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27.2.05

O quilombo

O termo quilombo deriva provavelmente da palavra kilombo que designa uma instituição iniciática de jovens guerreiros mbundu adoptada pelos seus invasores, os jaga. Este grupo era formado por indivíduos de diferentes origens étnicas, desenraízados das suas culturas de origem.

O quilombo, enquanto instituição iniciática, surgiu em África e foi depois reapropriado na América, adquirindo um poder simbólico de resistência ao regime escravocrata. Sendo um movimento típico dos escravos do Brasil, o quilombo inseriu-se nas margens do poder colonial português, constituíndo simultaneamente uma fonte de perigo e de poder. As ameaças à própria escravatura enquanto instituição eram, todavia, exercitadas a nível pessoal, pois terão sido poucas as vezes na formação de um quilombo que existiu uma consciencialização generalizada entre os escravos de que era possível a abolição do regime esclavagista. No entanto, as constantes fugas de escravos, o seu agrupamento em quilombos e consequentes acções marginais, funcionariam sempre como actos intimidativos às instituições do poder.

Dessa maneira, e porque foi desde o início do tráfico de escravos para o Brasil uma aspiração de liberdade e uma ameaça ao centro dominante, o quilombo representa hoje uma das mais importantes formas de resistência colectiva dos Africanos escravizados.

26.2.05

A morte de Jozefow

Chegas a Jozefow, a adormecida. A manhã não te ocorre ainda nas tábuas adormecidas do camião. Ouves o silêncio da respiração interrompida pelo estrépito da pólvora embriagada. Perfilas os corpos insepultos, em linhas herméticas, nas ameias do castelo prostradas em agonia. Ò Jozefow, maldita a hora dilucular que te trouxe o gládio de Hamburgo.

[Em Junho de 1942, poucos dias após a sua chegada à Polónia, os homens do 101.º Batalhão da Polícia de Reserva de Hamburgo eram largados na madrugada da aldeia de Jozefow. No final de um longo dia aqueles homens tinham assassinado 1500 judeus de todas as idades, sexos e condições. Os corpos foram abandonados nos bosques da aldeia morta.]

24.2.05

Resolvido



Futebol de primeira água inunda a Banheira de Roterdão.

p.s. Alguém levou um cartaz para o Estádio da Luz que dizia: "Nós acredita-mos".
Eu também acreditava mas quem comete erros assim paga-os bem caro.

23.2.05

Chovia

Hoje saboreei a lentidão do entardecer nos teus olhos. Choravas enquanto a chuva aquietava o nosso abraço de despedida. Alguém que passava dizia: o bom tempo findou.

20.2.05

Resultados eleitorais

AMEAL, Coimbra
[Resultados finais]

PS – 502
PSD – 134
CDU – 103
BE – 69
PP – 34
PCTP – 10
PND – 7
PH – 3
POUS – 1
PNR – 0
PDA – 0
Brancos - 8
Nulos - 11

Inscritos: 1286
Votantes: 882
Abstenção: 31,42%

Erasmus prepara-se para votar



[Quentin Massys, Portrait of Erasmus of Rotterdam, 1517, Oil on panel transferred to canvas, 59 x 46,5 cm Galleria Nazionale d'Arte Antica, Rome]

19.2.05

Tempo de reflexão



O melhor local de reflexão do mundo já está sumariamente apetrechado. Vou iniciar a minha - longa - reflexão pré-eleitoral.

17.2.05

Do céu

Porcaria é algo fora do lugar. O adágio é provecto e sapiente. Um pouco de banha, um alho, sal avonde e a aba de uma vitelinha podem convocar as hostes celestiais de querubins e limpar a porcaria que se encerra na alma de cada um de nós.

16.2.05

O melhor do debate



Jerónimo de Sousa. Quase não falou, não teve por isso oportunidade, como os outros, de descarregar em frente das câmaras as banalidades da praxe, as ideias imponderadas, as chicanas ordinárias. Ontem, foi um senhor no meio daqueles néscios que se julgam iluminados.

13.2.05

Ainda a arte

Calei-me, temeroso da minha réplica, ao seu cândido entendimento:
- A maior parte dos artistas só o são porque têm o reconhecimento da crítica, porque passam a vida a lamber as botas de quem decide o que é arte e o que não é. O verdadeiro juiz, o zé-ninguém, acha - e com razão - que uma boa parte dos artistas, e das suas obras, são experiências falhadas. São simulacros que, de forma incompreensível, burlam o mundo.

