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6.1.05

Horrível verdade

Acordo cingida pela morte. Procuro o brilho das paredes brancas mas sou interpelada pela contemplação embaraçada de um par de olhos que já não vêem. O paradoxo, a função delida pela despedida da vida. As minhas mãos emulam o coração, tremendo sincopadamente, experimentando a secura insuportável daqueles corpos dispostos em simetria na babel da morgue. Tenho três anos e conheço muito mais que tu, que porventura lês estas linhas. Vejo a morte a meu lado, pressurosa, diligenciando uma arbitrária safra de inocentes.

Disseram-me morta mas pela porta entreaberta reconheço um elefante de pano nas mãos da credulidade. Choro, o meu avô também do outro lado do espelho.

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