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21.12.03

O menino e o barbudo

Quando me dizem que o Pai-Natal existe, respondo, incrédulo, que não. Não existe. Não é que um incrédulo não possa acreditar em nada. Simplesmente não acredita em tudo. E quem confia, como eu, que as prendas que aparecem no sapatinho são oblatadas pelo Deus-menino, vulgo Menino-Jesus, não pode acreditar num barbudo anafado, trajado de encarnado, a distribuir democraticamente presentes por aqui e por ali. É que para além de ser etnograficamente recomendável acreditar no Menino-Deus, o gordo barbado não partilha com o pequenino a essência de perfeição, onde naturalmente se inclui a existência.
Como diria Santo Anselmo, “Deus tem que existir porque posso pensá-lo como ser que tem todas as perfeições, incluindo a existência.”