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27.4.04

Revisionismo histórico – Guy Fawkes

Conheci Guy Fawkes, o bombista, à sombra da Porta do Bazar de Rodes. O derradeiro Grão-Mestre dos Cavaleiros dissipara-se na bruma incerta do mundo ínfero muitos anos antes, mas Guy sabia onde encontrar o Guardião do Segredo. Cruzámos como lémures silentes o Mercado Velho, tentando não denunciar o nosso rosto de ignotos estrangeiros, e penetrámos num pequeno pátio arcano, algures na Rua dos Cavaleiros. Uma jovem de cara tapada, um único fio de cabelo negro assomando sobre o lenço escarlate, aguardava-nos desde que o sol era nado. Sem dizer uma palavra, muda como S. Pedro na abside central da Basílica dedicada ao mesmo, entregou a Guy um palimpsesto de caligrafia argêntea, onde constavam as minudências teológicas e técnicas da nossa missão.

Decifrámos lentamente aquelas letras finamente desenhadas, arte superlativa que não nos desviou a atenção do grave conteúdo textual. Fawkes e eu, perfilhando escrupulosamente as advertências do manuscrito, tomámos em mãos o desígnio sacrossanto de assassinar o rei Jaime I de Inglaterra, traidor da una e vera Igreja, mas a inconstância do destino e a intervenção inoportuna de uma horda de demónios malogrou as expectativas do Conselho dos Anciãos. Guy foi preso nas catacumbas sob o Parlamento de Londres, enquanto aprontávamos o atentado. Eu escapei à captura, por desígnio de Deus e de umas boas pernas para correr. Fawkes foi executado, também em Londres, no dia 5 de Novembro de 1606, desde aí, desgraçadamente, conhecido por Dia de Acção de Graças. No derradeiro instante o beleguim ofertou misericórdia a Fawkes se ele atraiçoasse os cúmplices, a sua cabeça repousava já sobre o cepo de pinho. O cutelo fugiu das minhas mãos. Fora mais célere que as palavras traiçoeiras daquele impostor.

Adenda: Uma pequena parte dos factos narrados neste texto correspondem à verdade histórica.
Dedicado especialmente ao Bruno, ao Marcos, à Charlotte, aos Barnabés e ao Nuno Guerreiro.