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21.1.08

Anamnese criativa

Como reconstruir o puzzle? Peças a menos, o trivial: dedos gordos de crianças e bocas à espera do incisivo primevo, recantos de sala, um sofá enrugado de rabos recorrentes. As lacunas preenchem-se com uma coisa qualquer, não é isso que interessa, o puzzle tem é que convidar para o sentido, retomar um enredo possível - desejado, até, mas radicularmente utópico. Há muitos anos, não sei bem quantos, comecei a ler O músico cego de Korolenko numa edição de bolso da Europa-América, muito verde e branco no limiar subtil de 3 figuras agónicas a tocar pífaro e balalaika. Digo comecei porque não cheguei a terminar o livro: faltavam as últimas 23 páginas. Quando me apercebi disso fiquei puto de raiva, se fosse rapariga até tinha chorado e tudo (deixai-me desmontar este momento perturbante de machismo: isto é pura provocação, eu sou feminista, feminil e adoro fenilalanina). A verdade é que o mundo não acabou ali, com a falha física do livrito e a falha moral que é a marca ingénita de uma história abandonada a meio. Parece-me até que os pássaros depois disso continuaram a voar, a cantar - mas só aqueles que cantam - e a cagar os vidros dos carros e das janelas dos prédios mais altos. Foi isto, comecei e, por motivos de força máior, não acabei. Inventei: Casei o Pedro, o músico cego, com uma mujique que quando o viu (e ouviu) a primeira vez disse: Ena! O moço toca tão bem! É capaz de chegar acolá mas não à outra que é mais longe e mais grande*. Mas isto são devaneios pouco profícuos para uma resposta hipotética à questão que encima o texto. Não vou tentar responder agora. O puzzle segue aconchegado num envelope pequeno. Se o encontrares poderás fazer a anamnese de uma história omissa, inacabada; poderás fazer dele o que quiseres.
*Por quem é?

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