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17.5.10

Passeio Público

{As flores e os pirómanos}
A Queima das Fitas. Parece tudo igual. A encenação é a mesma, apesar dos actores que se rendem de ano para ano. É preciso procurar a diferença nos pormenores – é na minudência que se esconde a transformação. O Cortejo dominical, os dias multiplicados de festa, a música pouco potável ou os cachecóis vermelhos surgem inopinadamente na paisagem académica conimbricense e dão eco à ínfima metamorfose de um ritual previsível mas esperado com ansiedade pelos estudantes de Coimbra.

O alcatrão, dos Arcos à Portagem, espraia-se por inamovíveis quilómetros, recebe os despojos da embriaguez e do desleixo, testemunha a perda pelo fogo de alguma mensalidade de dedicação, trabalho e assembleia. Não se percebe o destino de tantos carros alegóricos: as chamas da inquietude. Mesmo que algum jornal regional se empenhe na classificação étnica do pirómano (o «incendiário espanhol»), em disposição xenófoba encapotada, a verdade é que os carros já ardiam antes e hão-de continuar a arder – sob o isqueiro de um inconsciente/tolo/selvagem qualquer.

Para além do absurdo, a retórica explicativa vale pouco: os que incendeiam carros em Coimbra não seguem qualquer ideologia, ao contrário daqueles que queimam carros nos banlieues parisienses e que apenas desejam transcender os limites uma sociedade que não os deseja. Que se saiba, o idealismo não é o forte de um «pirómano de Queima», embora na sua mente desassossegada se encontrem o vazio e o nada niilistas. Os pirómanos não ligam à teoria, mas à prática. A teoria arde mal.
Evidentemente, qualquer explicação é, também, uma desculpabilização – mas não é disso que se trata aqui. Sem lenha o fogo apaga-se. É esta a moral de Salomão. As flores de papel que enfeitam os carros da Queima não são essenciais, digo eu, ao bom funcionamento do Cortejo. Sem elas, os pirómanos ficam em casa.
{Sexta-feira, 14 de Maio, no Jornal de Notícias}

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