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31.5.08

Os livros ardem mal



O convidado da próxima sessão de Os livros ardem mal, que decorrerá no dia 2 de Junho (2a. feira, 18 horas, no Café-Teatro do TAGV), será o poeta, crítico e cronista Pedro Mexia.

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Boicote

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30.5.08

Suggia

These New Puritans - Swords of Truth

Vampire Weekend- Oxford Comma

Young Marble Giants - Colossal Youth

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29.5.08

Passeio Público

(Play it again, Sam)

Casablanca. Um dos filmes da minha vida. Talvez um dos filmes da vida do improvável leitor. Porque avoluma a filmografia de culto?

Possivelmente desconhecem que foi rodado dia após dia, sem que ninguém, ou quase ninguém, soubesse como iria terminar a história. É, por isso, fragmentado e desarticulado - como a Bíblia, uma das obras estruturantes das utopias ocidentais. Ingrid Bergman, sobretudo, concorre para a genialidade de Casablanca. Sem saber qual o homem que iria escolher, sorria a ambos com igual ternura e ambiguidade, fascinantemente misteriosa. Magnífica.

Talvez recordem a célebre expressão de Ilsa Lund (a personagem interpretada por Bergman), quando entra no Café Américain: “Play it again, Sam”. Na verdade, esta frase nunca foi dita durante o filme (aparece mais tarde em “A night in Casablanca”, dos irmãos Marx). Um lugar-comum falso, contrafeito.

O cinema vive de chavões (e da inexactidão dos mesmos). Um estribilho vulgar, repetido “ad nauseam”, refere-se a esse conglomerado vago e indefinido conhecido por “cinema português”: aborrecido, mal feito, “teatral” e (é absolutamente necessário repeti-lo) aborrecido.

Uma percepção injusta e preconceituosa? Se considerarmos, por exemplo, a selecção de filmes da 15.ª edição dos “Caminhos do Cinema Português” (organizado pelo Centro de Estudos Cinematográficos da Associação Académica de Coimbra), a resposta é, sem dúvida, afirmativa. No único festival absolutamente votado à cinematografia portuguesa, figuraram 39 películas (curtas e longas-metragens de 2007) na competição oficial. Mas os filmes projectados ultrapassaram a centena.

Falamos, e isto é notável, de um projecto severamente limitado pelas restrições orçamentais (o subsídio atribuído pelo Instituto do Cinema e Audiovisual declinou para valores miseráveis). Não obstante, todas as sessões foram gratuitas. Para além disso, e talvez mais importante, a maioria das obras apresentadas conjugam um valimento que não cede à mediocridade (apenas “Corrupção”, do produtor Alexandre Valente, não devia “pertencer” a este festival) com um apelo despretensioso ao público furtivamente interessado no cinema luso.

Nos “Caminhos” exibiu-se um cinema que não projecta mais um olhar entediante e protelado sobre a nossa (i)rrealidade. A essência dessa metamorfose revelou-se com uma fina intensidade e clareza nos meus próprios olhos.

(Ontem, 28/05, no Jornal de Notícias)

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Antes que o «Maio» chegue ao fim

28.5.08

700 anões (+4)


(Bairro Alto, Lisboa)

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Weekly Review


(29 de Maio, quinta-feira, 21 horas, Fábrica Braço de Prata)

Exibição do documentário Estado de Excepção, de Ricardo Seiça Salgado seguida de conversa com Ricardo Seiça Salgado, Hélder Costa e Miguel Cardina.

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27.5.08

Demasiado silêncio

Uma cidade, um país. Nápoles, África do Sul. Juntos na vergonha.

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26.5.08

Deo gratia

Encontrei uma moeda antiga, da qual não sei mais nada para além disso (que é uma moeda e que é antiga). Bem vistas as coisas (sopesadas as circunstâncias do achamento), o objecto que encontrei poderá nem ser uma moeda mas outra coisa qualquer - talvez seja uma carica espalmada e coberta de verdete. A visita a um antiquário ou a um departamento de arqueologia está, pois, fora de questão; a possibilidade de cair no ridículo impede-me de procurar os conselhos de quem mais sabe acerca dos despojos do passado. No café da aldeia, as opiniões dividir-se-ão (e também as pessoas, o que não convém numa aldeia tão pequena). Para além disso, tenho a certeza, as opiniões serão dúbias e pouco fundamentadas, nubladas pelos vapores etílicos e por séculos de preconceitos. Resta-me deitar fora a moeda ou a carica (ou, quem sabe, o envelhecido «tazo») e confiar que algum erudito a encontre, a analise e publique os resultados numa revista da especialidade - que eu hei-de ignorar porque (sejamos sinceros, minhas senhoras e meus senhores) este não é um assunto que me preocupe assim tanto.

