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29.5.09

A tentação de Verónica

As crianças e os mortos ainda não são coisa nenhuma ou já deixaram de o ser.
(Robert Musil, A portuguesa e outras novelas, pág. 218)

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28.5.09

Passeio Público

(As armas certas)

Acreditamos na ciência ou em milagres, mas não acreditamos nos homens. Amamos uma aldeia ou uma rua, mas afastamo-nos daqueles que as habitam. Imaginemos que somos acareados com o desalento de uma cidade – penso em Coimbra. Avaliamos a sua direcção pelo que imaginamos dever ser sua a direcção; esquecemos a gestão própria da vida em favor da gestão apropriada da cidade. Achamos que o status quo merece a rebelião das urnas. Manifestamos o anseio pela alternativa, sem saber muito bem se a alternativa existe.

Quando, nas últimas eleições autárquicas, o Partido Socialista (PS) de Coimbra conheceu a ignomínia da derrota, a maior de sempre, julgámos que o retiro do fracasso seria proveitoso, que novos trilhos se abririam, que as novas ideias seriam acarinhadas, e que as mulheres e os homens da cidade não seriam esquecidos. Julgámos, talvez ingenuamente, que o insucesso, mesmo o mais deprimente, serviria de lição para os mais desavisados.

Aquele dia 9 de Outubro de 2005 devia determinar claramente um ponto de reinício, um desígnio de retorno ao poder, e não o apagamento autárquico de um partido latitudinário na sociologia da cidade. Naquele dia, o que parecia o fim poderia ser afinal um princípio. Todavia, o PS ainda não indicou, em definitivo, o seu candidato à Câmara Municipal de Coimbra.

Henrique Fernandes seria, não hesito em afirmá-lo, o melhor candidato, um pretendente de talentos multíplices. A sua honestidade, a sua competência, a sua experiência, a sua notoriedade junto do eleitorado e das bases partidárias traduzir-se-iam, seguramente, em votos que o PS não deve (não pode?) desprezar.

O actual Governador Civil de Coimbra será, talvez, o único homem com possibilidades de bater Carlos Encarnação nas autárquicas que se avizinham. Contudo, se o propósito socialista é preparar uma candidatura forte para o futuro, afiguram-se outros nomes, de inabalável prestígio, para a dura liça: João Vasco Ribeiro, Fernando Regateiro, ou Mário Ruivo. E, também, o valoroso delfim de Henrique Fernandes, Paulo Valério. A sua juventude não rima com inexperiência, e o futuro há-de ser agora.

A verdade é que o PS de Coimbra já tem um candidato, mas Vital Moreira pensa na Europa e não em Coimbra. Contas de outro campeonato. Antes de mais, é necessário encontrar as armas certas para a batalha que mais nos interessa.
(Ontem, 27/05, no Jornal de Notícias)

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26.5.09

Estéticas da Morte #cinquenta e sete

Este homem, antiquado mas non troppo, ama a rapariga. Mata-a todavia com três tiros (arma de caça, canos justapostos, origem italiana). Um, dois, três - calma. É a vez dele. Um tiro, um apenas mas estrondoso, sincero e escolhido, fechado no papo carnudo entre a mandíbula e o pescoço. Chegou e sobrou – confirma o médico legista (há-de ir beber dois copos – é melhor que sejam três - e tentar esquecer o que viu) -, está feito e ite missa est.

Ninguém sabe porque acabou assim a história (ninguém se deu ao trabalho), mas naquelas órbitas vazias remanesce um caos antigo de traição.
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25.5.09

Tell the difference


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22.5.09

Bom fim-de-semana

21.5.09

Passeio Público

(Aos Domingos)

Há muitas razões para se gostar da Académica de Coimbra (Organismo Autónomo de Futebol), um clube de estudantes e doutores, respeitável e precioso; estimado, senão com bonomia, pelo menos com alguma displicência, pelo povo deste nosso Portugal (exceptua-se do embrulho o vimaranense mais intransigente). Há quem ache, possivelmente a maioria, que é um clube “simpático”; outros louvam a integridade de uma verdadeira “escola de homens”; e alguns, ainda, reconhecem-lhe a herança (documentada) de luta pela liberdade, muito antes da segurança democrática de Abril.

Eu gosto da Académica porque é o clube da minha cidade, porque o luto perpétuo do equipamento soleniza um certo apego aos sonhos de uma tribo imaginada. Não me move porque irradia a “inocência do amadorismo”. Do que eu gosto mesmo é de futebol, e da indiscrição do triunfo – com golos, correria e grandes penalidades. O resto (a pacholice do “mito da simpatia”) serve, quando muito, para jogos de solteiros contra casados.

