<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d5676375\x26blogName\x3dD%C3%A6dalus\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLUE\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://daedalus-pt.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://daedalus-pt.blogspot.com/\x26vt\x3d-8110302918440701225', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>

16.2.04

Boa noite

Aquele rosto sem nome, pétreo e de cor indefinida, avizinhou-se de nós no limbo pardacento do estacionamento e, com a voz limpa e vítrea, ciciou a justa litania de uma vida de desesperança. Falou, discorreu longa e fragorosamente sobre a sucessão ininterrupta de martírios e cruciações que era o filme da sua existência. Drogado, seropositivo e sem-abrigo, emblemas maiores de um self esgarçado pela miséria e pela mentira. Mais vale sancionar esta como verdade e esquecer para continuar. Tenho a certeza que a sua vida era bem pior que aquela descrição esforçada. Sei que existem formas de padecimento intransponíveis para uma configuração falada, verbalizada. Como pode o frio ser traduzido numa palavra, numa frase? É preciso senti-lo. Deixá-lo subjugar o corpo. Lembrámo-nos, “É a segunda vez que nos enganam desde que chegámos”. E isso não pesou na nossa decisão, não podia pesar quando o desvelo, o empenho no discurso era tão evidente. Nem na miséria existe igualdade e decidi, talvez plutocrata e nada cristãmente, que aquele seria recompensado. Pelo esforço.