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30.11.05

O sonho de qualquer antropólogo #2



Margaret Mead [1901-1978] num selo de 32$ [EUA].

29.11.05

The best


"Em 1969 parei de beber e deixei de andar atrás das mulheres. Foram os piores 20 minutos da minha vida."
[George Best, 1946-2005]

Estacionamentos

Gosto quando o capot ampara as folhas desprotegidas.

28.11.05

O sonho de qualquer antropólogo



Gary Larson, Farside [mas repare-se no erro: Homo habilus]

Loneliness

Apesar de querer ficar sozinho não me livro do frio.

25.11.05

Finitude

Hoje termina o BdE, um dos poucos blogues que eu lia [leio] diariamente. No quarto do moribundo aditam-se posts derradeiros, confissões solenes, murmúrios olorosos. Os amigos juntam-se para ver uma bela morte.

"A natureza tem muitas maneiras de nos convencer que somos mortais."
[Jack London]

24.11.05

Por e-mail

Uma espéce de Tristes Trópicos em nota introdutória, com entremeios de diarística a la Malinowski [sem a catilinária racista ou idas à montanha]. Uma maravilha, por enquanto só para uns happy few.

23.11.05

E nem sequer sou a Maria Filomena Mónica

Hoje entreguei o último capítulo da minha vida.

21.11.05

Eu queria ser padre


Eu teria 4/5 anos. Queria ser padre porque achava que os padres só trabalhavam uma hora por semana, aos Domingos de manhã. O meu primo disse-me para eu ter juízo, "Os padres não podem ter mulheres", exarando a erudição costumeira dos putos com 6 anos de idade.

Na realidade, estávamos ambos enganados.

18.11.05

Che fare?

A questão crucial d' Os Noivos de Manzoni revela-nos a pedra angular do pensamento do turbilhão moderno: a dúvida. Visita-me por vezes - como a todos - de passagem, como um médico, ou demoradamente, como as aves visitam o norte durante o Verão. Escrevo este último texto célere e distraído [sem saber muito bem o que dizer]: estou de passagem e o descanso é preferível ao ecran de um computador. Não sei se devo escrever enquanto não volto definitivamente às realidades quotidianamente repetidas. Olho as águas escuras e revoltas do mar, do outro lado da janela, protegido do frio e de alguma chuva - hóspedes indesejáveis da tarde. Escrevo, escrevo, escrevo. A rotina de teclar para suprimir o som do temporal.

17.11.05

Mão querida #2

Conta-se que um ladrão de gado afegão disse, enquanto lhe cortavam a mão direita, o castigo pelo roubo de dois camelos: "não me cortam só a mão, tiram-me também a minha melhor amante".

16.11.05

Historinha para o dia 16/11

Arrefecia há muito no esquife dourado, a face serena e nunca tão bela empalidecendo as begónias que lhe atropelavam o corpo. Se não fossem elas, as flores, a guarda real aprumada em negros, funéreos uniformes e uma ligeira melancolia que perpassava o reino, o incauto passante diria que o jovem príncipe apenas dormia. E, no entanto, as mulheres choravam-no no recesso dos quartos, das cozinhas e dos lavadouros. Alguns homens, os menos sensíveis, também.
O príncipe Adorján foi enterrado num amplo coval pelo próprio pai, o rei de Imrus, nos jardins do palácio de Inverno, níveo gigante tresmalhado nas montanhas mais recônditas do reino. O rei, bricoleur convicto, de muitos anos, erigiu também esplêndido monumento tumular. A bruta pedra de mármore arruivado, graciosamente afeiçoada pelas mãos reais, tomara a figura esbelta, mas imperfeita porque sem sopro de vida, de Adorján. O ícone pétreo, dizem os perplexos cronistas, possuía um pequeno defeito: o braço esquerdo, apesar dos esforços perseverantes do envelhecido rei, sempre caía no dia seguinte ao aniversário da morte do príncipe.


Diário do Barão Iszák Jaroselic, perpétuo viajante
Data: Ano de 1856, décimo sexto dia de novembro
Local: Castelo de Jenö, Quadrícula 5b, Sector Poente

Acabei de escavar um esqueleto completo, do sexo masculino, adolescente [16-18 anos, pelo desenvolvimento das epífises], na presumida sepultura do Príncipe Adoriam [m. circa 1233]. Nenhuma condição patológica a assinalar. O corpo encontrava-se numa estranha posição de inumação: embora confie nos meus olhos e nos desenhos que eu e Jana debuxámos, não compreendo porque o enterraram sentado e com o braço esquerdo na boca. Parecia que o ia comer. A menos que o tenham enterrado v… [documento ilegível deste ponto em diante].