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25.5.08

Libelo «ad hominem»

Este texto resolve os teus problemas actuais - mas só saberás isso quando a actualidade dos teus problemas estiver sepultada no passado (mais ou menos longínquo).

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Esta frase só tem uma palavra

Ou seis?

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French Music #twenty six

Battles - Atlas

(People won't be people when they hear this sound)

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23.5.08

Visita de médico

O dia quase cedia perante a indiferença (mole, ritual e estatística) que me desafia nos feriados que fogem à catalogação espontânea. O corpo de Deus é um vulto ausente e, por isso, desconhecido e insondável. A solenidade consciente da folga sufoca nessa verdade última e maior.

Mas foi a indiferença que cedeu perante o dia. Um dia de infinita benignidade.

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Weekly Review

É Outono (embora as folhas não caiam), estação triste e propícia às recordações. Lembro-me de Flaubert, claro. Mas também (sobretudo) do Henrique Fialho. Eis os factos: chove para além de uma janela que me defronta, o Insónia leva três anos de palavras (nanocontos, devaneios, literatura-macro). Estou feliz pelo Henrique.

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22.5.08

Passeio Público

(Anjos caídos)
As maçãs, esse fruto pecaminoso, caem, desabam e tombam. Renegam a madeira natal e oferecem-se ao solo. Por outro lado, no Outono, gostamos de ver as folhas das árvores justamente porque caem e obedecem ao seu destino de prostração. A queda é um destino amargo mas afectado à força de uma lei.
Não é necessário recordar a história, possivelmente apócrifa, de Isaac Newton e da maçã caída. Tornear os constrangimentos impostos por um princípio como a Lei da Gravitação Universal é empreitada temerária, insensata. Tudo o que sobe deve cair (se me permitem, estropio um título de Flannery O'Connor).
Mesmo conhecendo os princípios da lei da gravidade, deixo fugir um esgar de espanto quando leio que nos últimos três anos caíram doze mil (!) azulejos do Pavilhão Centro de Portugal, instalado no Parque Verde do Mondego em Coimbra. Quem autentica esta informação e recenseia as quantidades de azulejos descolados é o próprio vereador da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Mário Nunes. Para o responsável camarário, o "desapego" dos ladrilhos ao lugar que lhes foi destinado, por Siza Vieira, no corpo do edifício é "normal". Se a queda repetida de azulejos no Pavilhão prova alguma coisa, prova sem dúvida que o conceito de "normalidade" é vago e incerto.
Não há cola que lhes valha. Os azulejos tombam em manada. No dia 1 de Maio, o vereador socialista Luís Vilar quase foi atingido por um destes corpos alígeros. Dito isto, parece ser claro que as placas protectoras, colocadas de forma a resguardar as zonas mais sensíveis, são insuficientes para garantir a absoluta segurança dos passeantes. Face às condições deficitárias de segurança no Pavilhão de Portugal, estranha-se a relutância da CMC em recolocar os azulejos sem a autorização do arquitecto Siza Vieira.
A salvaguarda das incautas criaturas que, por mero acaso, deliberem vaguear nas imediações do edifício é uma responsabilidade camarária, que, relativamente a este caso, deve assentar a sua conduta na segurança das pessoas e não numa qualquer minudência legal.
Por fim, uma excelente notícia o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra foi considerado o melhor espaço museológico com preocupações científicas, técnicas e industriais pelo júri do European Museum Forum. O prémio, criado pela Fundação Micheletti, constitui um justo e estimulante reconhecimento do trabalho em prol da divulgação científica que vem sendo desenvolvido pela equipa de Paulo Gama Mota.
(Ontem, 21/05, no Jornal de Notícias)

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21.5.08

700 anões (+3)


(Rua Padre António Vieira, Coimbra)

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20.5.08

Vanitas


(Gustave Courbet, Un enterrement à Ornans, 1849-50, Musée du Louvre)

Colidindo com a escarpa da Roche du Mont, o cortejo fúnebre reúne junto do coval o microcosmo de Ornans. A banalidade do ritual derradeiro é documentada sem recamos e atavios supérfluos. O branco e o negro opõem-se violentamente. A estrutura realista da composição é enganadora: o olhar do pintor não é distanciado, Courbet conhece todas as personagens que une na imensidão da tela. No lado esquerdo da pintura, uma testemunha improvável observa escrupulosamente o cerimonial definitivo: o próprio morto, Jean-Antoine Oudot. O avô de Gustave Courbet.

