<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d5676375\x26blogName\x3dD%C3%A6dalus\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLUE\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://daedalus-pt.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://daedalus-pt.blogspot.com/\x26vt\x3d-8110302918440701225', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>

22.11.09

Passeio Público

(É já amanhã [foi ontem])
Os primeiros anos são sempre os melhores: as caras são frescas e as maçãs também. O arroz é de tomate, a faneca (nada menos que fresquíssima) acompanha. A fruta é tosca, mas o sabor é inconfundível: a César o que é de César, à laranja o que é da laranja. As couves conhecem-se pelo nome (penca, galega, flor, tronchuda, etc.). Há muito mais no seu nome que algumas folhas, filamentos e caule. Há prazeres, e gostos, distintos.

Mais tarde, tudo muda. Imperceptivelmente. Fatalmente. O tempo encurta, deixamos de nos importar com o que comemos. Tornamo-nos reféns dos esquemas miseráveis de polimento da fruta nas grandes superfícies comerciais. Dedicamo-nos a eliminar os pedaços de carne ou vegetais que há muito foram eliminados. Regressámos à escuridão: comemos apenas quando temos fome, alimentamo-nos mal e inquietos com o tempo.

Persuadido da importância do plano rudimentar, mas prudente, de comer sobretudo aquilo que existe num raio de cem quilómetros (duzentos, vá lá), considero útil a adopção de uma estratégia conservadora, mas eficaz: não abrirmos mão daquilo que é manifestamente bom. Andámos a bisbilhotar o futuro mas está na hora de voltarmos ao passado.

De qualquer modo, há um pequeno entrave à bendita consumação desta profissão de fé: não é fácil, digamos assim, encontrar produtos de “agricultura tradicional” (embirro com o termo “agricultura biológica”: toda a agricultura é “biológica”, mesmo a mecanizada e intensiva; prefiro chamar-lhe “agricultura tradicional”) fresquinhos, abundantes e baratos (a sinonímia bendita, glorificada por Miguel Esteves Cardoso).
Felizmente, existe o “Mercadinho do Botânico”, que se realiza todos os sábados no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra e que constitui um bom estímulo para quem defende rotinas sustentáveis de consumo e, sobretudo, para quem gosta de escapar aos sabores uniformes do plástico.O que mais impressiona na Alameda de S. Bento (no Jardim Botânico) é o ar do tempo, pachorrento, luminoso, agradável; o aspecto delicioso de cada peça de fruta, ou de cada pé de feijão, resultante de uma mescla honesta de vanguarda e tradição. É já amanhã.
(Anteontem, 20/11, no Jornal de Notícias)

Etiquetas: , ,