidade ainda menos.

As árvores cansam-se da solidão forçada. A Praça da República esquece as caras dos seus cidadãos. A velha Universidade observa a retirada estival dos estudantes (é fácil ser jovem e fugir para longe) e, obstinada, ensoberbece-se à vista de dois ou três turistas mais resilientes. No pinhal de Marrocos, os incêndios do passado são apenas um verde de ocaso. O Mondego foge definitivamente para os areais da Figueira. Coimbra desiste das suas mulheres e dos seus homens. Deixa-os partir para um sítio qualquer: um lugar presumível, longínquo e a tocar a água.

É Agosto, é assim em todo o lado. No Porto, em Lisboa, em Paris e em Londres. Porque não em Coimbra?

As ruas da cidade soçobram de uma vez por todas perante o torpor de Agosto e da canícula das férias. O tempo para pensar dilata-se indefinidamente mas, informa-nos o mais iluminado cliché, a estação é tonta. Na precipitação da fuga as pessoas crêem irreflectidamente nos discursos reiterados e insistentes. Se o Verão é a «silly season» é porque quase toda a gente acredita nisso. A praia é a única opção possível para a justa vilegiatura dos conimbricences: os dias cálidos e sanguíneos de Agosto solicitam a frescura da água do mar.

No Verão, a comida é leve, a música é ligeira e a literatura é «light». Talvez, mas os dias são longos e há tempo para fazer tudo. No recato contente da praia, podemos beneficiar da leitura, por exemplo, da obra maior de Robert Musil, «O homem sem qualidades». Ou permear o romance mais recente de valter hugo mãe, «o apocalipse dos trabalhadores». Se o calor for excessivo passam-se as férias nos arredores da fresca Moscovo («O primeiro amor», de Ivan Turguénev). A brevidade narrativa (e uma maçã) cai sempre bem entre dois banhos de mar: «Histórias de amor» (Robert Walser) ou «Caravana» (Rui Manuel Amaral) cumprem essa lição substantiva.

Entretanto, Coimbra parou mesmo. É assim há muito tempo. Não culpemos Agosto por isso.
(Ontem, 06/08, no Jornal de Notícias)

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6.8.08

E um protector solar também dá jeito #três

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(Lido de Veneza, Itália)
(1) (2)

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700 anões (+12)


(Calle Balbi, Veneza)

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5.8.08

Esperança no porvir

Na Byblos, o Kamasutra encontrava-se na secção de «Antropologia». Entretanto, foi mudado para a prateleira dos «Livros Práticos». Burrice. Toda a gente sabe que 99% das coisas que por lá* se fazem são tudo menos «práticas».
*Pelo Kamasutra, entenda-se.

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4.8.08

No arquipélago da morte

(Alexandre Soljenitsyne 1919-2008)

(A foice derrotou-o ontem)

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3.8.08

Curate's egg



Bishop: I'm afraid you've got a bad egg, Mr Jones.
Curate: Oh, no, my Lord, I assure you that parts of it are excellent!

(Cartoon de George du Maurier, publicado em 1895 na revista Punch)

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1.8.08

I promessi sposi

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Os anos fecham-se nas pálpebras das mãos. Aqueço-me no frio do papel, um rectângulo outrora imaculado e vivo. Podia falar-vos de Manzoni, mas não me apetece. «Os noivos» assumem-se, de página em página, para um fim anunciado e querido.
Estou aqui para vos falar do meu amor. De um precioso círculo de força. De uma cidade debruada por água e pontes. De uma ponte de pedra, submetida ao branco de Carrara. O que vi: as lágrimas e a vontade. A vontade. O espectáculo inteiro, naquele momento veneziano. Uma mão destemida, empunhando a arma maior. O vago pressentimento de que seriam bem-vindas as loucuras da idade do figo lampo. Qual o cheiro do teu abraço?
Assegurei a respiração. Trespassado o momento certo, caminhámos um pouco mais em direcção a nós.

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