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8.8.07

Passeio público

Um leve torpor conquista a cidade. As ruas renunciam à solidão povoada de que nos fala Albert Camus. São artérias extenuadas, esvaziadas de gente e dos ruídos que lhe são próprios. Os cafés - quando não encerram para férias - acolhem raros, estranhos passantes e pouco mais que isso. A Universidade respira apenas nas pedras de séculos, subjugada pelas câmaras fotográficas dos turistas, temporariamente combalida pela deserção estival de alunos e professores. É difícil encontrar um jornal. Até as igrejas parecem mais vazias que habitualmente. Santa Cruz da melancolia: lá fora, naquele sucedâneo de adro antigo, um mendigo recebe de esmola os derradeiros calores do sol, anuncia-se o fim da tarde.
Em Coimbra, Agosto é o mês das ausências. Falo das pessoas, obviamente. Sente-se a falta delas, dos seus hábitos ruidosos e dos seus passos apressados, afadigando o solo. O abandono começa um pouco antes, em finais de Julho. Afinal, é nessa altura que findam os exames e que o apelo da fuga se torna premente para os estudantes. Os que não são de Coimbra retornam ao chão natal, à parentela e aos usos antigos. Leva-os o vento. Os de Coimbra, almas cingidas de terra, percorrem o caminho até ao mar ou, compelidos pela indolência de Agosto, escapam-se para qualquer lado, desde que seja longe ou diferente.
Pouco a pouco os estudantes são seguidos por quem pode pagar (ou tem crédito para isso) umas férias afastadas dos limites que circunscrevem a cidade. Quase sempre se nota nestes proscritos voluntários a vaga, mas infalível, ânsia de mar. De preferência, o desejo materializa-se nas cálidas águas do sul ou em longitudes estrangeiras. Antigamente o mar estava mais perto Coimbra mudava-se, em peso, para a Figueira da Foz.
No Verão, especialmente em Agosto, Coimbra B tinha pouco a ver com comboios. Coimbra B era a Figueira. A mesma cidade com uma outra dentro de si. Ainda será, mas menos. As paisagens eleitas agora são outras. Eu lembro-me como era. Agora não deve ser muito diferente. Ajeitava-se a casa de férias, arrendavam-se apartamentos à quinzena, armava-se a tenda no parque de campismo ou ia-se em jornada diária, logo de manhã de comboio, de automóvel, de motorizada, até de bicicleta. Havia um comboio de hora a hora, mais ou menos, daqueles que param reverencialmente em todos os apeadeiros. Uma maçada que valia a pena. A maior parte das vezes, olhares conhecidos cruzavam-se ainda o comboio não iniciara a marcha.
No areal ou na calçada defronte do casino divide-se o tempo e a conversa com parceiros de ocasião, desconhecidos de sempre na outra Coimbra, a sem mar. Pressente-se nos diálogos contingentes essa espécie de solidariedade orgânica, própria dos exilados, em que deixa de existir a ideia de partida, de desterro em terra estranha. Naquele lugar, tirando o oceano, tudo é igual ao que pensam ter deixado para trás.

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