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5.3.11

Passeio Público

(For why hide my feelings?*)

O que é Coimbra? O que é a Universidade? O que é uma coisa sem a outra? Perguntas embaraçosas, por certo, mas que não estão para além de todas as suposições. É difícil pensar Coimbra sem a Universidade – e o reverso é igualmente exacto. Parece-me, portanto, bastante feliz a formulação de Seabra Santos (a poucos dias de abandonar a reitoria) quando afirma que “a Universidade e a cidade são complementares e indissociáveis”. A frase surgiu na sequência da XIII Semana Cultural da Universidade de Coimbra, que irá decorrer entre os dias 1 e 6 de Março e subsume esse conceito, absolutamente fundamental e axiomático, que define uma cidade em relação a uma instituição, e vice-versa.

Em qualquer ponto da cidade é normal sentir-se a relação jurídica com a Universidade – como se cada rua respirasse através de um pulmão instalado na Alta. Na verdade (e por muito que se diga em contrário), esta relação de sete séculos carrega mais amor que ódio, apesar das esporádicas e expectáveis desavenças conubiais. Coimbra e a Universidade ganham muito através da sua ligação, muito mais que aquilo que perdem, já perderam ou virão a perder. A Semana Cultural é um símbolo dessa união de natureza consubstancial, um momento em que a partilha entre cidade e Universidade é mais intensa, mais visível e relevante.

Durante uma semana irá celebrar-se, não a certeza de uma relação entediada, mas o fulgor da mútua surpresa – é possível que se celebrem inconscientemente sentimentos fortes de pertença e comunhão. Lembram-se do que disse Dido?* Talvez não, ela disse tanta coisa sem ademanes de especial eloquência, aflorando assuntos irrelevantes e, diria mesmo, aborrecidos como a amargura da cigarra no Verão derradeiro. No entanto, a recordação de algumas das palavras de Dido (ou de Virgílio) é necessária e importante. Coimbra precisa de revelar o que sente pela Universidade. A Universidade precisa de revelar o que sente por Coimbra.

(25/02 no Jornal de Notícias)

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3.7.10

Passeio Público

{Reestruturação dos saberes}
Portugal já abandonou a África do Sul e o campeonato do mundo de futebol. O ketchup de Ronaldo durou pouco (era expectável), a vulgaridade táctica da equipa de Queiroz não convenceu ninguém (a começar por Deco) e os nossos vizinhos carimbaram irreversivelmente o passaporte de um grupo que, afinal, era feito de vedetas de papel (Eduardo e Fábio Coentrão foram as agradáveis excepções/surpresas).

Felizmente, não houve tempo para a depressão se instalar: duas equipas da Universidade de Coimbra (UC) foram campeãs do mundo em robótica, nas categorias de Dança e Busca & Salvamento. Parece um feito pouco extraordinário, se comparado com uma possível vitória na África do Sul, mas mostra que somos bons nalguma coisa – muito bons – e saber isso é importante, especialmente durante o período crítico que o país atravessa.

A investigação que se faz na UC, e noutras universidades portuguesas, garante-nos um nível mínimo de sanidade e orgulho. É, portanto, num contexto favorável que se discute a “reestruturação dos saberes” na mais antiga universidade do país. O processo poderá ter implicações tremendas sobre a estrutura orgânica da instituição, a começar pela eliminação de algumas faculdades (a de Economia, por exemplo), o desaparecimento de uma série de cursos e a migração de outros para unidades novas ou reconvertidas.