Durante anos, o futebol da Briosa balançou entre a mediocridade e a ingenuidade – quase sempre com maus resultados. Felizmente, há quase dois anos chegou a Coimbra um homem nascido e cumprido na mais admirável indústria de campeões do país, o Futebol Clube do Porto. Domingos Paciência, pois se é dele que falo, não se limitou a desenvolver um exercício estético de futebol. Domingos corrigiu um atraso de duas décadas, pelo menos, e transformou os “pardalitos do Choupal” em extraordinárias aves de rapina; convenceu-os, enfim, que a vitória é a menor das vergonhas.

Uma certeza (ou duas) determina este interesse contingente sobre o futebol da Briosa, quando ainda falta um jogo para o final do campeonato. A Académica pode até perder no “D. Afonso Henriques”, e o Marítimo pode até vencer no “Mar”, mas a melhor classificação da equipa de Coimbra nos últimos 25 anos está já garantida. Infelizmente, o treinador está de saída. Vai-se embora o Domingos. Paciência. A Académica é maior que todos nós.

(Ontem, 20/05, no Jornal de Notícias)

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20.5.09

A nossa origem alemã


A set of extraordinary circumstances produced one of the most complete skeletons of a fossil primate ever recovered, here described as a new genus and species Darwinius masillae. The holotype is a juvenile that died at the margin of a volcanic lake in a paratropical rain forest and was preserved in Middle Eocene sediments of Messel, Germany (Grube Messel or ‘Messel pit,’ herein simply Messel).

(Franzen JL, Gingerich PD, Habersetzer J, Hurum JH, von Koenigswald W, Smith BH (2009) Complete Primate Skeleton from the Middle Eocene of Messel in Germany: Morphology and Paleobiology. PLoS ONE 4(5): e5723. doi:10.1371/journal.pone.0005723)

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18.5.09

E a Académica?

Vai-se embora o Domingos. Paciência.

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Meio retardado: treta campeões


Como disse o meu amigo Ricardo à mesa do Atenas: «Parabéns aos vigaristas». O crime sempre compensa, ora essa. Em tom mais sério: parabéns aos campeões. Este ano não havia nada a fazer. Como acontece quase todos os anos, aliás.

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14.5.09

Passeio Público

(Parada no tempo)

A Queima das Fitas acabou e, encarando a brandura eterna de Coimbra, a margem esquerda do Mondego adapta-se, de novo, ao esquecimento distraído dos autarcas da cidade. O corpo esquerdo de Coimbra oscila nesse desdém que o afasta do seu espelho direito, no outro lado do rio. Infelizmente, Álvaro Seco (vereador socialista da Câmara Municipal de Coimbra) não parou no tempo: a margem esquerda do rio continua esquecida, bloqueada na expectativa do porvir.

Nem tudo é olvido, ou descuido – assegura Carlos Encarnação, presidente da CMC. A margem esquerda não está à margem. O presente é esperançoso, e até acolhedor. Abundam os exemplos de boa administração municipal: Santa Clara-a-Velha e o Convento de São Francisco. Acrescentamos o Portugal dos Pequenitos, o Hospital dos Covões e o mono comercial. E, porque não?, os autocarros na Guarda Inglesa.

O Convento de Santa Clara-a-Velha, os Covões e o Portugal dos Pequenitos são favores entre parênteses, concessões estruturais que nada devem à Câmara Municipal, e que existem, como tal, independentemente dela e dos seus inquilinos. Nem uma palavra para o mono comercial. Vá lá, apenas duas: fealdade conveniente. A sua arquitectura é aflitiva mas, de resto, o mono dá jeito a quem precisa de comprar livros, roupa de marca espanhola ou pacotes de açúcar. Finalmente, o Convento de São Francisco sobrevive mal, assente numa fachada setecentista e nos planos ingentes dos arquitectos (projectos que teimam em não escapar ao papel).

Aproximam-se as eleições (europeias, legislativas e autárquicas) e não há quem desista da competição narcísica: todos querem ter a razão do seu lado. Mesmo que se atropelem os factos e, acima de tudo, as pessoas (atenção: os eleitores). A realidade não é obscura, ou subtil: o Mondego divide Coimbra, confunde mansamente o esquecimento de uma das margens. Que não subsistam as dúvidas acerca disso. Afinal, quando se reconhece que ainda há muito por fazer alcança-se um pouco da razão.
(Ontem, 13/05, no Jornal de Notícias)

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12.5.09

Um jogo de tabuleiro

Sob os pés, uma mesa de pó; ao longe, flores encarnadas - talvez papoilas. A mão reage no indefinido rumor das ausências: a falta que um roque faz. Concentração, destemor, avanço (um grave erro entre parênteses). Espera: desilusão. Rei caído. Um gole tremido de Sagres. A normalidade da restituição.

