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28.12.07

Ontem, 27/12, no Jornal de Notícias

Ainda bem que escrevo depois do Natal. Não sou digno de compor qualquer tipo de texto ou argumento no dia em que nasceu Jesus Cristo (recordo a súplica de Pedro quando morreu, mas desse também não sou digno). Mesmo assim não posso tresmalhar o assunto, deixá-lo escapar: não se ouviu, jamais, falar de cronista português que abdicasse de prodigalizar pontos de vista, comentários e exegeses sobre a sagrada efeméride representada no mais pobre dos presépios. Sigo, pois, coagido pela tradição que me fundamenta a escrita.

Cada homem cultiva debaixo da pele uma forma diferente de afectar-se à época. Mesmo os que não crêem a festejam: institucionalizou-se a festa da família. E, sobretudo, o consumismo. Uma licenciosa troca de prendas. Podíamos ler o “Ensaio sobre a dádiva”, de Marcel Mauss, e tentar perceber. Não vale a pena. Os excessivos centros comerciais de Coimbra, prenhes de gente, são a evidência derradeira da “prodigalidade”, da “honra” e da “riqueza” de cada um de nós. Afinal, um desvirtuamento da Natividade.

Maria deu à luz Jesus num tugúrio de Belém, acompanhada por José. O quadro completa-se com os magos vindos do Oriente, os ocasionais pastores e os seus animais. Tudo tão simples, evidente. Eu simpatizo com esta pureza e genuinidade inaugural. É por isso que não suporto o Pai Natal (e mesmo “a árvore”). Como aquele, histriónico e quase apopléctico, que macula a Praça 8 de Maio, junto à Câmara Municipal de Coimbra e à Igreja de Santa Cruz. Um monumento ao estilo parolo e simplório. Paroquial e medíocre, como a confecção do maior bolo-rei do mundo ou a edificação da maior árvore de Natal da Europa.

Prefiro recordar os Natais passados em casa, as tardes de compras nas ruas da Baixa de Coimbra ou a Missa do Galo na Capela da Nossa Senhora da Alegria, no Ameal. Talvez isso seja uma boa forma de homenagear os meus pais, a minha aldeia (tão perto e tão longe de Coimbra) e, claro, Dickens.

O “meu” Natal é diferente. Não é melhor nem pior. Não é igual ao teu, de certeza. É feito de presépios e não de pinheiros.

(Na minha memória desfila um palimpsesto de presépios que se justapõem de forma anárquica. Pequenos e grandes. Feios ou belos - como a estatuária clássica - , populares e de gosto requintado. Com musgo e pastores. Comprados em lojas de chineses. Admirados no Museu Machado de Castro, obras-primas do barroco português).

É Natal de fogueiras que ardem três noites. De foguetes que desfazem o silêncio da meia-noite. A cinza é especiaria, o Pai Natal é apenas um gordo foleiro, come-se chanfana e filhós quentes, o sobro confunde-se com o eucalipto, uma noite sofre-se inteira. Não é igual ao teu (e, no entanto, é).

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27.12.07

2007

O Francisco [que recentemente teve a amabilidade e a coragem de assinar todos os livros que levei ao Casino da Figueira] faz, no Origem das Espécies, os balanços possíveis do ano que finda. Imperdível.

[1,2,3]

Livros – Em Abril, na Guarda, uma casa desabitada foi assaltada; roubaram uma estante cheia de livros. Insisto: levaram mesmo os livros. A ladroagem está a subir de nível. Parabéns.

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24.12.07

French music #fourteen

David Bowie feat. Bing Crosby - Little Drummer Boy

[Little Baby, pa rum pum pum pum I am a poor boy too, pa rum pum pum pum I have no gift to bring, pa rum pum pum pum]
Feliz Natal para tod@s!

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22.12.07

Iluminações

Gostava de ouvir uma árvore a dizer não ao Natal.

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21.12.07

História trágica com final feliz

E então ele disse:
-Encontrámo-nos e não havemos de nos perder outra vez.

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20.12.07

Passeio Público

Ontem, 19/12, no Jornal de Notícias
Desenganem-se os crentes mais devotos de Isabel de Aragão, a Rainha Santa. Esta crónica não é sobre os sucessos miraculosos com que a piedosa esposa de Dom Dinis coloriu uma fracção importante da Idade Média conimbricense. Não é, pois, uma reflexão sobre o modo como o pão tomou a forma da rosa e de como, com tão ousado feito, se acautelou a mercê caridosa da Rainha Santa Isabel. Desfeita a eventual confusão, invocarei as palavras possíveis de forma a elucidar o curioso leitor do inaudito milagre a que alude o título deste texto.