Uma instituição académica tão venerável só pode projectar-se decisivamente no futuro se souber adaptar-se – e é óbvio que a UC se adapta bem às mudanças dos tempos, senão já tinha definhado e desaparecido –, se não tiver receio de fazer uma auto-crítica consciente e reiterada. A reestruturação dos saberes da universidade poderá estabelecer um novo paradigma de sucesso e aclimatação, e deve fazê-lo através da crítica construtiva do passado e num contexto de respeito democrático pelas opiniões das mulheres e homens que nela estudam e trabalham.
{Ontem, 02/07, no Jornal de Notícias}

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7.11.09

Passeio Público

(Aparências)
Um olhar superficial revela apenas uma fracção parcelar da natureza das coisas. Aparentemente, a Universidade de Coimbra (UC) passa por um bom momento, abainhado por um conjunto de circunstâncias que erigem um muro de optimismo em redor das faculdades.
De facto, a UC é a instituição académica portuguesa mais bem classificada num ranking internacional publicado pelo jornal inglês The Times. A venerável universidade conimbricense ascendeu, este ano, à 366.ª posição a nível mundial, e é mesmo considerada a terceira melhor do espaço da lusofonia e a sexta melhor da Península Ibérica. Coincidentemente, o seu orçamento para 2010 ultrapassa, pela primeira vez, os 200 milhões de euros; e a candidatura a Património da Humanidade apronta os derradeiros detalhes da apresentação final à UNESCO. Não há como evitar a máxima de Pangloss: tudo vai pelo melhor, no melhor dos mundos possíveis.
Infelizmente, quando aproximamos o olhar descobrimos pequenos defeitos, ou irregularidades, que dilapidam o capital de optimismo que antes acumulámos. O orçamento é, na aparência, desafogado; contudo, apenas 30% (60 milhões de euros) das verbas serão canalizadas para unidades não relacionadas com o pagamento de pessoal. A investigação científica, por exemplo, será contemplada com 20 milhões de euros. Eu acho que é pouco. O prestígio das universidades alicerça-se na marca pedagógica e, sobretudo, na qualidade da sua investigação científica. Que, evidentemente, não se faz sem dinheiro. O corte no Orçamento de Estado das verbas para o ensino superior é o principal responsável pela inadequação das verbas destinadas à investigação. Quanto a isso, há pouco a fazer.
Apesar de tudo, o momento é extremamente positivo. O espaço simbólico da UC pode ter diminuído, mas o mundo é constituído por factos e não por nostalgias. E a Universidade de Coimbra tem sabido crescer, apesar das dificuldades orçamentais (mais do que triviais nas universidades portuguesas). Sete séculos de história e um futuro: que se cumpram na velhice as promessas da juventude.
(Ontem, 06/11, no Jornal de Notícias)

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19.9.09

Passeio Público

(Por Coimbra)

“Por Coimbra não vai nada, nada, nada? Mas mesmo nada? Tudo!” Parece slogan eleitoral (e para isso foi recentemente amputado) mas a história destas palavras é mais antiga, e eleva-se definitivamente sobre as futilidades insistidas nos cartazes de campanha. Estas palavras pertencem à academia de Coimbra (se é que se pode falar de pertença e posse) e não, como parece ocorrer a alguns, ao indivíduo A ou ao partido B.

De facto, a realidade parece opor-se a este postulado fundamental. A utilização de uma parte da expressão relacionada com um dos gritos tradicionais da academia (a saber: “Por Coimbra”) pela candidatura de Pina Prata motivou uma queixa à Comissão Nacional de Eleições por parte da candidatura do PSD/CDS/PPM. Carlos Encarnação e a sua equipa insinuam-se como os legítimos senhores de tão populares palavras. Afinal, usam-nas em campanha desde 2001. Justifica-se a sua propriedade por usucapião: o uso fixa o dono.

Carlos Encarnação e Pina Prata disputam algo que não é pertença de nenhum dos dois. Não o fazem por falta de imaginação ou plágio (o chavão já havia sido utilizado pela candidatura de Mendes Silva, pelo Partido Socialista, em 1982) mas porque partilham a mesma concepção política para Coimbra. Porque apesar de inspirarem posições antagónicas são fundamentalmente iguais.

