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24.10.08

Pelo alcatrão (e alguma terra) fora

(Salamanca, Dias 1 e 2)

Depois de uma espécie mal amanhada de fim do mundo, eis que a paisagem reencontra a civilização: os toiros, a faculdade de teologia e a comida de plástico. Salamanca e o Tormes. O Lazarilho segue-nos de perto - mas a sua passada é lenta e vacilante. O rumorejo do seu cajado, desfazendo o empedrado, perde-se facilmente enquanto caminhamos pelas ruas mais pardacentas da cidade.
Mais tarde, recolhendo ao hotel, julgo avistar a sua sombra abatida num dos corrimões perlados da ponte romana. O estímulo e a sugestão são tão fortes nesta parte da ibera península que todos os ecos e sombras, entrevistos na passagem das horas, podem não ser mais que uma desilusão fantasmática, uma solicitude piedosa da imaginação.

Salamanca é leonesa e castelhana mas antes disso é latina e bárbara. Latina, a ponte. Bárbara, a porca. Uma serve aqueles que querem atravessar o Tormes sem terem que molhar o cueiro, a outra não serve para nada.
(Não é bem assim: a porca favoreceu, pelo menos, uma fogosa e interminável disputa relativamente aos seus significados [histórico e etnográfico], à sua relevância alegórica e à sua comovente fealdade.)
Voltamos o lombo à ponte e, finalmente, à suína (ambas as duas de pedra): daí em frente é tudo Igreja e Coroa. Castela e Leão, pois. A Calle Mayor recolhe os nossos passos incertos, trémulos de frio, calados pela silhueta indiferente das catedrais. Os estudantes e os turistas perseguem-nos cuidadosamente, desvelados nos sorrisos e nas palavras; não deixamos nunca de os ver, são as figuras típicas dos arruamentos salamanquinos – apenas o quarto do hotel nos resguarda da sua arenga saciada. Valha-nos isso.
(A minha N’Zinga está feliz – e friorenta. A meteorologia é igual em todo o lado, dada a caprichos e insubmissões. Este amontoado de pedras parece servir apenas para mesmerizar indecentemente o frio, a nortada e a vigilância insegura dos homens.)
As peregrinações não desvendam quaisquer enigmas. Mas é um enigma que impele inicialmente o peregrino e que, no fim da jornada, o enlaça e transforma no seu descanso triunfante. As letras de ocre nas paredes dos edifícios seculares obscurecem-me o pensamento. Eis o mistério por resolver. Stencil de antiga estirpe? Não me parece. Pergunta-se. A resposta: são o estigma de um sucesso académico, a marca duradoura da glória. Uma tourada na Plaza Mayor, o sangue do touro na parede, um nome imortalizado nos olhos que perscrutam a cidade.
(um)

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