Não há muito tempo (Jornal de Notícias, 09/07/2007) avaliei e, de certa forma, julguei a política cultural da Câmara Municipal de Coimbra (CMC). O meu juízo, de modo algum imerecido, não foi favorável: deparei-me então com um executivo despreocupado e arredio, esquecido dos movimentos culturais que animam a cidade. Na realidade, para além de uma postura municipal que cursa de forma apática entre o árido filistinismo e a singeleza folclorista, releva-se, sobretudo, a absoluta inexistência de uma política cultural sustentada e o desinvestimento progressivo na área da cultura.

Não é preciso ser-se um génio da matemática para aferir o que é manifesto: desde 2004 que o orçamento municipal para o pelouro da cultura decresce de forma dramática. Em apenas três anos, a dotação orçamental para a cultura da CMC diminuiu de 13 milhões para pouco menos de 2 milhões de euros (orçamento para o ano de 2008). Dito isto, através da crueza dos números, fica a sensação que unicamente ilusionismos e ardis miraculosos poderão defender e animar a extenuada dinâmica cultural da cidade.

É neste momento que volto ao milagre de Isabel de Aragão. Ou melhor, é neste momento que desvelo a identidade de uma “milagrosa Rainha Santa” alternativa: Mário Nunes, o vereador da cultura da CMC. A designação é auto-identitária, foi o próprio vereador que assumiu recentemente a sua sobrenatural qualidade de “fazedor de milagres”. Com tão pouco dinheiro reservado à cultura, só mesmo um milagre (aliás, vários) de Nunes poderá catalizar definitivamente os projectos culturais que sobrevivem nutrindo-se do humilde bolo orçamental da Câmara Municipal de Coimbra que lhes é destinado.

É claro que Mário Nunes não está totalmente insatisfeito com os recursos que foram aditados ao seu pelouro. De acordo com o próprio, o orçamento para a cultura em 2008 é suficiente para que os seus projectos (“Estão contempladas as rubricas principais que eu queria”; Jornal de Notícias, 11/12/2007) conheçam um bom termo. Quem conhece as políticas do actual vereador da cultura da CMC sabe quais os projectos aludidos. Não há-de malograr-se o financiamento aos ranchos folclóricos e às bandas filarmónicas. Ainda bem, digo eu. Mas… E os outros?

Quanto às restantes instituições culturais da cidade, do Teatro Académico de Gil Vicente à Escola da Noite (e tantas outras), podem e devem dirigir as suas preces à Rainha Santa, à autêntica e verdadeira. Mas que não esperem milagres. Esses são só para alguns.
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19.12.07

Conheci um verdilhão

Os lábios ardidos são carne que torna ao pó: inveja de todos os mortos e de todas as valas ao soldado desconhecido. Receio - instinto do pobre - o meu próprio destino e o preço que hei-de pagar por todas as noites que fui para a cama de estômago dorido e lágrimas nas mãos. Hei-de esquecer um nome [e uma data] naquela fuga derradeira ao cheiro dos homens. Mas só isso, nem mais uma gota de água em caras divididas pela dor e pelo riso de gengivas abandonadas. Vamos, é ainda outono e os pássaros caem nas nossas armadilhas.

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18.12.07

Do nariz

São dias a mais fora da pele. O frio não me perdoa o atrevimento.

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17.12.07

Control

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16.12.07

Estéticas da morte #vinte e nove

O que se pode ver, lá fora? Muito pouco, muito nada. Tudo é lento à superfície menos as sombras que esticam (nas entrelinhas) o cinzento cansado da rua. É pior cá dentro. Um rosto de pergaminho, encrespado nas piores marés: o desalinho sincopado da memória. A melancolia solícita dos braços pendentes, dos sorrisos quebrados e parcos em incisivos e molares. O que há para além da escuridão? Uma janela incapaz de suster um homem de vontade. Uma grade que lhe aprisiona (e atravessa) o corpo. Um final de cantos lúgubres e terras revolvidas.

