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10.7.08

Passeio Público

(Air Show)

Creio que foi J.G. Ballard quem melhor compreendeu a alienação das sociedades ocidentais e pós-industriais – espaços de cultura transiente, de omissão relacional, identitária e histórica; “não-lugares” (se decidirmos frequentar Marc Augé) onde até a realidade irrompe do simulacro. Tudo é inventado, sobretudo o enfado, o enjoo e a apatia. Perante isto, o escritor inglês propõe uma ideologia redentora: a moral cede perante a vontade, a vontade cede perante a loucura. A demência como limite último da condição humana.

A recessão económica parece conduzir o país e as suas elites (no governo e na oposição) a uma situação semelhante à que Ballard descreve. Perante o abismo que nos defronta, os caprichos pátrios pasmam no aperto do desespero ou na audácia do passo em frente, na maledicência diletante ou no desvario megalómano. De um lado, a oposição (que já foi governo) atira anátemas e condenações sobre o TGV e ao novo aeroporto de Lisboa, do outro, o governo deseja e determina as obras monumentais. No meio da peleja, um desgraçado país. No meio do país, uma região desprezada.

Agora que a construção do novo aeroporto internacional de Lisboa em Alcochete é uma realidade inquestionável e que a “opção OTA” foi definitivamente arrumada na prateleira das controvérsias públicas, um grupo diverso de notáveis e entidades da Região Centro destinou ao Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, um documento que expressa a indispensabilidade de uma infra-estrutura aeroportuária civil que assista o Centro de Portugal.

A reconversão da Base Aérea de Monte Real para voos civis internacionais é uma das soluções alvitradas pelos signatários do documento, entre os quais se incluem Vital Moreira, Manuel Queiró e Marinho Pinto. A execução orçamental do projecto nem sequer é censurável do ponto de vista da loucura e da megalomania – são necessários apenas 10 milhões de euros para a abertura de um terminal para voos civis em Monte Real.

A disposição territorial dos aeroportos civis releva uma assimetria em que o Centro é, claramente, uma região marginalizada. A construção de uma infra-estrutura aeroportuária de âmbito regional, que admita a aterragem de aviões de médio porte, pode equilibrar essa desarmonia estrutural e estabelecer um eixo fulcral de desenvolvimento de um espaço geográfico tantas vezes esquecido e desprezado. A loucura pode ceder, por uma vez, à vontade.
(Ontem, 09/07, no Jornal de Notícias)

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