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17.4.08

Passeio Público

(Futuro em trânsito)

A visita de Mário Lino, o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, a Coimbra é importante, não pelos milhões apalavrados ao betão e ao asfalto, mas por um comovente alento de futuro e bem-estar que prodigalizou sobre a região Centro. Um pequeno sucesso anexado às admiráveis vitórias das obras públicas portuguesas. Que não sejamos surpreendidos pela melodia triunfal dos discursos. A história é conhecida e vem de longe. A economia do país, parecem crer alguns, deverá acordar resolutamente ao som das obras do novo aeroporto e do TGV.

Eis a trágica ironia: depois dos famigerados dez anos de «vacas gordas» durante os quais Cavaco Silva (versão primeiro-ministro) malbaratou uma porção suculenta das ajudas comunitárias em duvidosas obras estruturantes, novamente o «futuro», o «desenvolvimento» e o «progresso» do país e da região se vêem diminuídos e apoucados pelos anseios de construtores civis, governantes e autarcas entusiastas do cimento e do alcatrão.

Exagero polémico, confesso. Nem o governo de José Sócrates reduz as condições de incremento económico à paisagem megalómana da construção civil, nem os projectos de Alcochete e do TGV são obras de incerta consequência estruturante. Também as obras anunciadas por Mário Lino no Salão Nobre da Câmara Municipal de Coimbra, estimadas em 740 milhões de euros, aparentam vital importância no quadro rodoviário e económico da região Centro.

Os 184km de auto-estradas previstos (que contemplam as ligações entre Coimbra e Viseu, Coimbra e Oliveira de Azeméis ou Mortágua e Mangualde) alicerçam as expectáveis e insistidas aspirações do ministro: combater o isolamento geográfico das zonas periféricas, diminuir a sinistralidade, estimular o desenvolvimento regional através da fixação das populações e das actividades económicas.

Qualquer analista imparcial percebe que uma rede rodoviária, por si só, não resolve todos problemas de um espaço tão vasto e diverso. Todavia, as obras indicadas podem catalisar expectativas e vontades numa região que cultiva algum ressentimento relativamente ao poder central. Carlos Encarnação, o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, recordou ao ministro que o Centro tem sido (supostamente) esquecido e desprezado. Recorde-se que, anteriormente, o autarca pressentira mesmo uma aversão do Governo à cidade de Coimbra. Uma apreensão exagerada do responsável camarário. Prova-a o anúncio de Mário Lino.

Os governantes da zona Centro não podem amparar o sucesso económico e social da região unicamente na boa vontade do Terreiro do Paço. Para além disso, o julgamento dos próprios erros não poderá ser feito enquanto as culpas do que corre mal recaírem sempre sobre a governação em Lisboa.

Por vezes, a necessidade de impor limites às críticas ao que está para além de nós é a condição necessária para que o nosso olhar estreite sobre os desígnios verdadeiramente importantes.

(Ontem, 16/04, no Jornal de Notícias)

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