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28.9.04

Em Setembro

Divido o tempo contigo, na calçada aureolada pela luz ínfima da tarde de Setembro, a morte subjugando os primeiros passos de uma criança. O abraço que te dou é um adeus. Amei-te tanto nas tardes de Setembro, quando o véu negro ainda ia longe.

25.9.04

Hermetismos

Correm as tardes, duvidosas, num fluir contínuo de sensações adormecidas pela brisa intérmina. Existir é fácil se não houver dor e o tempo não magoar. Acossado de nostalgia regresso à velha cruz de granito e procuro o pintassilgo que um dia me contou a nossa história. Pensemos nela, a ilusão não morre com a passagem do vento.

18.9.04

Não temos o direito de não conhecer


[Pieter de Hooch]

"O enquadramento estreito de uma porta entreaberta dá profundidade, muito ao longe, numa cor diferente, no aveludado de uma luz interposta [...]"
Marcel Proust, Em busca do tempo perdido - Do lado de Swann

Nem um nem outro.

17.9.04

zero - black hole - zero

A lágrima não serve para nada se não escorrer pela face quente e lavar o cansaço das tardes perfumadas por odores agrestes, ignotos espinhos nas narinas dilatadas. 24 horas por 7 vezes. O cansaço indulta-me do embaraço de fazer a conta, mas sei que é muito tempo. Não me lembro de nada. Uma semana inteira. Muito tempo é tempo excessivo quando tudo é um buraco, negro, sujo, esquecido num brejo cinzento que alguns consensualizaram com o nome de cérebro.

12.9.04

Rui Veloso

Ontem fui a Montemor-o-Velho ver e ouvir, com palco instalado nas faldas do vetusto castelo, o cantor tripeiro, levado pelo pedido insistente da menina Marta, fã decidida do autor de "Chico Fininho". Eu, não tão decidido fã, posso garantir que saí do concerto convencido que o Rui, se não fosse cantor, tinha lugar garantido no Levanta-te e Ri da SIC.

O meu espanto não radica, no entanto, da faceta cómico-humorística do cantautor, mas sim da reacção de um certo público [aka casais de namorados] aos acordes e versos de "Anel de Rubi". A cançoneta não é, de todo, má - embora a rima de Rubi com Rivoli seja intragável - e o seu final anti-romântico é interessante do ponto de vista poético. Não obstante, algumas centenas de pessoas não percebem essa cerúlea melancolia e desesperança da canção. É uma canção de amor, pensam. E, por isso, abraçam-se e beijam-se como se fosse a última vez. Nem percebem que, na canção, o amor fica de rastos.

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10.9.04

Reflexões do coração

O consolo futebolístico busco-o muitas vezes – mais do que as que desejaria, pois a equipa lagarta não tem sido pródiga em grandes vitórias – na ideia de que o futebol português muito deve à força geratriz dos leões relativamente à formação de artistas da bola. Se até aos anos oitenta do século transcorrido os magos assomavam quase sempre em terrenos lampiões [rememoremos o fantástico Chalana], no proémio dos noventa os ludiões futebolísticos prolificaram nas cercanias de Alvalade. Futre, ainda nos anos oitenta, Figo, Simão, Viana, Quaresma, Ronaldo ou a promessa Moutinho são as personagens modelares de uma novela que conta ainda com o concurso de figuras prescindíveis [no sentido em que passaram ao lado de uma grande carreira] para a trama, como Paulo Costa, Porfírio, Dani ou Peixe. Por outro lado, desde Manuel Fernandes que o Sporting não oblata ao Mundo um ponta de lança de qualidade excepcional [por favor, não me falem no Jorge Cacete]. Para amparar a baliza e arrabaldes – nenhum grande guarda-redes depois do Damas – a escola forniu Nuno Valente [desperdiçado para o grande Porto de Mourinho], Beto, Caneira e quem mais? Jogadores medianos, quando não medíocres. Renovada esperança quando vi na pré-temporada a eficiência e classe de Miguel Veloso [filho de peixe].
A selecção, órfã da referência maior dos derradeiros 10 anos, será devedora do trabalho desenvolvido no Sporting: a superioridade técnica que tantos jogos resolve será entregue aos meninos do leão, Ronaldo, Quaresma, Simão – sem esquecer a magia de Deco, claro. E, também, à capacidade do FCP em fabricar estrelas no centro da defesa e ataque – Ricardo Carvalho e Postiga. Do Benfica não se aproveita nada.

