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14.9.09

Novembro


[Joaquim von Sandrart, November, 1643, Oil on canvas, 149 x 123,5 cm, Staatsgalerie, Schleissheim]

A composição híbrida - paisagem, natureza morta e retrato - impõe desde logo a aporia do olhar. Por outro lado, a abnegação melancólica do caçador, as folhas destroçadas pelo vento, a trela curta que segura os cães e o castelo nas funduras do vale não se compadecem com a dúvida e assinalam o voo destrutivo do tempo.

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22.9.08

Outono #dois


(Joachim von Sandrart, circa 1644, Personificação de Setembro, The Getty Museum, Los Angeles)

Há coisas que vêm por bem: a vertigem mundana das primeiras chuvas, das folhas que desistem sem luta (celebremos o seu destino inexorável, um inconsolado abraço húmido de chão). A cor dos dias cumpre-se nas poucas horas do meio-dia. No resto do tempo vinga o tom da perda. Porém, os olhos dos cães teimam em vigiar o que não é suposto ser vigiado. A luz carcomida dos frutos separa as manhãs das manhãs, o trigo do trigo e o homem do homem.

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