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12.9.07

Passeio Público

Setembro é o mês de todos os regressos. Refiro-me, particularmente, aos estudantes. Após um mês de mansa vilegiatura, de descanso e de recreação, em Coimbra, prepara-se agora o palco de mais uma dramaturgia na vida do aluno arquetípico da Universidade, tantas vezes (mas cada vez menos) um peregrino de outras terras que se torna hóspede temporário da cidade.
Enquanto alguns estudantes desbotam o bronzeado sobre as páginas dos calhamaços ou bebem as últimas cervejas da estação, outros, os "de fora", começam a procurar as casas que lhes hão-de acolher os ossos e a existência durante o quase sempre penoso e fatigante ano lectivo. Se considerarmos que, dos quase trinta mil alunos que todos os anos frequentam a Universidade e os Politécnicos de Coimbra, cerca de metade provém de quase todos os cotovelos do país, aferimos facilmente a envergadura e as potencialidades do negócio de arrendamento na cidade.
É certo que alguns (muito poucos) privilegiados, com pais abastados e pródigos ou família chegada na cidade, se acomodam de forma diversa a quem tem que arrendar casa ou quarto, negociando um T1 perto das escolas ou experimentando viver finalmente com a avó ou os tios que nunca tiveram filhos. Não obstante, a maior parte resigna-se a buscar o pragmático quarto (de preferência, em apartamento sem senhorio) nos painéis dispersos pelas faculdades ou nos jornais regionais, resignando-se como Job aos preços imoderados (quase sempre discricionários) e, às vezes, às deploráveis condições de habitabilidade dos aposentos arrendados.
Deixem-me contar-vos uma pequena história. Não há muitos anos, frequentava eu a licenciatura em Antropologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, fui compelido a efectuar um daqueles "trabalhos de grupo", usuais em qualquer curso universitário, no apartamento de um colega. O prédio onde ele morava, esconso e decrépito, espraiava-se melancolicamente numa das ruas da Alta, junto à Faculdade de Psicologia. Era uma noite de Inverno e chovia na rua - mas também no quarto do meu amigo. Quase tanto como lá fora. Julgo, sem todavia ter qualquer certeza, que os ratos e outras bichezas eram visita trivial daquela casa onde, para chegar ao seu próprio quarto, o meu colega era obrigado a permear silenciosamente a câmara habitacional da senhoria, enferma e sempre acamada. Os odores da casa debandavam para além do inominável e os móveis acumulavam tanto pó que quase se podia sustentar ali uma pequena horta. Fez-se o trabalho, obviamente, mas em outro local, mais aprazível a tarefas escolares. Ali não se vivia, sobrevivia-se.
Felizmente, parece-me que as coisas mudaram um pouco. Numa notável iniciativa, a Associação Académica de Coimbra emite, de algum tempo a esta parte, certificados de habitabilidade que asseveram o valor dos apartamentos para arrendar à comunidade estudantil. Uma comissão de alunos visita as casas e julga-as de acordo com um conjunto de critérios de qualidade, dando-as (ou não) como passíveis de serem ocupadas por estudantes. Numa conjuntura em que, tanto a Reitoria da Universidade como a Câmara Municipal, se demitiram do seu dever de fiscalização, esta é a única maneira de assegurar alguma probidade no anguloso mercado do arrendamento conimbricense.

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