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25.5.10

Passeio Público

{Nas trevas}
Achamos horrível a cegueira, um purgatório onde não há sugestão de luz e redenção ou, de qualquer modo, um lugar longínquo na memória da nossa imaginação. José Saramago anota esta concepção trágica da “vivência nas trevas” na nossa sociedade, fazendo dizer a uma das personagens do “Ensaio sobre a cegueira» que esta é também viver num mundo onde a esperança acabou.

No fundo, e seguindo de perto o meu amigo Bruno Sena Martins (antropólogo que estuda desde há muitos anos a cegueira, enquanto circunstância ancorada a uma paisagem social e cultural que a exclui e marginaliza), a sociedade pensa e representa a deficiência como uma “narrativa de tragédia pessoal”, um discurso onde as representações culturais sobre a cegueira assumem quase sempre uma dimensão catastrófica e trágica.

O aparecimento de restaurantes que “oferecem” ao cliente a possibilidade de tomarem uma refeição completamente às escuras é um fenómeno curioso, configurando uma variação interessante do velho jogo do “E se eu fosse cego?”. Um jogo onde cada um de nós toma consciência de que a cegueira é indubitavelmente uma tragédia assustadora mas também um jogo em que cada um de nós habita por momentos o mundo do Outro invisual.

Não surpreende, pois, a iniciativa conjunta da Paróquia de São João Baptista (Coimbra) e da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) – a celebração de uma missa às escuras. Mais de uma centena de pessoas, invisuais e visuais, puderam assistir, em igualdade de circunstâncias, à missa no pré-fabricado que serve de Igreja à nova paróquia. É preciso calçar os sapatos do outro para o conhecer melhor, sobretudo quando a alteridade parece tão radical.

O gesto de solidariedade da Paróquia de São João Baptista e da ACAPO não pretendeu certamente lembrar a quem vê o pavor da cegueira, mas mostrar que os invisuais existem e que são iguais a nós: humanos, importantes, visíveis.
{Sexta-feira, 21 de Maio, no Jornal de Notícias}

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