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14.12.08

Chronopolis


(Edward Hopper, 1932, Metodist Church of Provincetown, Wadsworth Atheneum Museum of Art, Hartford)
Edward Hopper não é, certamente, o meu pintor preferido (esse talvez seja Turner ou, em dias menos nebulosos, Francesco Guardi). Contudo, algumas razões de peso recomendam Hopper ao amante da pintura do séc. XX: é americano, está morto e as imagens que nos legou enformam a matriz de uma boa parte da americana. É estranho (ou talvez não) mas quando vejo um lubrificante da Mobil penso sempre no pintor de Nyack e no seu Gas. Também a pungente ideia de «isolamento na transparência» só pode ser entendida reproduzindo o olhar de Hopper em New York Office ou no celebérrimo Nighthawks.

É óbvio que ainda não falei de Provincetown e da sua Igreja Metodista. Nem vou falar, desenganem-se. Interessa-me apenas a estase a que o pintor sujeitou o sacro edifício branco. É verdade que Hopper suspende o tempo mas apenas na extensão finita da tela. No resto do espaço (emerso e imerso), o tempo persegue ainda o seu infindável desígnio de esquecimento e destruição e, ao contrário da Chronopolis de Ballard, os edifícios públicos não se encontram suspensos no intervalo neutro entre o ontem e o amanhã. Em todo o lado o tempo se arrasta numa passada vagarosa mas decidida. Com bandeiras portuguesas dançando, preguiçosas, entre o vento de Cape Cod.

(Chris Ramirez)

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21.2.08

Ronaldo, Quaresma e outros problemas sentimentais #2

O subúrbio, a auto-estrada, o centro comercial, a bomba de gasolina: limites topográficos de privação sensorial. Espaços de cultura transiente, de omissão relacional, identitária e histórica. Os não-lugares (se tencionarmos frequentar Augé) onde até a realidade irrompe do simulacro; onde tudo é inventado, o aborrecimento, o tédio, a passividade. As paisagens desoladas onde as luzes permanecem acesas mas as pessoas se retiram de novo para a escuridão.

Perante isto, resta a alienação distópica dos indivíduos. O futebol, diz-nos Ballard, é a derradeira esperança de violência da sociedade. Definindo-se numa nova ordem social, baseada na energia e na emoção, os adeptos mais subversivos re-dramatizam as suas vidas através da violência e da agressão, re-primitivizam-se e entretecem um código radical que nega o bem e o mal em favor de uma patologia sublimada. Uma ideologia redentora: a moral cede perante a vontade, a vontade cede perante a loucura.

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20.2.08

Elective insanity

‘People are never more dangerous than when they have nothing to believe in except God.’
‘But what else is there to believe in?’
‘Nothing. Except madness.’
[J.G. Ballard, Kingdom Come, pág. 104]

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18.2.08

Os livros ardem mal

1.2.08

Out of the Unknown


[J.G. Ballard, Thirteen to Centaurus]

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