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24.4.10

Passeio Público

{A estranheza da realidade}
Assoberbada e distante, a cidade respira - apesar da frivolidade da meteorologia. As pequenas ocorrências sucedem-se, como os dias, e finalmente esquecem-se. Todavia, antes de desaparecerem no turbilhão, os sucessos mais risíveis e grotescos devem ser evocados, ilustrados com algum zelo vocabular. A cidade merece as suas histórias – mesmo aquelas que desmerecem a cidade.

A Baixa de Coimbra é terreno fecundo para o insólito. Culpa dos homens, claro, e não da geografia. Há pouco tempo, no centro administrativo da cidade, junto ao edifício da Caixa Geral de Depósitos, um homem acabado de sair da esquadra da PSP, alegadamente por ter passado a noite na edificante tarefa de roubar gasóleo, assaltou uma velhota de 94 anos. Um segurança da Câmara Municipal topou o sucedido e lançou o cinematográfico alerta: “agarra que é ladrão!” O nosso herói ainda tentou escapar mas uma milícia formada logo ali apanhou-o num ápice. A notícia não é clara quanto ao destino do jovem assaltante, mas suponho que voltou à rua depois de ter respondido no tribunal pelas suas façanhas.

Não é difícil secundar a presunção de Chesterton quando escreveu que a realidade é mais estranha que a ficção. Para persuadir o leitor mais fleumático, recomendo a leitura atenta e regular da secção de crimes dos jornais. As notícias têm certamente um vínculo com o pequeno mundo dos bairros e ruas das cidades, e com as circunstâncias e minudências das infracções, delitos e ofensas que embotam até o fulgor dos celebradíssimos policiais nórdicos.

A realidade é surpreendente: parece um filme, diriam alguns. O problema reside nas velhotas que ficam para trás, com o maior susto da carreira e uma perna partida. Não há maior realidade que a dor, e isso não deveria ser assim tão estranho.
{Sexta-feira, 23/04, no Jornal de Notícias}

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