O que fazer com as palavras? Que as palavras interessam já o havíamos dito, mas talvez possamos pendurar a esse lugar-comum ainda um outro: as palavras revelam ao mesmo tempo que ocultam. Esta é, seguramente, uma trivialidade paradoxal mas justa. O significado veiculado pelas palavras é fluído e poroso, impreciso e vago, carcomido incessantemente pela mudança de interlocutores e interpretações.

No entanto, alguma coisa permanece imutável no caos da comunicação, passível de ser escrutinada e comentada. Coimbra não precisa destes gémeos desavindos mas de uma verdadeira alternativa de esquerda. A responsabilidade de trazer a política a sério para a campanha cabe agora ao Partido Socialista, ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista.
(Ontem, 18/09, no Jornal de Notícias)

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26.3.09

Passeio Público

(Suspensão temporária das propinas)

O que se passa na Universidade de Coimbra (e em muitas outras universidades portuguesas) é tão grave que requer súplicas impossíveis, apoio enérgico, e medidas extremas. Muitos estudantes vêem-se confrontados com a anormalidade da crise e deixam de estudar por razões económicas; alguns, como na Universidade da Beira Interior, recorreram mesmo ao Banco Alimentar Contra a Fome. Não ter dinheiro para pagar as propinas, e desistir de estudar por causa disso: é esse o destino indiferente de centenas de estudantes, a transposição miserável de um qualquer cabo da desesperança.

Apesar da situação na UC não ser das mais trágicas, a Associação Académica de Coimbra decidiu manifestar-se, exigindo o reforço da acção social escolar. Felizmente, a solidariedade ainda é uma marca da academia conimbricense. Não obstante, o ar do tempo não se compadece com intercessões desanimadas. As exigências deveriam cultivar o excesso e a demagogia, o denodo selvagem dos zelotas. Nada receber, tendo pedido tudo: eis um desaire honroso, um destino preferível, apesar de tudo.

E se em vez de uma “suspensão temporária da democracia”, de acordo com os anseios “irónicos” de Manuela Ferreira Leite, os estudantes exigissem uma “suspensão temporária das propinas”?
Revolta e fogo gratuitos? Não me parece. Talvez um desafio à farsa da vida e, no mínimo, um repto mobilizador ao Governo. Ao país, sobretudo. O marasmo é sempre pior que um passo em falso.

Os bons leitores são uma espécie desprotegida e, por vezes, podem sentir-se atacados por esta espécie de provocação amigável. Ou melhor: por esta provocação utópica. Por vezes, reclamar o impensável é a única forma de urgir o futuro.
(Ontem, 25/03, no Jornal de Notícias)

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15.1.09

Passeio Público

(Estudar custa)

No momento em que Vítor Constâncio anunciou que a economia do país se encontra oficialmente em recessão, os portugueses começaram a preocupar-se, também oficialmente, com a crise. Afinal, ainda no passado mês de Dezembro, as vendas da BMW tocaram luas nunca antes visitadas pelos humanos deste magnífico país. A crise parece começar só agora, depois da confirmação médico-legal do presidente do Banco de Portugal – de resto, a pulsão escapista do novo-riquismo luso talvez nem admita que se mencione a “crise”, e muito menos que alguém a tome como um facto consumado.

(Ou muito me engano, ou Portugal passou directamente do neolítico para a pós-modernidade, da enxada forçada para o telemóvel diletante.)

De resto, a população encontra-se atolada numa crise que não deve nada a decretos oficiais nem a consumismos fátuos. Para muitas famílias, a economia doméstica atingiu o limiar da desagregação, e o horizonte parece não desanuviar. As contas familiares preferem a adição à subtracção – e, para além dos gastos supérfluos, existem as facturas inescapáveis, como as da luz e da água.

Um estudante da Universidade de Coimbra (UC), por exemplo, gasta mais de 5.000 euros por ano (cerca de 600 euros/mês), de acordo com um estudo solicitado pela Associação Académica (AAC). Não é difícil fazer as contas e concluir, como o presidente da AAC, André Oliveira, que ser estudante “não é para todos”. Bastar-nos-á considerar os salários médios dos portugueses para depreendermos que muitas famílias não têm capacidade para ter um ou mais filhos a estudar na universidade.

