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14.11.09

Passeio Público

(Inversão das transparências)

Já vivi tempo bastante para deduzir o que se esconde nas entrelinhas. Ora, sendo verdade que o presidente da Câmara Municipal Coimbra (CMC), Dr. Carlos Encarnação, constatou finalmente, após oito anos, ponderosas razões para afastar a comunicação social de uma boa parte das reuniões camarárias, devo tentar identificar uma dimensão oculta nesta inusitada exteriorização do poder discricionário.

A interdição é, de certo modo, paradoxal. O Dr. Encarnação aprecia, decerto, o controlo das câmaras – o olhar permanente das câmaras de vigilância que tornam as ruas da Baixa (e os caminhantes abstractos) transparentes à gestão securitária do poder. A decisão de afastar os jornalistas das reuniões da Câmara (a fantasia de um “canal de desatenção”), em concomitância com a videovigilância nas ruas da Baixa, evidencia um desejo de voyerismo unidireccional: o poder pretende ver sem ser visto. A observação (a exposição permanente) é a pré-condição essencial do conhecimento. E é preferível conhecer os outros sem que nos demos a conhecer (é dos livros).

No caso, assistimos a uma inversão das transparências: a função autárquica, escrutinizável por direito, esconde-se. Não obstante, incentiva a observação da vida privada dos conimbricences.
Cada palavra, gesto ou acção releva dos interstícios mais ou menos profundos do córtex cerebral. Quando falamos ou agimos (isto é, quando comunicamos) também exteriorizamos as nossas concepções do mundo. A linguagem despe o pensamento, o lugar do bem e do mal. As pessoas traem o seu espírito em cada gesto que oferecem à rua.

Porém, nem tudo é novo nesta viagem: partes do discurso mantêm-se. Lateraliza-se a culpa: a ponderação do regime não sobrevive na presença de jornalistas, o governo (o “Estado”) ignora a cidade de Coimbra, e o diabo a sete. O Dr. Carlos Encarnação, confiado de fresco no mandato derradeiro, não renega a sua natureza: confia demasiado na dramaturgia do Calimero em interacção simbólica com a omnisciência do deus que não quer ser visto.
(Ontem, 13/11, no Jornal de Notícias)

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