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10.4.10

Passeio Público

{Cultura}
Quando se fala da “cultura Coimbrã”, seja lá o que isso for, a retórica dos tribunos cede quase sempre à territorialização excessiva de culpas, responsabilidades e comprometimentos. Por outro lado, à voragem da escolha inequívoca de campo junta-se a tendência para o consabido, ou seja, a propensão para destacar de forma acrítica todos os postulados e lugares-comuns que nem sempre correspondem à verdade.

Possivelmente, não será inteiramente lícito corresponder à impressão generalizada de “decadência cultural” uma culpabilidade autárquica (designadamente à anterior vereação da Cultura), ou mesmo corresponder essa mesma sensação transversal de declínio à realidade.

O estado da cultura em Coimbra é muitas vezes pintado de tal modo que se torna difícil contestar, ou mesmo discutir, a sua situação de forma criativa e fecunda – e, como é de supor, não se espera que os debates, mais ou menos cíclicos e redundantes, balizem estratégias e planos com sequência prática a médio e longo prazo. Parece claro que Coimbra não deve muito a outras cidades no que respeita à quantidade e qualidade da produção cultural – o que se verifica, indubitavelmente, é uma fragmentação e uma desarticulação programáticas que dificultam a fidelização de públicos e criam uma sensação difusa de vazio ou pequenez.

Contudo, a diagnose de uma espécie de depressão endémica na cultura da cidade vem sendo feita já há muito tempo, por pessoas afectas a sensibilidades e ideologias diversas. Este diagnóstico, por muito rígido que possa parecer, não pode ser tomado como uma falácia absoluta. As pessoas não sentem no vácuo: algo se passa na cultura em Coimbra, que não se isenta de imperfeições e lacunas.

O discurso prevalente sobre a cultura Coimbrã, que enfatiza a perda e o declínio (uma construção típica de um certo provincianismo), coexiste com a defesa de um “estado cultural” auspicioso, criativo e luminoso. Podíamos concordar com qualquer uma das posições mas felizmente o mundo não é a preto-e-branco.
{Sexta-feira, 02/04, no Jornal de Notícias}

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4.6.09

Passeio Público

(História de duas cidades)

A cidade submerge as pessoas; é isso que ela faz embora imóvel e enfraquecida; deixa-lhes o espaço da sobrevivência e pouco mais: este dia igual a outro dia, este jardim obscuro, este teatro despenhado. A cidade é um inventário de meia página. É preciso amá-la para lhe reconhecer os defeitos, é preciso amá-la para a tornar grande. “Os romanos não amavam Roma porque era uma grande cidade; foi porque a amavam que Roma se tornou uma grande cidade”. Pode acontecer que as palavras de Chesterton sejam verdadeiras.

Considero Coimbra, descrevo mentalmente a sua política cultural, e parece-me que caminho sobre as ruínas de um sonho. Admito-lhe um destino menor, obviamente comparativo, ponderado em relação a Lisboa ou ao Porto, cidades maiores, evidentemente. A comparação, quando se faz, é para ser feita com o que está de alguma maneira acima de nós. Contudo, os homens (e as cidades) não sem medem aos palmos.

O destino de uma cidade não depende apenas de estatísticas ou da demografia. Uma cidade pequena (digo, com pouco habitantes) pode seguir, e algumas seguem, uma política cultural fecundante e dinamizadora, apropriada em cada momento e para cada solicitação. Neste sentido, é inteiramente justa uma comparação de Coimbra com a Figueira da Foz. A cidade com a maior população do distrito, aquela; a cidade com a maior sala de espectáculos da região, esta.

Numa altura em que se comemora o sétimo aniversário do Centro de Artes e Espectáculos (CAE), talvez o mais dinâmico espaço de cultura da região Centro, a Figueira da Foz avassala Coimbra, cidade ultimamente pouco centrada na cultura. Recordemos, por exemplo, as notícias de salários em atraso no Teatro Académico de Gil Vicente. Felizmente, a Figueira só fica a 45km de Coimbra e, para além do CAE, beneficia ainda da consciência apaziguadora do mar.
(Ontem, 03/06, no Jornal de Notícias)

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22.1.09

Passeio Público

(Falta de visão)

O facto não é teológico: ao sétimo ano, o “Coimbra em Blues” descansa. Assim mesmo. Depois de seis edições, o Festival que translada a melancolia ferida do Mississípi para a placitude do Mondego não se vai realizar. A decisão é irreversível e já foi confirmada pelo director artístico do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), Francisco Paz. Quanto a este ano, estamos conversados; para o próximo, logo se verá.

