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17.6.04

O dia do jogo

Acordo. O quarto do hotel de cinco estrelas, vagamente iluminado, continua a ser um estranho que ainda não consigo suportar, apesar da limpeza imaculada, do luxo dos móveis e das flores que todos os dias são renovadas e depostas numa pequena jarra vitoriana sobre a mesinha de cabeceira. O pequeno-almoço, tomo-o em silêncio, expectante, condicionado pelo porvir de um dia que, para a glória ou para a lama, me arrastará impiedosamente. Os outros não disfarçam o nervosismo, o tique-taque dos dedos nas mesas denunciando ambições trazidas de longe, talvez da infância, medos sufocados pela necessidade de uma aparência exterior tributária a John Wayne, pum-pum, eu não tenho medo de ninguém e mato quem se atravessar à minha frente.

O autocarro é engolido pela turba amante, os cachecóis beijam-nos atrvés dos vidros, a sudação nervosa não respeita o ar-condicionado. No interior do estádio é a final. Sessenta e cinco mil pessoas perfilam-se nas cadeiras ansiosas pelo passe que irá sobrevoar a defesa e libertar o avançado, pelo drible imprevísivel, pelo golo fora da área. Ouvi em registo difuso a minha inclusão nos que vão iniciar a partida. Nos jornais do dia anterior clamam por Hércules, o semi-deus, clamam pelo meu passe, pelo meu drible, pelo meu golo. O público, em uníssono, gesticulante, grita: Francisco, Francisco, Francisco.

Acordo. Um olhar relanceante para a mesinha de cabeceira desencadeia um suspiro de alívio – livros, algumas cartas, um relógio, um telemóvel e uma fotografia substituem as flores e a desarrumação é atípica de um hotel. É o meu quarto. Foi só um pesadelo.