<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d5676375\x26blogName\x3dD%C3%A6dalus\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLUE\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://daedalus-pt.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://daedalus-pt.blogspot.com/\x26vt\x3d-8110302918440701225', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>

15.10.09

Melancolia de pássaros

O andorinhão, pássaro insectívoro, caçador breve de moscas e melgas (alimento apenas comestível), possui um sistema de orientação evoluído, quase irrepreensível, que lhe permite, por exemplo, contornar borrasqueiros e tempestades. Raramente se apeia do conforto do vento e fá-lo apenas para nidificar (para doar vida) ou para morrer. O andorinhão dorme em voo absoluto. It sleeps in the wings, como dizem os ingleses. Não sei como o faz, ou porque o faz – talvez se sinta mais seguro arredado da terra, das suas misérias e dos seus parasitas.

Foi ontem (não foi) que encontrei um andorinhão (um milhafre pequeno, pensei) na Reserva do Museu Antropológico da Universidade de Coimbra – Secção das Colecções Esqueléticas Identificadas. Esboçava um voo indefeso e tremelicado, destinado ao chão, não sem antes acometer, com alguma violência, os armários que protegem os crânios de homens e mulheres de segunda morte (são 2000? 3000?). Percebi-lhe a aflição do náufrago, do tresmalhado, peguei-lhe com água de matar a sede e outras delicadezas, mas em vão: ele partira já. Julgo que morreu imediatamente, no momento em que tocou o solo, quando vislumbrou a morte reflectida nas vidraças dos armários e percebeu que era da natureza dele viver só a voar. O resto, aquele bater de asas hesitante, foi apenas um derradeiro paroxismo ou, talvez, uma forma de agradecer a quem o criou assim.

Etiquetas: ,