<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d5676375\x26blogName\x3dD%C3%A6dalus\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLUE\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://daedalus-pt.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://daedalus-pt.blogspot.com/\x26vt\x3d-8110302918440701225', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>

8.6.04

O espelho do homem – mais uma acha para a fogueira [texto grande mas que talvez valha a pena ler]



Os chimpanzés da floresta de Täi [Costa do Marfim] alimentam-se tipicamente em parties [subgrupos que deambulam independentemente num território comum em busca de alimento] flutuantes compostas por 7 a 12 indivíduos, permanecendo continuamente em contacto auditivo com a maioria da comunidade [cerca de 80 indivíduos]. Comummente, a comunidade divide-se em três grandes parties que podem comunicar entre si através de vocalizações ou de batidas. As árvores caídas são abundantes na floresta de Täi e os machos adultos percutem os troncos caídos com as mãos ou pés, poderosa e rapidamente, um comportamento designado “batida” [drumming].

A batida é uma forma de os machos comunicarem a sua posição a outros membros do grupo, informando-os da direcção de progressão do drummer. As sequências de percussão carregam três tipos de mensagem: alteração na direcção de viagem, proposta de período de descanso e simultaneidade de ambos os comportamentos anteriores, isto é, mudança de direcção após um período de descanso.

A definição do termo símbolo incorpora três asserções fundamentais: primeira, uma dissociação explícita entre o referente e o sinal que se refere a ele; segunda, a generalização do uso do sinal na ausência do referente [o displacement de Hoecht] e, terceira, a valoração comunicativa do sinal, que deverá informar acerca do comportamento subsequente do emissor e que, concomitantemente, poderá alterar o comportamento do receptor.

O sistema de comunicação dos chimpanzés de Täi faculta a troca de informação entre os membros do grupo, ou seja, é um sistema partilhado e que encerra um valor comunicativo. O sistema é arbitrário na medida em que a sequência de batidas não possui uma conexão directa com a noção de direcção ou de tempo. Todavia, não é totalmente arbitrário, mas sim icónico, já que o movimento efectuado pelo emissor entre as sequências relaciona-se directamente com a informação transmitida.

A manutenção deste sistema requer a sua compreensão pelos outros membros do grupo. De facto, os receptores encontram-se muitas vezes fora de contacto visual com o emissor e, desse modo, necessitam de visualizá-lo mentalmente e inferir o seu movimento subsequente a partir das suas batidas sequenciais.

As observações incidindo nos chimpanzés de Täi sugerem que condições ecológicas e sócio-psicológicas alicerçam a evolução da comunicação simbólica. Os chimpanzés em estado selvagem, vivendo em grandes grupos multi-macho, carecem de um compromisso entre a necessidade de dispersão para procurar alimentos e a necessidade de manter um contacto próximo, de forma a ressoarem uma réplica eficiente à súbita aparição de predadores ou grupos rivais. Este conflito de interesses numa floresta onde a visibilidade é escassa forçou-os a adoptar um sistema de comunicação acústica. Ou seja, sob o efeito combinado de visibilidade parca e elevada pressão predatória, os chimpanzés de Täi podem ter sido “forçados” a adoptar um sofisticado sistema de comunicação acústica que coordena os movimentos do grupo e que mantém a sua coesão.