Aniversários

O incontornável Barnabé celebra hoje um ano de vida. Se existe um ícone da blogoesfera portuguesa é o blog destes rapazes. Também o Melhor Anjo festeja os primeiros 365 dias de excelente escrita, íntima e azulada pela melancolia. Muitos parabéns ao Tiago, Daniel, Pedro,Celso, Rui e André.

9.9.04

Uma aventura

A compra de uma estante foi motivo suficiente para pegar em velhos incunábulos esquecidos sob finas camadas de poeira, incapazes de se livrarem dos anacronismos das leituras demasiado agarradas à puerícia do leitor. O caso da série Uma Aventura de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada é paradigmático: há quinze anos devorava, incessante e ininterruptamente, do seminal Uma Aventura na Cidade ao Uma Aventura no Deserto, todas as peripécias protagonizadas pelas gémeas Teresa e Luísa, pelo Caracol e pelo Faial, pelo João, pelo Chico e pelo Pedro.



Hoje, olho para as bonitas capas coloridas e pergunto-me pelo destino de tão famosos personagens. O Caracol e o Faial terão morrido, levados pela rapidez dos anos de cão? As gémeas terão casado com alguém que descobriu a pequena dissemelhança entre ambas? O João terá saído do armário? O Chico será o companheiro de aventuras do João Garcia? O Pedro emigrou para Berkeley ou será bolseiro da FCT?

Deixo pairar as perguntas, prefiro manter a inocência. Sou demasiado púdico para deletrear o derradeiro Uma Aventura entre as Duas Margens do Rio.


O meu preferido

8.9.04

E isto tanto dá para o aborto como para Beslan

"Os factos não penetram no mundo onde vivem as nossas crenças".
Marcel Proust, Em busca do tempo perdido - Do lado de Swann

Eu não gosto de citar ninguém, mas, glosando um amigo: tudo o que eu possa dizer já foi dito antes por outro com muito mais clarividência e elegância.

5.9.04

No excuses


3.9.04

Lágrimas por Ossétia


Os rostos salgados pela queda das lágrimas, os corpos seminus e ensanguentados - a tristeza dos inocentes perante a injustiça. Quem são eles, os que escolhem matar o frágil cordeiro? Que mal te fiz, para que me queiras exterminar?

Moura encantada



[Noite de Verão, Cacela Velha]

ou encantadora...

1.9.04

Paradoxo

Entro na igreja velada pelos séculos e olho insistentemente o Cristo perecendo no madeiro cruzado, os olhos tristes de alegria, a confiança ensanguentada do dever cumprido – sim, que Ele nos remiu – escorrendo pela sua fronte bela e cinzelada. Caminho vagarosamente, os passos absorvidos pelos pensamentos, para a lateral capela setecentista. O barroco fulgente de uma Pietá, a arte exponenciada à derradeira náusea, agrilhoa o espaço devoto às riquezas dos Brasis. No altar o Cristo ainda morre, na lateral capela a Sua mãe já chora a sua extinção. Algum pós-moderno talvez me diga que o tempo é o do paradoxo.
Rezo o Pai-Nosso olhando as pedras ajaezadas de ouro, esculpidas por mãos gráceis e bem pagas. Lá fora, no adro, um mendigo recebe de esmola os derradeiros calores do sol, anuncia-se o fim da tarde. O tempo, o nosso, é o da indiferença ao paradoxo.