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11.9.08

Passeio Público

(O passado e o futuro)

Vencem-se os anos, silenciosos; não damos sequer por eles, ao contrário dos foguetes que rebentam na noite definitiva, aquela em que o ano velho renuncia ao seu tempo e um novo ano toma o seu lugar. Não obstante, o tempo deixa nas suas margens marcas imperecíveis. Os estigmas da sua passagem melancólica, e inflexível, amontoam-se descuidadamente numa espécie de palimpsesto, enredando histórias múltiplas, desconexas, que vertem no presente uma parte da experiência do passado.

Coimbra é uma cidade antiga, polida pelos séculos, ataviada de costumes e pedras que denunciam a sua anciania, a sua importância, o seu destino de sobrevivência e continuidade. Coimbra usufrui tanto da robustez atarracada da Sé Velha como da elegância longilínea da Torre da Universidade; emociona-se, à vez, com os acordes da “Samaritana” e com o passo cadenciado do andor da Rainha Santa; diverte-se, num continuum ontogénico, no Portugal dos Pequenitos e no Queimódromo.

No entanto, alguns conimbricences conhecem apenas uma passagem superficial da história da sua cidade (se é que sabem alguma coisa relevante para além do facto de Coimbra acolher a mais velha Universidade do país e uma das mais antigas do mundo). O passado impõe-se aos que vivem e visitam a cidade, por força dos seus despojos de pedra, mas apenas aqueles que se excitam na demanda de algo mais que as fachadas dos monumentos conquistam os recatos e os segredos de uma tão vasta história.

Resgatado à voracidade do Mondego pela empenhada acção de um projecto de valorização que teve o seu início durante a década de 1990, o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha prepara Setembro (e o seu devir) com a inauguração de um centro interpretativo. O passado, inscrito na imponência do monumento para que possa ser “visto”, poderá também ser contextualizado e compreendido.

O Mosteiro encontra-se intimamente ligado à Rainha Santa Isabel. Foi fundado em 1286 por Dona Mor Dias (e não por Isabel de Aragão, como é comum pensar-se), piedosa e rica senhora da cidade. Ciclicamente oprimido pelas águas do rio Mondego foi abandonado definitivamente em 1677. O piso intermédio, acrescentado em 1612-15 para obstar a subida das águas, enforma uma indulgente metáfora da passagem do tempo numa cidade revestida por tantas camadas de história.
(Ontem, 10/09, no Jornal de Notícias)

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