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Weekly Review


Amanhã, pelas 19h, na Casa do Brasil de Lisboa, será apresentado o livro «Elo, Entrelinhas & Alucinações», de Daniel Ricardo Barbosa, por Vítor Vicente e por Cristiane Pasquini.

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19.5.08

100 anos de paixão: só eu sei porque não fico em casa #54


(João Moutinho com a Taça Foto: Lusa)

A Rennie é indubitavelmente uma boa pastilha para a azia mas eu, que já padeci de uma malfazeja úlcera do duodeno, aconselho a todos os meus amigos portistas o Ogasto 30mg, comprimidos orodispersíveis com sabor a morango. Esqueçam o Olegário (que até errou mais a favor do FC Porto) e para a próxima exijam ao Jesualdo uma equipa à altura de uma final.

(Paulinho e um herói improvável: Rodrigo Tiuí Foto: Mário Cruz e Inácio Rosa/Lusa)

p.s. Nós é que somos «Calimeros»?!

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17.5.08

O que é um «Curate»?

16.5.08

Charles Renouvier: o infinito é um projecto

Os aviões a jacto, a internet, o telégrafo e mais não sei o quê encurtaram as distâncias, diz-se, tornaram o mundo mais pequeno. Dei conta disso quando os vizinhos de baixo, furiosos com o ranger nocturno do meu leito nupcial, me instaram: «Ó porco sujo, vai morrer longe!». Eu quis fazer-lhes a vontade - afinal, até a minha própria esposa detesta os gritos que acompanham invariavelmente o meu orgasmo - e andei, andei, andei (andei ainda um pouco mais que isso) mas não consegui afastar-me o suficiente. E acabei, como já perceberam os menos distraídos, por nem sequer morrer*.

*Grande cromo, pensam vocês, se tivesses morrido como é que contavas esta história tão estapafúrdia? (A verdade é que se conhecem relatos de pessoas que regressam do mundo dos mortos mas isso são aventuras que não me interessa aprofundar agora).

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100 anos de paixão: só eu sei porque não fico em casa #53

15.5.08

Passeio Público

(Descalçar a bota)

Pode parecer estranho (e é, sem dúvida) mas sempre que ouço falar num “tabu” em torno da (re)candidatura a um cargo político, essa excentricidade de conduta programática (seja lá o que isso for) de alguns políticos portugueses, recordo-me das palavras de Robert Browning: “(…) quando a luta começa dentro de si, um homem vale alguma coisa”.

Argumento: qualquer político que adopta (conscientemente ou não) a estratégia do “tabu” veicula a ideia de que, no seu íntimo, contendem a inclinação para o afastamento voluntário das lides políticas (depois de um auto-satisfeito “trabalho bem feito”) e o espírito “patriótico” de missão. Esta “luta” interior é relevante: mesmo não valendo muito, o político valoriza o seu perfil eleitoral ao persuadir as gentes que não deseja a secretária do poder ou que não está agrilhoado a ela. O propósito é singelo: mostrar modéstia e abnegação democráticas.

Os “tabus” de Cavaco Silva, por exemplo, são famosos. Em Fevereiro, alguma comunicação social vislumbrou indícios do famoso “tabu” em declarações de José Sócrates numa entrevista televisiva.

Na semana passada, durante o lançamento da candidatura de Manuel Oliveira à concelhia de Coimbra do PSD, Carlos Encarnação insinuou a sua recandidatura à presidência da Câmara Municipal. Sem aludir directamente ao assunto, o autarca conimbricense provou conhecer bem a arte da metáfora, mostrando-se disponível para novas caminhadas eleitorais com os seus velhos e sólidos sapatos.

Não configurando o molde clássico do “tabu”, as afirmações ambíguas de Encarnação podem ser entendidas como uma forma de tomar o pulso aos eleitores e, porque não?, aos militantes do seu próprio partido. Depois de dois mandatos em que alguns projectos estruturantes para a cidade, como o Metro Ligeiro de Superfície, conheceram retrocessos substanciais e talvez perspectivando a “balcanização” e a falência sistémica do PSD nacional (e o imaginável revés eleitoral nas legislativas de 2009), Carlos Encarnação parece querer submeter-se ao parecer e à sentença populares antes do justo tempo eleitoral.

