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12.6.09

Passeio Público

(Futebol e outros problemas sentimentais)

Confesso que não percebo o mundo do futebol (mas, por vezes, as coisas devem permanecer além de qualquer intelecção). O futebol é jogo de paixões veementes, e pouco temperadas pelo super-ego. Nesse caso, sei do que falo: sou um adepto irresponsável, chamo nomes aos árbitros e às suas mães, sobretudo a elas, e sou engenhoso criador de penalties, faltas e foras-de-jogo contra os adversários da minha equipa. Quando vejo futebol dispenso sermões e moralidades jesuíticas. Sou um adepto comum, aliás. Todo o verdadeiro adepto é faccioso, selectivo, inconsciente e amoral. A paixão incondicional é o requisito de uma possibilidade: a do prazer terrível da vitória.

O futebol, diz-nos Ballard, é a derradeira esperança de força da sociedade. Definindo-se numa nova ordem social, baseada na energia e na emoção, os adeptos mais subversivos re-dramatizam as suas vidas através da violência e da agressão, re-primitivizam-se e entretecem um código radical que nega o bem e o mal em favor de uma patologia sublimada.

Talvez por isso (ou: certamente por isso), aceitamos naturalmente o infortúnio do nosso clube, com um sorriso beatífico e apaixonado, à maneira dos primeiros cristãos no Coliseu, encantados perante os leões e a morte terrena. Odiamos os traidores, mas só quando não envergam um equipamento com as cores certas.

Na realidade, as coisas são assim porque é preciso manter a cabeça à tona de água, mesmo quando tudo se afoga à nossa volta. Um clube aguenta mais que nós, porque as suas dores são também maiores. O Clube de Futebol União de Coimbra, por exemplo, comemorou recentemente 90 anos de existência. Uma existência notável, possivelmente cumprida naquele longínquo ano de 1972, quando o clube da Cruz de Santiago alcançou o cume do futebol português e conviveu com os maiores.

Apesar dos recentes êxitos desportivos (regressa enfim aos campeonatos nacionais), o clube vive uma situação financeira difícil. A sua vitalidade, contudo, persevera. O União atravessou o deserto mas ninguém lhe sentenciou a desistência. O clube da Arregaça possui a força da planta que se adapta ao solo mais pobre: a Coimbra dos doutores prefere a Académica. É um problema sentimental, e o nosso coração só tem uma cor. Que seja negro, e azul, e grená.
(Anteontem, dia 10/06, no Jornal de Notícias)

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