12.2.05

O espelho

Quando olho para mim não me percebo. As olheiras afundadas na magreza ossuosa da face, as rugas balbuciantes na testa cada vez mais espaçosa, as incertezas maiores do olhar cansado delatam a irrupção compulsiva do Outono na minha vida. Os trapos moços com que me cubro, os cremes com que desbarato o precário estipêndio mensal, as horas alongadas na penumbra mesmerizam a rasura do tempo, por breves momentos, sabendo a peleja perdida de antemão mas confiando na sanha guerreira do corte pós-moderno, do retinol A e de um provérbio que de noite torna todos os gatos pardos. Olho-me e não me percebo. O Outono chegou, é já uma certeza firmada no meu corpo, mais tarde ou mais cedo começará a chover. Hei-de comprar mais um guarda-chuva.

10.2.05

Crematório

1
Luxo, serenidade, mármore.
2
Portas giratórias.
3
Câmara, plasma, vapor.
4
Madeira, colapso, surdez.
5
Zelo.



[Luís Quintais, Duelo, Edições Cotovia, 2004]

9.2.05

Em Coimbra a ortografia também conta, ó pára-quedista!


[Roubado ao Estaleiro]

Vamus tôdos xumbar a cô-inceneração!

Campanha de baixíssimo nível

Portugal perde com a Irlanda e Rogério Matias deambula pelo campo durante 90 [!] minutos. Pauleta e Nuno Gomes continuam a ser maldosamente apelidados de pontas-de-lança pelos comentadores portugueses. Naturalize-se mais um brasileiro, estou a lembrar-me do levezinho, número 31, que nos livrava daquelas duas avantesmas de uma penada só. E Scolari... Bem... Scolari... [sem comentários...]


Mourinho na bancada: ficava muito melhor no banco que debrua o relvado.

7.2.05

Carnavais

É fácil vestir a pele do Outro e festejar a diferença sem a compreender.

5.2.05

Um bom fim de semana

Por detrás dos vidros o frio acode através de uma miragem indistinta, anódina, passeada pelo vento que trespassa o alcatrão repassado de água. As nuvens adejam subitamente sobre o terraço negro do prédio provocando um irreflectido assomo de oposição ao temporal: o encerramento das portadas das janelas, a fuga interior para o Sul, a lembrança dos compromissos caseiros. Tudo mentira: esta merda é uma mentira nojenta, torpe. Eu gostava muito que chovesse este fim de semana, toda uma semana - sete dias inteiros - a chover. Como não sei a dança da chuva escrevo umas mentiras que enganem a fome, olho o cinzento das nuvens noutras belas mentiras.



[The Thames in Ice by James McNeill Whistler, 1860. Oil on canvas; 27.3 x 20.1 cm]

4.2.05

Vida Oculta

O Pedro Mexia para além de ter lançado mais um livro - Vida Oculta - lançou um desafio a todo o jovem amante de som português, personagem certamente sepultada nos covais da nossa alma cheia de multitudes. Quer saber o Pedro quais as vinte bandas - portuguesas - da nossa preferência. Depois de muito reflectir - só o trabalho que deu lembrar-me de 20 [!] bandas deste calhau debruado de água salgada - eis a lista possível [confesso que alguns do final são só para encher...]:
1. Tédio Boys
2. Mão Morta
3. Censurados
4. Peste e Sida
5. Wray Gunn
6. Ornatos Violeta
7. Ena Pá 2000
8. Irmãos Catita
9. Sétima Legião
10. Belle Chase Hotel
11. Da Weasel
12. BunnyRanch
13. Too metes nojo
14. Madredeus
15. Blasted Mechanism
16. The Parkinsons
17. Quarteto 1111
18. Moonspell
19. GNR
20. Brigada Victor Jara

Ardósias

Inocente, sussurrei:
-Uma ardósia branca?!
-Epá, gostava muito do Michael Jackson, imitava-o em tudo.

3.2.05

No fundo da gaveta: porra, a malta não estava alegre quando escreveu isto

Na escuridão de um dia
aberto ao mar
encontro uma luz jacente
no meio de um corpo infecto.
Momentos distantes que
já não posso assegurar
sem óculos de ver
o que não existe.

2.2.05

Iter criminis

Ainda hoje recordo aquela manhã, os vagares da anciania ainda não me assombram a memória. Fui ao banco com um trapo azul na cabeça. Mendiguei o dinheiro do cofre estendendo a mão armada. A menina da caixa assustou-se e vozeou desesperos. Surgiu a guarda, de trapos cinzentos, as mãos armadas com G3. O meu julgamento vacilou, os meus braços armados nem por isso. Matei um, dois, todos. Fugi. A mão recta da justiça prostrou a minha consciência. Entreguei-me no posto. Quase que me mataram de pancada. A mão da justiça não foi misericordiosa. Poupou-me para que eu viva todos os dias a morte daqueles inocentes.

1.2.05

Ab initio: um atalho por onde começar

Mas um instinto involuntário – e desde quando um instinto não é involuntário? – tocou-me a mão que, decidida, quebrou com força o teu sorriso inútil. Agora vejo-te sem sombras. No chão, a sangrar, és um homem de verdade.