O presidente da Câmara de Coimbra percebeu que a sua alegoria será avaliada e dissecada até ao osso. Percebeu, acima de tudo, que o ar do tempo é desfavorável e sugere alguma prudência. Os caminhos são poucos e difíceis e Encarnação sabe que, depois de calçados os sapatos, poderá achar uma bota difícil de apaziguar: a derrota nas próximas eleições autárquicas.

(Ontem, 14/05, no Jornal de Notícias)

Ler também: A alegoria dos sapatos, de Paulo Valério

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French Music #twenty five

Nina Nastasia - Counting Up Your Bones

(Your bones glide in a silent tear)

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14.5.08

Rameau

O enfado e o nojo podiam ser um pouco mais veementes mas, vá-se lá saber porquê (por acaso sei*), o dia vai acumulando inestimáveis venturas e regozijos e o informe da miserável visita de uma delegação do PCP ao Império do Meio não fez mais que atrasar por alguns segundos a (irrepreensível) conduta fisiológica do meu sistema digestivo. Saber dos rasgados elogios dos comunistas portugueses aos êxitos económicos chineses foi motivo para uma ténue, quase imperceptível, eructação (mas não estou certo que tal performance sonora não se deva ao inverosímil conchavo de um penne alla arrabiata com um fino mal tirado). Isto dito, remanesce a premente questão: quando é que Jerónimo de Sousa torna a denunciar a deriva autoritária do governo de José Sócrates?

*...


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13.5.08

13 de Maio


(Jean-Baptiste-Camille Corot, La Solitude, Souvenir de Vigen, 1866, Oil on canvas, Colección Carmen Thyssen-Bornemisza)

Corot anota e fixa a realidade inescapável (a observação substitui a imaginação, mas isso é óbvio). É impossível não evocar Purcell (ou melhor, Antoine Girard de Saint-Amant*): «O solitude, my sweetest choice!». A insípida figura humana (uma sombra ilusória) ajeita um discreto pretexto para uma fuga à espessa tirania da vegetação em primeiro plano. É a luz, apartada sobre a água, que conforta o nosso melancólico, solitário, olhar.

*(La solitude)

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12.5.08

Do Angelus de Millet


A dupla silhueta convoca, inevitavelmente, o fracasso e uma resignação consciente face ao mundo, face à ordem natural, pré-consumada, que amarra e submete cada biografia às disposições formulaicas dos deuses. Apesar disso, um rosto de superioridade não forçada, de orgulho ingénito, encima inexplicavelmente as figuras de prece.

A noite próxima, a fluência esbatida da luz (o devir final do tempo), falsifica a autoridade mística do momento. Revela a insolência de um deus sem homem, de um deus alheio a tudo que é do homem.

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10.5.08

For twenty nine years


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9.5.08

Ligeiramente enfastiado

Permitiu que o sorriso se desvanecesse lentamente enquanto olhava as flores das ervilheiras que desafiavam a comovente escuridão da terra. Nesse momento tudo se clarificou: é preciso estar sempre insatisfeito, acreditar no que o vagabundo conta entre as moedas e cagar em casas de banho públicas (assim, não tens que limpar a merda que fazes).

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8.5.08

Passeio Público

(Uma sombra de outra sombra)

Nas ruas da cidade, desde os Arcos à Portagem, remanescem as sobras que evocam o caos da festa. A recolha do lixo foi diligente e eficaz mas há sempre uma lata, um copo de plástico ou uma flor de papel que ilude o olhar treinado dos funcionários camarários que, no final do cortejo da Queima das Fitas, procuram desembaraçar o percurso dos carros floridos de todas as reminiscências festivas (leia-se: de toda a sujidade) que se espraiam indolentemente pelo chão. Tudo como dantes. As coisas permanecem iguais mesmo quando mudam.

Na última crónica (Jornal de Notícias, 30/04/2004) aludi às modificações impostas pelo Conselho de Veteranos ao programa da Queima das Fitas. O cortejo realizou-se, pela primeira vez, ao domingo. Todavia, não fosse a caução tranquila do calendário, muitos acreditariam que a semana ia quase a meio e que aquela tarde era de terça-feira. De um ano qualquer.