15.11.05

A verdade


Acabo de comprar "Os emigrantes" de Winfried Georg Sebald. Corro os olhos pelas páginas, texto intercalado por fotografias cinzentas, e remeto a memória satisfeita ao primeiro livro de Sebald que li, "Austerlitz". O escritor, que morreu em Dezembro de 2001 num acidente de viação em East Anglia [o seu exílio inglês], era também um fotógrafo devoto. Os seus livros acumulam imagens que brotavam de passeios longos pelas ruas desertas, abrigadas na película da sua câmera ou em velhos postais e recortes de jornal encontrados no lixo. As fotografias não possuem legenda: mesmerizam o sentido do texto que as rodeia. Autenticam-no através da sua transcendência espácio-temporal e ligam Sebald àquela realidade. Não existe ficção. O autor morreu mas nós sabemos que ele esteve lá, que o que nos lega nas sucessivas páginas dos seus magníficos romances não é nada menos que a verdade.


14.11.05

Face a face com a imbecilidade

Olho fixamente as barras coloridas. Os bytes conjuram-se no assalto do tempo, as matizes invocam esperanças secretas nos meus olhos cada vez mais remelosos. Skip James e Buzzcocks afeiçoados pela leveza do download, Sergio Leone e Tim Burton tornados contemporâneos pela partilha de ficheiros .avi. Olho fixamente as barras coloridas. Olho muitas vezes as barras coloridas e não estou só. Sou como todos os Jacques da periferia de Paris, como o Tozé que está a sacar o Elizabethtown e o xurrasku que só gosta de pornografia: sirvo-me do sistema para o aniquilar. Repito-o em mente enquanto o escrevo.


Não passo de um bandido de cú de estrada, talvez um pouco mais sofisticado.

11.11.05

Mão querida

Sorrio com o tape-tape ritmado que vou chasqueando com a mão no tampo da mesa. Apesar de não ser excepcionalmente bela, ainda assim é uma bonita mão. Cumpridora. Por vezes, nem por isso, mas a maior parte das ocasiões é porque não pode ou não sabe. Não pode apanhar muito frio. Não sabe tocar piano ou harpa. Não pode – nem saberia como – acariciar uma mulher de etnia Cokwe. Mas já me defendeu de um ou dois agressores, já desferiu um ou dois golpes com pouca – ou nenhuma – misericórdia. Já colheu laranjas e subiu escadas, já fez cócegas nos pés de algumas pessoas, já me satisfez os apetites, já acordou quem dormia, já escreveu cartas de amor e cartas de malquerença, todas elas anónimas e com uma caligrafia horrível. Já pôs gasolina em carros a gasóleo, já acendeu a televisão com o comando do vídeo, já deitou migalhas de pão aos gatos da senhora Adosinda. Até já enfeitou presépios e árvores de Natal, tudo no mesmo dia. É horrível perceber que uma mão tão dotada não tem poder para mudar o que quer que seja neste mundo.

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9.11.05

Macbeth

Se fosse escrito pelo Francisco José Viegas dava um óptimo policial.

8.11.05

Paris

Pensei que fosse a morte a suprema niveladora. Ignorante. O fogo, mon Dieu, o fogo.

7.11.05

Um Novembro possível

O teu beijo arrisca delicadezas a que não estou habituado. A civilidade dos teus lábios de romã, nas arrefecidas manhãs de Novembro, lembra as folhas subjugadas pelo ocaso dos dias – o vermelho esvoaçante, a intimidade de um momento, a efemeridade da beleza. Um beijo com sabor a castanha seria, porventura, menos poético. Indubiamente mais saboroso.

4.11.05

Efémera

Um amigo confidenciou-me que uma vez se apaixonou por uma rapariga que passava num autocarro, já não sei de que linha, nem ele. A figura efémera, esgarçada pelos vidros sujos de uma tarde lamacenta de Novembro, assomou-lhe súbita, aspirando todos os seus sentidos para a ventura de um momento irrepetível. Naquele momento ele foi feliz como nunca foi ou voltaria a ser.


Talvez, na altura, eu tenha estranhado o sentimento fácil, a cumplicidade algo exagerada. Mas, pensando melhor, como poderia ele não amar uma imagem que lhe prometeu a felicidade?