Consta que o Festival é “a menina dos olhos” do TAGV. Dois mil e nove será, portanto, um “ano cego” no Teatro Académico. De resto, a “falta de visão” parece não ser descalabro recente. O “Coimbra em Blues” tem “projecção nacional e internacional” e não se realiza, de acordo com Francisco Paz, por falta de apoio da Direcção-Regional de Cultura do Centro (DRCC). Contudo, o auxílio da DRCC foi assumido, desde o início, como “temporário” e “provisional”; o que sugere, aliás, a inexistência de uma visão estratégica a longo prazo para o Festival.

Qualquer observador imparcial percebe que a consolidação de parcerias institucionais seria a pendência a resolver desde o princípio – uma crítica que se adivinha nas declarações do director regional de Cultura do Centro, António Pedro Pita, que admite a existência de “falhas” em todo o processo.

Já se sabe: é o dinheiro, e não uma qualquer lei da Física, que faz mover a terra. Acresça-se ao vil metal alguma vontade - e tudo aparecerá feito (ou: talvez não). Infelizmente, a vontade não desvia montanhas e a falta dela ainda menos. Paulo Furtado, o director artístico do “Coimbra em Blues” afirma-o, em letra de lei: a interrupção do Festival deve-se, não à falta de apoios, mas à falta de vontade da direcção do TAGV. Eu gosto de acreditar em alguém que toca 3 ou 4 instrumentos em simultâneo – e que conhece, como ninguém, os furtivos meandros do Festival.

Não há esplendor que perdure nesta cidade. Recordo os “Encontros de Fotografia”, mortos e enterrados, e todo o filistinismo da cidade. Regressamos aos mesmos caminhos e voltamos a errá-los.
(Ontem, 21/01, no Jornal de Notícias)

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31.5.08

Os livros ardem mal



O convidado da próxima sessão de Os livros ardem mal, que decorrerá no dia 2 de Junho (2a. feira, 18 horas, no Café-Teatro do TAGV), será o poeta, crítico e cronista Pedro Mexia.

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29.5.08

Antes que o «Maio» chegue ao fim

28.5.08

Weekly Review


(29 de Maio, quinta-feira, 21 horas, Fábrica Braço de Prata)

Exibição do documentário Estado de Excepção, de Ricardo Seiça Salgado seguida de conversa com Ricardo Seiça Salgado, Hélder Costa e Miguel Cardina.

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17.4.08

Weekly Review #2


A Caravana de Rui Manuel Amaral passa no dia 19 de Abril na livraria Gato Vadio (Porto).

(Angelus Novus)

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Weekly Review #1


Lançamento da revista Big Ode em Coimbra (Galeria Bar Santa Clara, 19 de Abril, 22:30h)

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19.3.08

Weekly Review (act.)

Pedro Mexia é o novo sub-director da Cinemateca Portuguesa. Uma excelente notícia para quem, como eu, gosta de cinema e do Pedro. Entretanto, Miguel Alberto Valente deixou a ASA, editora que prestigiou desde 1991. Com ele saiu Francisco José Viegas, que se mudou para a Bertrand. O meu abraço a ambos. Mais uma saída: Manuel Portela demitiu-se do cargo de director do Teatro Académico de Gil Vicente. Uma péssima notícia para cultura conimbricense.

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26.2.08

Cultura #3


[O Porto Oriental no final do século XIX por Jorge Ricardo Pinto]

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19.2.08

Cultura #dois


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Cultura #um

A Editorial Caminho e a Livraria Byblos têm o prazer de convidar V.Exa. para a apresentação do livro Ritos de Passagem, de Paula Tavares, com figurações de José Luandino Vieira.
Na sessão estarão presentes os autores que falarão da obra. O evento realizar-se-á no próximo dia 20 de Fevereiro, pelas 18:30 horas no Auditório da Livraria Byblos [Amoreiras, Lisboa].

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24.1.08

Coimbra: amigos da cultura