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15.12.07

French music #thirteen

The Cramps - Bikini Girls with Machine Guns

[They say that virtue is it's own reward]

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13.12.07

Passeio público

Ontem, 12/12, no Jornal de Notícias
[Pretexto de festa]

Há alguns sinais, desses pequeninos, que só os mais atentos e os dotados para reparar no pormenor é que vão sentindo. Há sinais, digo eu, de comemoração de datas importantes, datas de aniversário, de respeitáveis e importantes instituições profundamente vinculadas à cidade de Coimbra: o Orfeon Académico e a Fundação Bissaya Barreto. Em ambos os casos podemos falar de datas gordas, significativas. Reveladoras de um passado precioso. Pretextos cronológicos para festejar exaustivamente. Mas não só. As celebrações ganham um sentido maior se convocarmos despretensiosamente os ânimos esquecidos do passado, as concepções fundadoras, os sucessos e os erros pretéritos, a expectativa confiada num porvir ainda mais admirável e pleno.

O meu respeito aos mais velhos. Aos que resmungam há mais anos, se me permitem glosar Bioy Casares. Isto dito, começo por vos falar do Orfeon Académico de Coimbra. Fundado em 1880 (em Outubro, apresentando-se pela primeira vez ao público em 7 de Dezembro, então com a singular e excêntrica denominação de “Sociedade Choral do Orpheon Académico”) por João Arroyo, estudante de Direito, é um dos organismos autónomos da Associação Académica de Coimbra. Com uma origem oficial anterior a esta, portanto.

O Orfeon é o mais antigo coro português no activo, um dos mais prestigiados e, indubitavelmente, aquele que congregou, em diferentes momentos, o maior número de notáveis personalidades da música, da política ou da academia. Refiro-me, por exemplo, a Adriano Correia de Oliveira, a Boaventura de Sousa Santos, a Luís Góis, a Machado Soares, a Almeida Santos, a António Menano, a José Afonso e até ao inefável Alberto João Jardim.

É, pois, um passado amplo e precioso que toca e poliniza o presente e o futuro dos cerca de 70 coralistas que compõem actualmente o grupo e a que será dado destaque maior no ano de 2008 com a edição de uma biografia do e a construção de um museu na sala do organismo.

Quem não conhece o Portugal dos Pequenitos? Suponho que ninguém. O Portugal dos Pequenitos intima e fundamenta uma porção importante do nosso imaginário infantil. Claro que a Fundação Bissaya Barreto transcende largamente as fronteiras daquele parque infantil.

A Fundação, julgo que todos o sabem, configura uma sólida armação onde se desenvolvem multíplices projectos relacionados com a solidariedade, a educação, o conhecimento, a cidadania ou a arte. São quase 50 anos de história (a celebração do 50.º aniversário iniciou-se, de forma simbólica, no dia 26 de Novembro e termina um ano depois numa Sessão Solene de Encerramento), de valiosas realizações no campo assistencial e cultural.

É difícil escrever algo sobre a Fundação Bissaya Barreto que seja verdadeiramente inédito. Ainda bem. O reconhecimento generalizado de Bissaya Barreto e da “sua” fundação releva de um espantoso trabalho realizado ao longo de 49 anos de história.

Não sei se foi durante o dia. Durante a noite? Não interessa, agora. Foi no Outono. Nasceram com vagar, a pedir tempo à vida. Comemoremos os seus feitos sem pena de perder o que quer que seja.

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12.12.07

Et vive la France!

Em Coimbra, o grupo que assaltou o Colégio de São Tomás, onde se barricara a guarnição francesa, e prendeu os invasores, era constituído por arneiros, estalajadeiros e moços, e por gente do campo (homens e mulheres) que regressava de um dia de trabalho. Apenas um doutor, um estudante e um funcionário menor da Universidade destoavam no conjunto.
[Vasco Pulido Valente, Ir Prò Maneta, pp.12-13]

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Ódio

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11.12.07

Estéticas da morte #vinte e oito

Houve dias em que o sono era necessário. As árvores lá fora também, mas menos. Um dia, tudo isso deixou de fazer sentido. Os meus berros grávidos [de águas esborrachadas na marquesa do hospital de província] arrancaram bocejos espantados da hipertermia das camas. Um braço pendente, tremido de ilusões simuladas. O que era aquilo que saía de mim, de moleirinha em riste? Babel de sangue e carnes puídas. Nojo, vómito. Alguma merda, os três buracos a funcionar. A quererem esvaziar-me: vómito, merda, crianças mortas. A pediatra perguntou-me se eu estava bem. Respondi-lhe que queria ver as árvores lá fora, alguma coisa que ainda vivesse.

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10.12.07

Revolta na Bounty

Amanhã iremos a algum sítio especial e, enquanto comemos qualquer coisa, havemos de trocar os livros e os abraços e os elogios e até as mockeries do costume. Será tudo como dantes. Isto dito, telefona lá ao senhor Telheiro e marca mesa para quatro.