A memória é fluida, uma maré de pensamentos. Por vezes, cria passados quando os deveria recriar. A verdade é que, no último domingo, durante o cortejo (dos Grelados, agora) vi-me reconduzido a todos os cortejos a que assisti no passado: os eventos mais genéricos do desfile, todas as suas minudências, revelando-se em concordância com um plano antigo, presciente e costumado.

Nos jornais, as descrições e as fotografias que se referem à última tarde de domingo remetem-nos para um paradoxo nebuloso: o cortejo mudou, o cortejo é o mesmo. As capas esvoaçantes, a desarrumação de cores e papel dos carros alegóricos, a detonação dos abraços, a contestação irónica, os bancos desdobráveis, as famílias ensoberbecidas, o meneio ébrio dos “éférreás”, as pipocas e os balões. Avatares de terno retorno (ou a inescapabilidade do cliché). Faces de um romantismo extemporâneo que sustentam o mito da Queima das Fitas.

Na realidade, alguma coisa mudou – um detalhe, apesar de tudo, relevante. As garrafas de vidro foram proibidas no cortejo. Uma cerveja enlatada, mau grado o enjoo que provoca aos adeptos da garrafa, embebeda e anima o estudante mais sequioso: isso é certo. Mas o seu recipiente não castiga e fere como os (desleais) pedaços de vidro que atapetavam as ruas em desfiles passados.

Ainda assim, dezenas de estudantes (e não só) foram assistidos pelo INEM, a maioria das quais devido a excessos de consumo de álcool. Os incidentes esporádicos de violência ou a sinistra incineração criminosa de carros alegóricos embaraçaram, também, o trajecto dos Grelados.

Contingências da festa. As fitas foram as de sempre.

(Ontem, 07/05, no Jornal de Notícias)

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6.5.08

Semantização

Os meninos hão-de escrever uma palavra que não será mais que isso.

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3.5.08

A truant finds home

É amanhã, é ridículo. I'll be there.

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1.5.08

Passeio Público

(Nesta cidade onde fomos jovens)

Parece um epitáfio: nesta cidade onde fomos jovens. Ainda não sou um velho (vem longe a condição) mas envelheço, torno-me memória. O meu corpo é o mesmo, a cidade também. “Aqueles” sete dias, não. São nove.

Sete dias (nove) que, como dizíamos dantes (“antigamente”), valiam por dois meses nas Caraíbas. Agora não valem grande coisa, digamos que valem apenas o que valem, sete dias (nove) de vida mediana, trivial: acordar às nove, banho e dentes, pequeno-almoço, trabalho, almoço, café, trabalho, café, casa, cama. Vinte e quatro horas vezes sete (nove) disso. Não estou para fazer as contas. Não é disso que quero falar.

A Queima das Fitas. Agora são nove dias. O Cortejo é ao Domingo. O Cortejo é dos Grelados (e não dos Quartanistas). O Quim Barreiros não vem (o melhor da noite do Cortejo talvez fosse a romaria ao palco principal para prestar humilde e sincera homenagem ao Quim, bardo popular e animador de multidões). Há uma mascote: o risonho Fitas. A Serenata Monumental que, tradicionalmente, assinalava o começo das festividades, partilha a noite com o Parque.

A Queima das Fitas? Uma festa de estudantes ou um festival de Verão (em Maio)? As diferenças são poucas - na primeira, as pessoas usam traje académico e não as coloridas pulseiras de plástico. O resto é negócio. A alma já não se vende, nunca existiu.

Isto dito, não abomino radicalmente a essência das alterações ao programa da Queima das Fitas de Coimbra. Não partilho a ideia de que a tradição deve permanecer imutável e encerrada numa espécie de cápsula onde qualquer metamorfose se detém. A tradição releva sempre de um passado, é certo. Um passado que se usa, ou não, na construção do presente. Esse é o encanto da tradição, a sua fluidez na constância. Resta a adaptação à incerteza do que se prepara com afinco na Padre António Vieira. As pessoas vão gostar. Não é difícil.

A nossa hereditariedade deve ser usada e não negada, observou sensatamente Eliot. Ideia ambígua, e frágil, diante das promessas enleadas na mudança e na rebeldia oposta à tradição. Tudo isto tem um preço. Pago por uma cervejeira e pelas famílias domingueiras que não hão-de faltar aos abraços satisfeitos do Cortejo.

Nada disso interessa. A festa continua.

(Ontem, 30/04, no Jornal de Notícias)

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