A pesquisa recentemente divulgada revela que o “estudante-tipo” da UC não é de Coimbra – sendo “obrigado”, portanto, a arrendar um quarto ou um apartamento. Os gastos com a habitação e as propinas são, de resto, os que mais exageram o débito estudantil. Mas há outras despesas, nada despiciendas: a alimentação, os livros e fotocópias, os transportes… Um buraco sem fundo, e dias pesados.

Este estudo mostra, também, que a maioria dos estudantes usa viatura própria na deslocação para as aulas. Expressão enevoada. Isto leva-me de volta aos recordes da BMW e à alma tacanha deste país.
(Ontem, 14/01, no Jornal de Notícias)

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23.10.08

Passeio Público

(A lata de uma festa)

Setembro acabou há muito. Outubro fina-se daqui a pouco. Os regressos a Coimbra estão consumados. Os caloiros, amansados pela tosquia pateta da praxe, vivem já na esperança do festim académico que lhes há-de dar alguma trégua. Amanhã, tudo o indica, começa a Festa das Latas e Imposição das Insígnias. A Latada, como é carinhosamente reconhecida por família e amigos.

As mudanças anunciadas para este ano não escapam a um certo ar inofensivo de arrumo cosmético. Na Queima das Fitas, com certeza que se recordam, a adulteração foi maior, mais impositiva. Nem melhor, nem pior, afinal. A festa começa com a tradicional Serenata e alonga-se, interminável, por quase uma semana.

A Latada, para além de todos os excessos que a maculam, determina simbolicamente o reinício das aulas na Universidade de Coimbra. Sempre foi assim – pelo menos desde os anos de 1950. Todos os anos se renovam os gestos fundados por outros num passado mais ou menos distante.

Todavia, o passado já não existe – é com tristeza que o digo. É um porto a que não se volta. As pessoas consomem-se na nostalgia do que foram «aqueles idos tempos», afundam-se nessa esperança inútil de que o tempo volta para trás; e, no entanto, a vida pode ser mais simples e promissora que essas comemorações melancólicas e tudo o que as pessoas deviam fazer era olhar para o que têm defronte de si, para o desafio que as espera num episódio mais à frente.

A vida é uma sucessão ininterrupta de rezas e chavões, de datas festivas ou desprezíveis, de sementeiras e colheitas – até que, um dia, tudo acaba. Perante esse desfecho forçado, sobra ao homem o asilo na solidez da repetição.

Conscientes de que o futuro, afinal, se cava na terra e depois se tapa com mármores, as pessoas não gostam de fechar o ciclo que os afasta irremediavelmente do ventre inicial, não consideram, e muito menos apreciam, uma separação de toda a ilusão retrospectiva. Após as memórias, sobra o sorriso com mais ou menos incisivos, ou a lágrima furtiva dos sentimentais; e, não duvidemos disso, a mágoa dos dias como que se ressente ou, pelo contrário, cumula-se ainda de forças insuspeitadas.

Voltamos às latas. Ao entrechoque do passado semi-mítico com o presente interesseiro das cervejeiras. A festa reforma-se mas, aparentemente, é sempre a mesma. Pelo menos, este ano a última noite será para todos os estudantes – a Direcção Geral da AAC é magnânima. Portas abertas e utópicas: o «parque» acometido por todos; liberdade, igualdade e a outra que me escapa. Um desafio de cidadania. Uma voragem das injustiças académicas.

Talvez não – afinal, a Universidade ainda é uma cidadela mais forte que o Politécnico. O passado, afinal, não se corrige. A ideia é boa mas peca pela discriminação dos estudantes dos institutos politécnicos. Engasga-se na condição que separa uns que são mais, de outros que são, sem dúvida, menos. Para o ano há mais e pior. Alguém tem que conservar o pessimismo.
(Ontem, 22/10, no Jornal de Notícias)

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