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9.12.07

Da música

O amor acontece sempre à primeira vista.

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7.12.07

Passeio Público

Quarta-feira, 06/12, no Jornal de Notícias
Não foi há muito tempo. O que são nove anos na longa e atribulada história da espécie a que Lineu destinou o pretensioso nome de Homo sapiens? Estávamos no Outono do ano de 1998 e, quando Pedro Souto e João Maurício encontraram os restos ósseos de uma criança no Vale do Lapedo (Leiria), poucos teriam o arrojo de prever que a descoberta iria alterar tão intimamente a infinda e entranhada controvérsia em redor da origem biológica do homem anatomicamente moderno.
Diga-se, antes de continuarmos com a história da criança do Lapedo, que uma das inquietações essenciais da humanidade, desde os tempos mais recuados, foi a averiguação das suas origens (evoquemos ainda Lineu e a sua divisa nosce te ipsum, "conhece-te a ti mesmo"). Os textos bíblicos, designadamente o Génesis, configuram essa preocupação. Não obstante, falamos aqui de ciência e não de crença. De uma discussão situada em paisagem crítica e racional. De como a paleoantropologia confronta e interpreta uma sequência de eventos cronologicamente situados que transmudaram, através de eventos evolutivos, um macaco num homem.
Qual é, pois, a importância da criança do Lapedo para o conhecimento de nós mesmos? O esqueleto da criança foi descoberto num resguardo rochoso do Vale do Lapedo, denominado Abrigo do Lagar Velho, perto da cidade de Leiria. A criança, de sexo indeterminado, morreu com cerca de quatro de anos de idade. Junto ao corpo, possivelmente envolto numa mortalha pigmentada de ocre, foram encontrados alguns elementos com manifesto valor simbólico. Estes factores, articulados com a antiguidade dos restos esqueléticos (cerca de 25.000 anos), bastavam para garantir uma importância excepcional a esta sepultura.
Todavia, a atenção científica e mediática rendeu-se quase exclusivamente à hipótese colocada pela equipa que escavou e estudou a criança do Lagar Velho. Concisamente, a hipótese sugerida supõe que esta criança exibe um mosaico de características morfológicas que redundou de uma miscigenação - ou hibridização - regular entre Neandertais e Cro-Magnons (os Homo sapiens, anatomicamente modernos), durante a fase terminal da existência Neandertal na Europa. Como seria de esperar, a comunidade científica reagiu imediatamente a esta alusão de "mestiçagem" criticando ou aplaudindo, conforme a dúctil e variável acomodação dos dados às ideias que cada cientista tem sobre o assunto.
Convém, talvez, dizer que a maior parte dos traços desta criança são modernos mas que outros, como a proporção dos membros, assentam no espectro de variação Neandertal. Não existe, ainda, consenso em relação à sua ancestralidade. A reconstrução facial da criança, apresentada na última semana, mostra-nos um indivíduo tão estranho que parece o resultado do cruzamento de um extraterrestre com o maléfico Chucky. É claro que, para o leitor, todos os dados empíricos se tornam irrelevantes perante a ficção. A realidade, dizia Borges, não tem a mínima obrigação de ser interessante. E poderá haver algo mais interessante que a possibilidade de amor entre duas humanidades alternativas, exactamente no âmago do nosso país?

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5.12.07

De natura Deorum

Revolta e fogo. Um desafio ao nosso Deus. Salvem quem não merece ser salvo. As balas que ensombrem as asas dos santos. E um dia, sim, um dia tudo será como dantes.

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French music #twelve

The Dresden Dolls - Coin Operated Boy

[I can even take him in the bath]

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4.12.07

Desperdiçar a segunda melhor francesinha do mundo

Comecei a suspeitar que o serão ia correr mal quando o Cardozo marcou dois [dois!] golos ao Shakespeare Donuts.

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Broken boy soldier

O jeito mesmo é esquecer a soldadesca.

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3.12.07

French music #eleven

The Raconteurs - Broken Boy Soldier

[I'm child and man and child again]

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2.12.07

Vinha de Lovosice

Eis o sentido crescido das olheiras: um refrão demencial de ideias coladas ao cérebro durante anos de pouca chuva e (ao mesmo tempo) de pouco sol - anos de infertilidade pós-menopáusica, digamos. Gostava que voltasses a olhar-me (disseste, quando deixei de te ouvir) como fazias à sombra de todos os outros dias e que os pesadelos desfeitos de tranças julgassem acabado o meu sono. Os ramos mais fortes das oliveiras não crescem imunes a esta ventania de dezembro.

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