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22.6.05

Funeral

O silêncio do morto é ridículo: tanta mulher bonita a chorá-lo e ele ali, no esquife, como se não fosse nada com ele. Branco e mudo num fato de grilo. Eu é que as consolava, pois. Não tenho dinheiro nem estou entalado entre a foice e a parede. Aquelas ali gostam desses, ricos e com um pé para a cova. Com os dois pés para cova desde que consigam tartamudear um sim no altar e outro no notário. Putas. Boas. Putinhas. Fiquem a carpir o dinheiro que vai a inumar que eu vou enterrar-me no esterco de outro funeral.