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8.5.09

Estéticas da Morte #cinquenta e seis

Com desvantagem substitui Beppo os olhos de Borges. Na obscuridade relativa da calle Serrano, em alguma divisão da casa, prefigura-se o inventário apócrifo: «Há uma pele já gasta que foi de tigre.» O que é agora, senão uma pele? Talvez o próprio tigre, não fora o tempo que perdeu entretanto: o corpo, a presa e a selva.
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7.5.09

Passeio Público

(O apocalipse)

A gripe chegou finalmente a Portugal. Assistimos, impassíveis, a longos dias de frondosa balbúrdia, que manietou, como se fosse carcereira antiga, jornais e televisões nacionais, esventrados por “suspeitas”, “conjecturas” e “suposições” relativas a uma doença que, rapidamente, se tornou na metáfora pandémica do apocalipse. A gripe, que já foi “suína” e “mexicana”, e que agora ostenta um nome quase saído da notação do xadrez, alcançou Portugal, e apesar do alarido inicial, apresentou-se na forma de “doença perigosa e mortal" mas... sem consequências. O caso diagnosticado foi “benigno”, não necessitou tão-pouco de intervenção terapêutica – conforme, aliás, os casos até agora diagnosticados na Europa. Procuram-se tanto os fantasmas que, um dia, eles revelam-se (sendo, aliás, outra coisa qualquer).

Aparentemente, podemos contar com uma boa resposta do sistema de saúde a uma ameaça deste género. A ministra da Saúde, Ana Jorge, tem transmitido contenção e serenidade, de uma forma que eu julgaria impossível nesta conjuntura movediça.

Os hospitais de São João (Porto), da Universidade de Coimbra, de Curry Cabral e de D. Estefânia (Lisboa) são as muralhas de aço da Direcção-Geral de Saúde, com mandato para distanciar de nós o cálice do fracasso. As cinco regiões de saúde do país seleccionaram, nos últimos dias, os centros de saúde que vão funcionar como Serviços de Atendimento da Gripe. Portugal teria até a capacidade de produzir vacinas antigripais se a fábrica (da Medinfar) de Condeixa-a-Nova, no distrito de Coimbra, apregoada com pompa em 2006 por três ministros, tivesse abandonado a quietude romanesca do papel. Nem tudo pode ser perfeito.

Entrementes, a Organização Mundial de Saúde anunciou a desaceleração da incidência (i.e., do aparecimento de novos casos) da gripe H1N1. O abismo ainda não é uma certeza a despedaçar-nos o corpo, estamos ainda longe desse estrondo final. O apocalipse, oferecido ao mundo em “prime-time”, talvez tenha que esperar por uma nova oportunidade para ser feliz.

(Ontem, 06/05, no Jornal de Notícias)

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4.5.09

Estéticas da Morte #cinquenta e cinco

O sono é uma morte reversível. Eis uma associação impensada; mera justaposição de bracinhos pendentes, ícones da Prelada e ardores de alma, orgãos de missa e negrumes correctos de Goya. Na morte (no seu irreconhecido estado perpétuo) todas as cores são iguais, todas as caras se tornam uma só, e as saídas não abundam. O sono é uma morte transiente (como a osteopenia*), um esquecimento sem caixão e prantos desnecessários; é uma morte melhor, em princípio, mas no outro dia é preciso ir trabalhar.
*Marcus, Robert. 2008. Osteoporosis. Elsevier, NY.
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1.5.09

Dos leitões

Criado embora com educação e esmero no vestir, maus e tortuosos são os meus pensamentos; se me permitem a auto-depreciação, direi até que são um pouco imbecis. O problema, que partilho com outras personalidades, que não apetece nomear, até porque não sei o nome da maior parte delas, e mesmo que soubesse não lhes faria esse favor, terá sido porventura uma pouco estrita educação católica, enconada por excessos farisaicos e laivos mal resolvidos de protestantismo. Ainda assim, não posso deixar passar em claro o viçoso caos que manieta, como se fosse carcereiro antigo, a «mídia» nacional, estripada por «suposições» de gripes, correndo atrás desses fantasmas como se por acaso eles até existissem. Isto dito, não há alguém que mate aquelas gajas bronzeadas que chegam à Portela de sombrero a tapar os cornos?

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